Tinha comentado que iria para Oxford se o tempo estivesse apresentável. Não estava.
Maaaas, ao invés de ficar em casa, como disse que faria, chequei a previsão do tempo e fui para Londres!
Sem planejar nada ficou difícil saber por onde começar, portanto agradeço a menção no blog de uma amiga a Westminster - uma menção que não tinha nada a ver com fazer turismo na inglaterra - porque isso me deu pelo menos a ideia de começar por lá. E não me arrependi.
Meu trem desceu (da onde filha, do céu?) em Paddington, uma estação bem grande de Londres, e de lá peguei o metrô (aqui chamam de
underground) para Westminster. Ta certo isso? "pegar o metro"? Enfim, para tanto usei o Oyster Card da Cleu (mãe do meu amigo, com quem vivo aqui), que é tipo um cartão transporte. Não tenho certeza se vale para algo além de metrô e ônibus - em Londres - e não sei como funciona para fazer, mas assim que descobrir posto aqui. Sei que precisei carregar ele com libras e foi muito fácil, só colocar seu cartão do banco (no meu caso o travel money serviu perfeitamente) na maquininha, clicar no valor desejado e pronto, tão lá seus créditos. Quando acabarem, ou quando forem pouco demais para pagar uma passagem, é só recarregar. Sem boleto, sem imposto, sem FILA!
Peguei também um folheto com as informações sobre as estações do metro e as diversas linhas. De primeira pareceu muito difícil entender como funciona. Conforme fui passeando pela cidade fui seguindo as linhas junto com o mapa de Londres e ficou muito mais claro e deu pra ver como o sistema de metrô deles é prático. O mapa da cidade comprei assim que desci em Westminster e, olha, foram as £1.95 mais bem gastas desde que cheguei. Graças a ele me localizei bem na cidade toda e só precisei pedir informação na bendita hora que resolvi guardar o mapa por causa do vento. Sério, vocês não tem ideia do que era aquilo. Nem as pombinhas tavam conseguindo voar na direção contrária ao vento! Por causa dele meu mapa quase virou 2 já na segunda vez que tirei ele do bolso!
Bom, começando de novo... Saí da estação de Westminster quase fazendo xixi na calça e morrendo de fome - era meio dia quando peguei o trem e não tinha dado tempo de almoçar. Depois de uma pernadinha básica achei um McDonalds - nunca foi tão feliz achar um McDonalds. Deus do céu, que banheirinho mais xinfrim e que lugarzinho mais apertado. Comi por lá mesmo, um quarteirão muito sem vergonha que valeu menos para matar a fome do que para conhecer duas brasileiras também passeando que me fizeram companhia até o National Gallery. Me perdi delas lá também porque, né, eu sou daquelas pessoas que nunca vão ao museu mas quando vão perdem o dia inteiro...
Depois de umas duas horas, o que não deu para ver nem metade do acervo, desisti do museu. A exposição principal estava quase fechando e ficar lá significava não ver mais nada da cidade. Da praça em frente ao National Gallery dá para ver o Big Ben, que foi a próxima parada na rota, e valeu ter deixado Oxford para outro dia, porque deu um solzinho nem assim tããão tímido em Londres e foi muito bonito ver toda aquela construção megalomaníaca brilhando um dourado com cara de ter muuuitos aninhos de vida. Nunca dei nada para Londres, ta aí uma cidade que não tinha muita intenção de visitar e que me surpreendeu desde o começo. Valeu a pena passar por cima do preconceito. É um lugar bonito a sua maneira.
Continuando o passeio, fui andando até o London Eye, que é aquela roda gigante enorme de onde dá para ver a cidade inteira - boatos, porque quinta só passei lá pesquisar preços e horários, afinal já eram 18h e tinha muita fila para entrar e muita coisa que eu queria ver antes de ir para casa. Zigue-zagueei pelas pontes, até chegar ao National Theatre - também para pegar folhetos e ver o que tinha de bom. Tem muita peça interessante, só os preços que não animam: £12 para tomar chá de cadeira (2 horas e meia de peça é para cimentar o cu na bunda). E, claro, £12 é o preço dos lugares mais baratos, porque tem lugares que chegam a custar £47. Acho que depois dessa dava para manerar um pouco os comentários sobre teatro ser caro no Brasil, né?
Saí do National Theatre e perneei mais um pouquinho, até a St Paul's Cathedral. Cara, é muito grande. Estava fechada mas deu para dar uma volta pelo
church yard ao redor da igreja. Os jardinzinhos são bem simples, com umas arvorezinhas aqui e ali, banco de praça e esquilos muito simpáticos que, pelo visto, são parte da atração turística. É muito bonitinho ver eles cavando para recuperar uma noz e se fazendo de desentendidos quando percebem alguém olhando.
Já estava bem cansada depois dessa andança toda, por isso parei na praça Pater Noster, pertinho da catedral, para um mochaccino com brownie na Starbucks. Nossa que overdose de açúcar, hahaha! Enquanto isso, aproveitei para procurar no mapa o que mais tinha por perto para ver antes de voltar. Achei a Tower of London e, como estava me localizando bem e ventando muito, dei uma de metida e guardei o mapa. Bem feito, me perdi e tive que andar que nem uma camela até finalmente descobrir o que eu estava procurando. A Tower of London estava fechada mas foi só chegando lá que descobri que a Tower Bridge era a ponte que eu queria tanto ver.
Parecia de mentira. A visão da ponte cinza e azul, linda, de longe, tirou meu fôlego. Graças a muitas partidas de Scotland Yard com a família (valeu mãe!) e a uns 3 ou 4 romances do Sherlock Holmes a expectativa de como seria a ponte ao vivo era bem grande. Sem exagero, era uns dos lugares que eu precisava ver antes de morrer, porque é lindo demais, é emocionante, da vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo, de levar embora pra casa. No caminho entre a Tower Bridge e a London Bridge não conseguia parar de admirar o Tâmisa. É o lugar mais romântico em que já estive, principalmente com as lampadinhas acesas e a vista para a ponte. Pena que faltou
my other half (como diz um dos chefs com quem trabalho) para completar a cena.
Estava moída e doida para ir para casa quando, as 21h15, peguei o metrô pela penúltima vez aquele dia - e cheio ainda. Troquei na estação de Baker Street (mãããe, existe!!!) e por último peguei o trem em Paddington. Cheguei em Reading com os músculos das pernas latejando e cheia de energia e coisa para contar.