domingo, 9 de dezembro de 2012

Christmas is coming...


É sempre assim. Outro dia eu tinha milhões de coisas para escrever, mas todas soavam tão bronquinha da mãe que vou adiar a conversa.
Hoje falaremos do Natal. O que vocês vão fazer no Natal? Eu já pedi dia 24 de folga e vou tentar fazer uma ceia bem bonita e bem gordinha. Ainda não comprei a árvore, nem os enfeites e não vou montar presépio esse ano, e não quero nem pensar nos presentes porque me dá aquela tristeza. Sabe como é, família longe... É incrível como perto do Natal o tempo rende menos. Lá no restaurante sempre esbarro numas mesas com as pessoas checando listinha de compras, e o povo às vezes fala que ano passado, a essa altura do campeonato eles já tinham tudo comprado e embrulhado. Aí penso que mal e mal vi uns preços e pronto, bate o desespero.
O Natal aqui é um pouco diferente do Brasil. Aqui as pessoas são mais, digamos assim, natalinas. Claro que, em termos de gastos e de toda aquela balela capitalista é a mesma coisa. Mas é legal ligar o rádio e escutar clássicos de Natal tocando direto, ou ver as pessoas usando suéter com papai noel, trenó, renas, boneco de neve, os enfeites de cabelo, acessórios. Eu mesma, lá no trabalho, uso brinco e arco de cabelo com temas natalinos, tenho até uma gravata de papai noel! Parece uma coisa tão boba, mas faz diferença no comportamento das pessoas.
Mas o que eu estou curiosa pra ver aqui é o tal do boxing day. Historicamente, até onde eu sei, era para ser um feriado nacional, só mais um dia para passar com a família. Faz sentido. No Brasil a gente tira o dia 24 meio de folga – não me batam ainda – para passar cozinhando e limpando que nem empregada e comer uma ceia ridícula de enorme e trocar presentes e discutir desnecessariamente. É sempre assim lá em casa, todo mundo cansado de tanto cozinhar, comer e limpar.
Aqui a moda é fazer compras no dia 26. No boxing day as lojas exageram nas promoções e a galera se mata comprando até acabarem as roupas e os sapatos (não sei o que mais fica super barato, se souberem me avisem). Me dá até medo, porque quem me conhece sabe que eu sou meio anã, e eu sei o temanho médio das inglesas... vai ser o show do iron maiden na pedreira all over again...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Polônia polenta

Vou contar rapidinho porque to com fome e hoje quero comer polenta.
Na viagem para a Polônia, fora os dias que fomos para Praga, eu e o boy passamos a semana na casa dos pais dele. O irmão dele e a esposa passaram bastante tempo com a gente, mas foi tranquilo porque eles falam e entendem inglês, se não maravilhosamente bem, pelo menos o mínimo necessário para uma comunicação satisfatória. Já os pais dele...
Você pensa, ah, tudo bem, o boy traduz, vai ser tranquilo, e se não tiver outro jeito vai na linguagem corporal mesmo. Claro, linguagem corporal é uma coisa divina, funciona para perguntar onde a pessoa guarda as xícaras, o café, o leite, o prato, a faca, a manteiga, o pão. Mas assim né, você senta de frente para a sua possível-futura sogra, ela te olha com aquela cara como se você fosse um bichinho exótico muito simpático, esperando algo de você. Por eu não ser preta, porque eles acham que Brasil é equivalente à África na América Latina, fica aquele clima de lista de perguntas. Pensa bem, a gente no Brasil tem uma idéia de Europa assim bem mais ou menos, mas tem. Brasil, para a maioria dos europeus, é sinônimo de café, comida picante, floresta, mulherada dançando pelada, sexo, samba, caipirinha. E a imagem é que todo mundo é da cor do café. Na boa, vejo mais gente preta aqui do que em Curitiba (ta, eu sei que Curitiba não é referência), e aqui preto é preto do tipo se apagar a luz você só vê os dentes. No Brasil, minha opinião pelo menos, as pessoas ditas "pretas" tem uma cor bonita, a maioria é um chocolate ao leite, tem as mais claras, as mais escuras, tem as mais para cor de índio e as bronzeadas, mas é tudo brasileiro e com cara e jeito de brasileiro. Tenho muito orgulho de explicar isso para os ingleses quando eles perguntam, atônitos, como eu posso ser branca se sou "latina".
Enfim, voltando à Polônia. Sabe aquela história de que o melhor jeito de aprender uma língua é se jogar na cultura? Bom, depois de ouvir e ouvir e ouvir, fui começando a entender e a me virar. Por exemplo, um dia eu estava postando umas fotos e meu possível-futuro sogro estava sentando me perguntando o que eu estava escrevendo - é, acho que isso rola na linguagem corporal também. Com o google aberto, digitei tudo no tradutor e voilà, nos comunicamos. Outro exemplo, muito divertido, foi quando estávamos cozinhando e a mãe do boy veio querer lavar as coisas para a gente e cuidar da limpeza, e eu dizia, na minha cabeça, que era para ela sentar e sossegar, que depois a gente resolvia isso. Daí eu me lembrei que o boy vivia dando aqueles comandos para a labradora (existe isso, labradora?) dele, tipo senta, deita, dá a pata e tals. E eu viro para a minha sogra e digo, com a maior confiança que não saber porra nenhuma de uma língua que você está tentando falar pode te dar, e solto "SOGRA, SENTA". Me senti uma criancinha de novo, falando algo errado e fazendo todos os adultos presentes darem risada. Aparentemente, em polonês (tinha que ser em polonês), você só fala daquele jeito específico com o cachorro. Bom, valeu a tentativa.
Mas não termina aqui, eu disse ali em cima que se jogar na cultura ajuda a aprender a língua. No meu caso acho que o que mais ajuda é a lembrar de vocabulário - que é e sempre foi minha maior dificuldade. Ontem fomos num restaurante polonês em Bognor Regis já nosso conhecido e, como todos os funcionários são poloneses, quem fez o pedido foi o boy. E foi graças a algumas poucas palavras-chave que entendi quase todos os pedidos. Foi uma das experiências linguísticas mais legais que já tive.
Agora chega de falar da Polônia que eu to com fome e meu fubá nao vai se cozinhar sozinho!
(Só um PS, acabei de perceber que polenta parece um adjetivo, não é?)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Falta de comunicação

Mas tem mais para contar das férias do que o que escrevi para o último post.
Ir para Praga foi uma aventura, em termos de arquitetura e arte foi tudo parte de uma novidade surreal para mim. Mas vamos e convenhamos que, numa cidade turística como essa, não é tão difícil se achar se você fala inglês. Já se você fala espanhol é outra coisa (basicamente você tá fudido...). Que dó que deu de uma moça pedindo informação e a atendente dizendo bem seca "não falo espanhol" nem lembro mais em que língua. Os atendentes, em geral, se não te entendem de primeira também não fazem muito esforço. Nas lojas a história era outra. Numa lojinha com duas russas uma arranhava até italiano.
Por incrível que pareça, no entanto, nós nos viramos anos luz melhor com o polonês do boy, do que com nosso inglês. Num dos restaurantes a garçonete até tentou, mas acabou virando as costas triste, tadinha, dizendo em checo "eu não entendo...". Daí, depois que veio a gerente no lugar dela, o boy falou em polonês e no final veio de volta a garçonete feliz da vida atender a gente em checo mesmo. E acreditem, eles se entenderam perfeitamente.
Agora, imaginem eu na Polônia, onde só a geração mais nova fala inglês, tentando entender a maquininha de café na "rodoviária" de Cracóvia, quando vem um senhorzinho me pedir ajuda. Ô meu senhor, se não me pedem informação nem aqui na Inglaterra, tenho decerto cara de polaca? E naquela pressão eu não lembrava como dizia "não falo polonês" e o senhorzinho repetindo e o boy no guichê comprando as passagens e a senhorinha com o senhorzinho falando outra coisa e eu com as moedas na mão pra comprar o meu café e tudo rodando. Desmaiei, foi pressão demais. Rá! Mentira! Hahahaha, mas seria lindo eu desmaiando na frente da máquina de café!
Bom, nisso eu lembrei como dizia "não entendo", o que não adiantou nada, porque o senhorzinho achou que eu não tinha entendido a pergunta e continuou repetindo e apontando. Mas daí o boy terminou de comprar as passagens e veio ao meu socorro. Tudo resolvido o senhorzinho comprou seu chocolate quente, os três riram da situação e eu continuei sem entender nada. E consegui meu café. Final feliz.
Num outro dia, lá pelo fim da viagem, fui ver umas roupas para o inverno, porque lá eles sabem se proteger do frio - chega a -30ºC fácil fácil. Na única loja em que entrei sozinha, adivinhem, veio a moça falar comigo. Olhei para um lado, para o outro, foi batendo o desespero, fechei os olhos torcendo pra falar certo e disse um mega tímido nie mówię po polsku. Sei lá do que ela achou tanta graça, deve ter sido o jeito que eu falei, mas ela e a outra atendente não pararam mais de rir. O boy entrou na loja só mesmo pra sair, porque depois dessa fiquei muito sem graça até de provar alguma coisa. Passei por mais alguns apertos, mas nada que não se resolvesse com google tradutor ou linguagem corporal.
Faz quase uma semana que estamos de volta e já deu saudade de ouvir polonês o dia inteiro. Não sei se é porque a língua é bonita ou porque às vezes prefiro não entender o que as pessoas falam. Talvez seja um pouco dos dois.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Um sonho em Praga

Dedico esse post especialmente à Raquel, ela sabe por que...


Mãe! Fui pra Praga!!!
Quem me conhece sabe que não só nunca foi meu sonho visitar Praga como jamais sequer pensei que iria pra lá. De verdade, acho que toda a minha vida nunca botei muita fé que chegaria a sair do país para pouco mais de uma viagem à Disney - coisa que ainda não fiz, mas não duvido mais - então imagina o meu susto quando botei os dois pés no aeroporto de Katowice, na Polônia, semana passada... Não é arrogância não, mas me considero uma vitoriosa.
Tem gente que sonha poder um dia voar. Já tem outros que sonham coisas mais plausíveis, do tipo ser independente dos pais, virar rock star, morar no Canadá, ser piloto de avião, ser chef de cozinha, ter filhos, traduzir livros, entrar para a história. Até sair do Brasil eu não tinha muitas ideias sobre o que seriam meus sonhos. Tentei copiar o sonho dos outros, mas não deu muito certo. Procurei nos filmes, na literatura e na música, mas nada me acelerava o pulso ou tirava momentaneamente a respiração. E as pessoas tem ideias diferentes do que são os sonhos. Para mim, sonhar é olhar para o futuro e se enxergar feliz nele, se enxergar satisfeito. Todos os meus pequenos sonhos pareciam bons, mas quando eles ficavam maiores eu não me sentia mais a pessoa certa para eles, não me via lá na frente, via outras pessoas, outras Desirrês muito diferentes de mim, e essa Desirrê que escreve agora não se via feliz.
Pensar sobre o meu futuro era sempre um assunto delicado recoberto de milideias. Uma delas era vir para Reading ficar 5 meses morando com um dos meus melhores amigos. Tinham outras vinte mil, mas essa venceu. Por quê? Uma das razões foi meu medo de nunca sair do Brasil, eu tinha que provar para mim mesma que era capaz. Não me envergonho de dizer que tive muita ajuda e apoio, da minha família, da minha mãe, do Guilherme, da Cleo, mãe do Gui, dos meus amigos, do meu coordenador de curso. Mas se até o Frodo teve ajuda! E eu consegui, eu cheguei onde nunca pensei que chegaria, eu vi ao vivo igrejas e castelos que nem sabia que existiam, porque esses lugares não eram meu sonho, mas todos tocaram e aceleraram meu coração, pararam minha respiração e empurraram lágrimas de orgulho pelos meus olhos a fora. Ainda não tenho muitas ideias sobre o que são os meus sonhos, mas olhar para o futuro não é mais um assunto delicado. Me orgulho muito de ter tido coragem de sair do mundinho cômodo onde meus pés e mãos estavam atados para cair nesse mundão cheio de grandes possibilidades, plausíveis possibilidades. Às vezes tenho a sensação de que as pessoas competem até para ver quem tem os sonhos mais louváveis... Acho que a maior vitória de alguém que, como eu, não sabe nem a categoria em que está competindo é finalmente perceber que, se não está afim de competir, não precisa, porque eu sei que não quero competir, quero só viver e ser feliz. É genérico, mas não é pouco. Para mim isso basta.
Então mãe, fica sabendo, nunca pensei que Praga seria parte do itinerário de uma viagem de férias. Mas foi uma belíssima e inesperada escolha!
Abraços!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Trabalho novo de novo!

Muito bem! Vamos as novidades!
Desde maio eu estava trabalhando num lugar chamado Las Iguanas, restaurante de comida latina com tempero indiano, concordancia errada no portugues do cardápio e feijoada de mentirinha, parte do riverside do Oracle, o shopping center mais badalado da cidade. E que nem é lá grandes coisas. Depois de mais de mes procurando emprego já tinha perdido a esperança, nenhum lugar me procurava, ninguém retornava emails ou telefonemas. Aos poucos fui percebendo que estava entrando naquela fase em que voce torce para ter um incêndio, um desmoronamento, uma invasão alienígena, literalmente qualquer coisa só para que voce nao tenha que chegar nem perto do trabalho. Foi então que me ligaram do TGI Friday's para um trial shift, que depois de duas semanas de longa - longa - espera evoluiu para uma entrevista seguida de uma oferta de emprego. Nossa, foi muito feliz. E desde então estou trabalhando lá. Me divirto muito mais do que no antigo emprego, o uniforme é mais engraçadinho e os meus gerentes são bem mais competentes. Lá pelo menos nenhum deles se opõe a botar a mão na massa, o que faz crescer aquele respeito sempre meio incerto no que diz respeito aos chefes. Muito bem.
Com férias marcadas, deu aquele medinho na entrevista, eu tinha que avisar para eles, mas vai que eles não gostam da idéia e não me contratam! No fim das contas nem se incomodaram e semana que vem viajo para a Polônia! Tudo certo e planejado? Éééé... maaais ou meeenos, mas fica para outra madrugada que agora é hora de ir para cama =)

domingo, 7 de outubro de 2012

O membro que faltava na familia

Ae!!! Finalmente comprei um computador! Espero que, a partir de agora, as postagens voltem ao ritmo normal...
Tenho muitas coisas para contar, situacoes engracadas, novidades boas e outras médio, mas infelizmente aqui já sao quase 3 da manha e amanha só é domingo para os fregueses - para mim significa corre-corre no almoco e mais tarde uma torcida bem forte para que o restaurante fique quietinho e eu possa ir embora cedo hehehe.
Fica entao para outra hora!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Se você for roubado na inglaterra...


Vish, tem muita coisa pra contar, vocês já vão entender direitinho o título dessa postagem. Comecemos por segunda-feira de noite.
Na segunda passada fui na despedida de um amigo do boy num barzinho bem underground aqui em Reading. Encontramos vários conhecidos, inclusive o Gui e a namorada, pra quem ainda nao sabe, o Gui é um dos meus melhores amigos e é com quem estou morando desde que vim pra cá. Papo vai papo vem lá pelas tantas eles decidiram ir embora. Daí eu disse, "ah, deixa eu pegar minha bolsa e desço com voces" (o bar é num 2o. andar). Minha bolsa ficou a noite inteira em cima de uma mesinha com meu casaco por cima, foi eu piscar que ela sumiu. Daí pense o desespero da pessoa, carteira, documentos, meu galaxy S3! Revirei o bar, o Gui ficou para ajudar a procurar a bolsa, ninguém tinha visto nada, as câmeras estavam estragadas (aqui o sistema de monitoramento chama CCTV), a maioria das pessoas eram conhecidas umas das outras. Véi, foi a desgraça, adrenalina lá em cima quando me liguei de procurar nos banheiros. Forcei o cubículo direito, nada. Já no esquerdo tinha uma menina bem feliz fazendo seu xixizinho quando eu abri a porta para dar uma revistada no local. Não vi nada.
Depois de um tempo, sei lá quanto - eu estava tão nervosa que perdi a noção - acharam minha bolsa toda revirada no banheiro. Quem trouxe foi meu amigo, que já tinha procurado minhas coisas e notou que o celular e a carteira nao estavam ali. Nossa, daí sim fiquei louca da vida, puta da cara. O Gui desceu comigo e comecei a pensar mais claramente. Peraí, em que banheiro acharam minha bolsa? Feminino. Qual cubículo? Esquerdo. FILHADAPUUUUUUUUUUUUUUUUUUTA!!!!!!!
Na hora em que eu estava descrevendo a menina ela me desce a escada, meio torta das pernas. Meu amigo estava ligando para a polícia enquanto eu pedia para ela me deixar ver dentro da bolsa dela se não estavam minhas coisas, senão ela ia ter que esperar a polícia chegar, porque ela estava no cubículo onde acharam minhas coisas. A mina deu uma hesitada e me soltou a única frase que não devia, "se a polícia estiver vindo eu vou embora, porque não sei o que, blah blah..."Coitada dessa menina... Arranquei a bolsa dela e quando enfiei a mão, o que é que eu acho? e na frente de todo mundo? O que? O que? Minha carteira!!!
Perdi a compostura. Bom, o quanto eu xinguei essa inglesa não cabe nesse post. Berrei que botei essa menina surda, pedi meu celular, disse, "entrega meu celular que a gente não fala nada pra polícia"... E a mina querendo me convencer de que não sabia como a carteira tinha ido parar na bolsa dela - e sem o meu amado dinheirinho que, graças a deus, era pouco. Daí virei no diabo, lati tanto, mas tanto, mas tanto que não deu, joguei os óculos no chão, tirei a jaqueta e tava me aprontando pra arrancar a cabeça dessa piriguete quando meu boy me segurou e o Gui me chamou aa razão "fica calma que a polícia ta vindo, calma que aqui a polícia é muito educada e funciona, você vai ver".
Quem nasceu e cresceu no Brasil sabe que é mais fácil acreditar em papai noel do que acreditar que a polícia funciona. Pois aqui funciona. Veio falar comigo uma sargento muito gente boa que, bem calmamente, foi botando os pingos nos is. No final das contas a menina foi levada "presa" (a imbecil também tinha droga na bolsa, bem feito sua burra), já que teve testemunhas, mas nada do meu celular nem com ela nem com o amigo dela. Lá fui eu fazer b.o., passar a madrugada na delegacia. No meio do b.o., com a mesma sargento, um policial passa um radinho para ela, dizendo que pegaram um cara com 7 celulares e um deles bate a descrição do meu. Digitaram o código e sim, depois de uma hora do roubo, a polícia achou o meu celular. Botem fé...
No final das contas roubaram pouca coisa, um pouco de dinheiro, meu porta moeda brega que comprei num charity shop, fone de ouvido, um remédio e só, recuperei todo o resto. Se fosse no Brasil eu ia ligar e a polícia ia rir da minha cara. Ia rolar um b.o. e nunca mais, mas NUNCA MAIS ia ver nem sombra das minhas coisas. Nessas horas, sinto informar, mas não dá nem um pouco de saudades do Brasil...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Feliz aniversário pra minha mãããe!!!

Dia 27 fez cinco meses que estou aqui. Ontem era a data da volta e a essa hora eu estaria em casa comemorando o aniversário da minha mãe junto com ela. Portanto, hoje o post vai ser em homenagem a ela.
Primeira coisa, mais importante de todas... mãe, ô mãe, faz um café pra mim? Seu café é sempre nescafé, mas é com o carinho da mamãe, né? Que saudade boa que sinto de vez em quando de pegar uma comédia besta na locadora e assistir com você. Hoje que ta frio me lembrou de quando a gente se amontoa no sofá com os gatinhos e fica competindo pela manta com eles assistindo filme e tomando aquele café pelando. Tanta saudade que eu sinto de coisas simples e bobas, que a gente criou como rotina e que eu só percebi que era rotina quando meu dia-a-dia deixou a mãe no Brasil e veio pra cá viver uma realidade em geral muito solitária. É que eu tinha a mamãe pra me fazer companhia sempre que me sentia sozinha. A gente faz faculdade, trabalha, paga conta com um sorriso na cara com orgulho de dizer que virou independente, mas a mãe é sempre quem faz o bolo mais gostoso, quem tem a cama mais quentinha, quem escuta a gente contar coisa boa, mas mais frequentemente coisa ruim, que torce para as coisas darem certo mesmo que isso signifique que a filha única vai morar do outro lado do oceano sabe-se lá por quanto tempo. Minha mãe é uma lutadora e tanto. E tem um ouvido de ferro - que já tá até meio gasto, coitado, de tanto me ouvir reclamando, choramingando, rindo alto. Ela me apoiou a vida toda e ainda deixo uma procuração pra ela resolver meus pepinos enquanto eu passeio pela Europa. Que dó dessa minha mãe que só arruma pra cabeça com essa filha metida a besta. E mesmo assim ela se orgulha, diz que eu cresci, que virei adulta, que mudei pra melhor. Assim você me enche de culpa mãe! Já sei, vou fazer um netinho e te mando para você sentir menos saudade dos meus berreiros, que tal? Hahaha, brincadeirinha =)
Olha mãe, postei um presente que comprei quando fui pela segunda vez para Londres, demorei porque queria comprar mais coisa, mas acho que só vai rolar Londres de novo semana que vem ou na outra, daí não quis esperar mais. E pra matar um pouco a saudade comprei um eden pequenininho para mim, não é meu perfume favorito, mas é o seu cheirinho e é muito gostoso, me dá sono, sempre me lembra datas festivas, tipo minha formatura do ensino médio, o aniversário de 50 30 anos da mãe naquele restaurante lá onde judas perdeu as havaianas. E falando em havaianas, aqui é caaaaaro, mal sabem eles que havaiana no Brasil é chinelinho furrebinha que dá pra comprar até em farmácia. Ai esses ingleses...
Bom mãe, antes de perder mais ainda o fio da meada aqui, pra terminar, Feliz Aniversário. Fica sabendo que você faz muita falta, você inteira, com todas as coisas boas e as ruins, com seus bons e maus hábitos. Afinal, eu te amo muito, e mesmo não escolhendo minha mãe, se eu pudesse ter escolhido, ia querer essa mesma, cheia de defeitos sim, mas com qualidade pra perder as contas e com o coração do tamanho do universo! Quando vier me visitar não esquece da toalha!
Amo você e parabéns!
(PS: vai no Anarco comer com a vó e as tias e faz elas pagarem. Não esquece de não pagar os 10% que não é obrigatório e eles não recebem e de deixar a gorjeta em dinheiro pro garçom, ta? Beijo e tchau minha bolachinha!!!)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Só reexplicando a gagueira...

Desculpa pelo ultimo post. Eu estava relendo e nossa, ficou um lixo, todo confuso, mal escrito, pelamor, se era pra postar isso melhor era nao ter escrito nada...
Bom, para resumir o que eu tentei dizer da ultima vez, a questao para mim por hora é uma falta de encaixe em planos pré-formulados - já explico melhor - como se eu tivesse a sensacao de que certos sonhos, ou melhor, certas ideias que rondam a minha cabeca nao fossem de fato minhas. Faz sentido? Aquela coisa toda de ter o emprego dos seus sonhos, constituir família, ter casa, cachorro, marido - nao nessa ordem necessariamente - é muito legal, muito digna e muito respeitavel, e é bem plausável tambem, maaas quando tento imaginar meu futuro desse jeito, preto no branco, tudo programadinho e certinho, sei lá, me dá um vazio e percebo que nao é bem isso que eu quero.
Mas e o que eu quero? Toda essa história de sair do Brasil tem a sua razao. Mais do que vir para a inglaterra eu queria era sair da inércia em que eu estava e sempre soube que enquanto ficasse na preguica a vida ia passar e eu nao ia encontrar nenhuma resposta satisfatoria. Nisso eu acertei. Mas as respostas demoram mais tempo por um motivo muito simples: minha mania de querer fazer tudo ao mesmo tempo e minha mega falta de paciencia para esperar o que o tempo e a vida me reservam.
O que acho que quis dizer com todo o outro post que me soou muito mais perdido do que conclusivo quando o reli é que, independentemente da minha carreira, eu sei que quero estudar por satisfacao pessoal, ponto numero um que descobri com toda essa mudanca de país e de cultura, e sei que quero ver o mundo antes de constituir familia e de criar raízes mais profundas.
Pronto, já sei duas coisas sobre mim que nao sabia antes. Outra coisa que nao sabia é que dar aula nao é algo tao essencial na minha vida. Antes eu pensava que era a unica coisa que eu poderia gostar de fazer. Hoje já sei diferente. Sei que pode parecer que ao inves de me achar estou me perdendo mais ainda, mas a questao é que eu saí de uma bolha, que eu achava que essa bolha era a unica coisa que eu podia ter na vida e que aquelas eram as unicas pecas que eu tinha para jogar. A minha vida era muito confusa porque eu nao via nenhuma outra peca e as que eu tinha nao me proporcionavam ideias suficientes. E nesse ponto a inglaterra em si me deu muito mais opcoes do que eu imaginava. Um exemplo é o que eu disse da ultima vez, sobre nao se ter necessariamente que estudar para seguri certas carreiras. Sei que parece coisa de preguicoso, mas a verdade é que estudar algo que nao me interessa só para ter um emprego para mim é perda de tempo. Sou bem mais voltar para a universidade para mais alguma coisa inutil mas interessante do que para fazer engenharia, por exemplo. Mas isso só se tornou minha opiniao gracas a eu ter me mudado para cá.
E, para concluir por hoje, só tenho a dizer que seguir meus instintos foi o que me levou a essas decisoes e descobertas. Portanto minha unica sugestao é: fodam-se as convencoes, faca o que voce quiser fazer com a sua vida (só nao faca mal a ninguem, ok?), porque a vida é mesmo muito curta para se viver numa bolha. E se voce está feliz e satisfeito na sua bolha, entao nao saia, porque voce já tem o mais importante, que é o conforto de se saber feliz e satisfeito e, acho eu, é exatamente o que todos nós queremos.
Abracos e boa noite!

sábado, 18 de agosto de 2012

Professora ou garçonete...

Vamos as novidades. Todo mundo já ta sabendo que resolvi ficar mais um tempo por aqui, o que acho que poucos sabem é que nao tenho data para voltar. Literalmente. Descobri que nao posso mudar a data da passagem de novo e a volta estava marcada para 29 de agosto e É ÓBVIO que nao volto antes de janeiro. Ou seja, perdi a passagem. Nao tenho mais return ticket, ai que frio na barriguinha!!!
Bom, outra coisa que percebi é que nao to mais afim de voltar. Antes eu até pensava, nossa, que saudade, ai Brasil, voce é tudo de bom, vem cá meu nego. O negócio é que no Brasil, se eu voltar, vou seguir minha brilhante carreira como professora de ingles. E daí? Daí estudar até meu cu fazer bolha para conseguir um emprego legal e me encher de especializacoes para crescer e ganhar melhor e lálálá. Nao é que eu ache isso idiota - na verdade, acho um pouquinho - mas poxa vida, vou estudar pra ter um diploma sendo que já tenho um! Ta, ta, em letras, mas po, posso partir direto para um mestrado, mas nao é assim uma imagem de futuro tao wonderful... se rolar, sao dois longos anos provavelmente em Curitibacity para partir para um doutoradinho, possivelmente em outro país e depois é que vou poder fazer um concurso maneiro para trabalhar com que? dando aula numa universidade x e ganhar dinheiro e ter familia e viajar o mundo. Nessa ordem. Ai que porre só de imaginar... E, aaaai, nao to afim de estudar por tanto tempo só pra vender a alma pra uma dessas empresas. To afim de estudar porque eu gosto e fim de papo. Nao porque vou ganhar bem e ter um emprego na Enslave-yourself Company e trabalhar até minha dignidade virar pate obedecendo e convivendo com um bando de otario que tem menos cultura do que eu. Nao, me recuso.
E isso que é um dos pontos positivos da inglaterra. Voce nao precisa enfiar um diploma guela a baixo do seu patrao para ele achar que vc é competente e pode/ deve ser promovido. Pouco a pouco, se vc quiser e se nao for um completo imbecil, vc consegue crescer numa empresa. Daí o leitor pensa, nossa, que salto na carreira hein, trabalhar em restaurante, melhor era ser professora de ingles. A é? Acha! Nas escolas de ingles tem o mesmo tipo de povo que trabalha nos restaurantes daqui, estudantes universitários fazendo bico, gente que trabalha meio período só enquanto nao consegue trabalho na área que quer, gente que nao é bom em nada e a unica skill que tem é saber falar ingles (nem tao bem as vezes...), gente que só quer guardar um dinheirinho e depois vazar, e por aí vai. Tem gente boa e interessada tambem, mas véi, na boa, é dificil achar... É por isso que nem sinto tanta saudade de dar aula assim. E tem mais... tem a parte que envolve relacionamento interpessoal, que é bem mais fácil. Se o customer reclama, vc chama o gerente que ele lida com isso. Se o customer é gente boa, as vezes até rolam umas risadas, um bate-papo e ainda surpresa! uma gorjeta na hora da conta. Se o aluno reclama ou é legal ou tem problemas em casa ou nao faz licao, nao interessa, é sempre vc que lida com isso. Nao é que isso seja ruim, mas eu sempre acabava levando muito a serio e isso uma hora pesa na sua cabeca. Sem falar que vc ganha mal. O coordenador até lida com um problema ou outro, mas no final é sempre na sua sala que o aluno vai soltar os cachorros ou as piadas e é voce que tem que aguentar ou rir. Claro que recompensa e dá um calor no coracao ver seus alunos aprendendo e enjoying sua aula, mas nem sempre é assim e é mais fácil cagar e andar no restaurante para os clientes malas do que para os alunos malas, afinal, é dificil o aluno ser mala sempre e vc acaba sabendo os motivos e quer ajudar e ai, viu?, já virou uma bola de neve...
Por fim, é isso, outro dia conto da staff party, agora é hora de dormir que amanha trabalho que nem uma camela =)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Seres humanos

Umas duas-tres semanas atrás comecou a trabalhar lá no restaurante uma polonesinha muito querida, a Marlena. Como daqui a pouco vou viajar, só vou contar rapidinho uma coisa da qual dei muita risada outro dia. Estavamos eu e o Bruno (um dos brasileiros) fechando o restaurante e ela terminava as 23h e resolveu ficar um pouco conversando comigo. E nesse bate-papo de estrangeiros eu estava esperando que surgissem alguns dos assuntos de sempre, tipo solidao, saudade da familia, dos amigos, de casa, diferencas culturais, etc. Para minha surpresa (boa surpresa, que fique claro!) falamos sobre um assunto muito mais feminino e global: homens. Por uma meia hora fiquei tentando explicar para ela uma dessas coisas que a gente demora uma vida para entender, mas que depois que entende facilita a propria vida pra sempre. Tipo que nem todo homem vai se interessar pela gente, que se o cara nao te quer nao quer dizer que ele nao te merece, que ele é um idiota, que nao presta, mas só que nao quer e pronto. O final da conversa foi brilhante, ela disse pra mim "mas se eu sou tao bonita quanto me falam, porque eu to sozinha? to cansada de ser o homem na relacao, acho que vou ficar sozinha pra sempre!" Detalhe, ela tem 21 anos.
Antes de ela ir embora ainda trocamos mais umas figurinhas e no final fiquei eu rindo sozinha, afinal nao importa em qual parte do mundo estamos, a nacionalidade que temos, a língua que falamos, os dilemas sao muito parecidos e, no final, a conclusao é sempre a mesma - somos todos seres humanos.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Pertencimento

Da última vez comentei no finalzinho sobre uma sensação de pertencimento que senti na volta da praia para Reading. Hoje tive mais uma sensação dessas, mas de um jeito diferente. Como todos que acompanham o blog sabem, aqui na inglaterra eu sou garçonete num restaurante de comida latina. É um lugar bem tranquilo, nada chique, com cara de restaurante do cenário da Malhação - ainda passa Malhação? - onde senta aluno, professor, diretor, pais, e todo mundo toma uma bera junto bem de mentirinha. Por ser assim, lá é o tipo de lugar que, dependendo do cliente, você até senta na cadeira na mesa dos caras para anotar o pedido. Sendo assim é comum rolar uma empatia legal com os clientes. Isso aconteceu comigo ontem, atendi uma mesa com uma moça húngara e a filhinha dela inglesa, a menina a coisa mais querida e a moça muito relax, gente fina e educada. Aí hoje criei vergonha na cara e fui correr no parque, coisa que faz mais de mês que não dá tempo de fazer, e com quem dou de cara andando de roller? com a dona húngara. Acompanhei-a um pedaço e ela me contou um pouco da sua história, de quem veio para cá 16 anos atrás para passar um ano, se apaixonou, voltou para a Hungria e depois nao quis saber mais e voltou para a inglaterra para viver com o cara - que é seu marido até hoje. No final nos despedimos e deu aquela sensação de viver numa cidade muito pequenininha ou numa vila muito grande, aquela sensação de que acabamos sempre esbarrando em gente que conhecemos de algum lugar. E é uma sensação muito legal, afinal, amanhã vai fazer quatro meses que estou aqui (sim, 4, já ^^) e é bom ver que o rio ta correndo num ritmo natural e nao meio atolado e cheio de impedimentos.
Claro que percalços sempre existirão e não acho justo reclamar deles, porque sem eles a vida seria com certeza muito sem gosto, pelo menos para mim, se fosse sempre tudo igualzinho sem nenhum evento inesperado. Estando longe as vezes me pego desejando que, fora desse meu mundinho que estou construindo e decorando por aqui, as coisas fossem estáticas. Que a vida lá do outro lado do mundo parasse e congelasse e quando eu voltasse estivesse tudo no mesmo lugar. É como parar o livro na metade e voltar a ler sabendo que ainda nada aconteceu, e que só vai acontecer depois que voce voltar para onde parou e der continuidade a leitura. Parece egoísmo, mas na verdade é um medo que surgiu para mim com a constatação do tempo e da distância, constatação essa que vem se formulando conforme reconheço e sou reconhecida por pessoas na rua, passeio com colegas de trabalho, almoço num restaurante e converso com os garçons porque são todos "amigos", vou sempre a mesma loja comprar com a mesma vendedora. Essas pequenas coisas são as que constroem esse dia-a-dia do meu mundo particular, que me insere nesse mundo de Reading, da inglaterra, da europa, do fato de que estou em outro continente e de que quase tudo o que sempre fez parte do meu mundo está lá longe, cada qual vivendo seu mundo particular e todo esse meu mundo se separando (detaching era a palavra que eu queria) do que era e se reorganizando, se transformando numa coisa nova, numa mistureba (generalizada de todas as coisas), num novo universo.
E tudo graças a detalhes tão pequenos e de uma sensação inesperada de pertencimento no meu dia de folga. Dá-lhe!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Bognor Regis

Anteontem fui para a praia! Ai que delícia!!! Fazia muito tempo que eu nao via o mar...
A ideia surgiu semana passada, quando parei para pensar que logo logo o tempo pode começar a piorar, porque aqui é sempre um mistério, e daí ir para a praia seria mais para turismo do que para ver o mar e o lugar em si. Combinei com um amigo de que assim que tivéssemos dia de folga juntos iríamos nessa praia que ele descobriu ao acaso uns meses atrás. Claro que eu devia imaginar que, sendo meu amigo polones, devia ter algum atrativo especial pra ele por lá.
Pouco depois de Portsmouth, mais a frente, fica Bogno Regis, uma praia de pedrinhas, cheia de gaivota, fria, mas muito muito linda. Quem viu as fotos no facebook que confirme. O céu estava azul clarinho, a água do mar geladinha e o vento forte, tudo com cara de praia de inverno, ou pelo menos de um lugar longe do país tropical de onde venho. Muito gostoso andar pela orla e atravessar as pedrinhas para molhar os pés, deu muito uma alegria de viver! E depois andar pela cidade, ver aquela gente tranquila, típicos moradores de praia, comer num restaurante polones e se empanturrar de uma comida muito saborosa e diferente, depois dar aquela caminhada pós janta andando devagar porque não tem nem condição de se mexer muito rápido, ir até a ponta do píer, se despedir do mar e voltar pra casa.
Ai que passeio mais gostoso!!! Cheio de curiosidades, do tipo que a cidade tem tanto polones que as ofertas nos mercados estão em inglês de um lado e do outro traduzidas para o polonês. Dois menus no restaurante, sendo que o que está em ingles é para os raros não falantes de polonês que vão comer lá - tipo eu assim. A mesa do lado era uma família russa e inglesa. O restaurante é pequeno, bem ajeitado, com cara de restaurante de máfia, e ainda ouvindo polonês de um lado e russo do outro me senti num filme do Martin Scorcese!
Taí uma coisa muito sem cara de turismo e muito com cara de farofeiro que valeu a pena fazer e que não esperava fazer aqui. Recomendo. Deu até uma sensação de pertencimento na volta pra Reading (me senti momentaneamente voltando de São Chico pra Curitiba). Espero que isso seja um bom sinal =)

terça-feira, 10 de julho de 2012

better someone than no one at all

Paramos na reflexao sobre pertencer a uma determinada engrenagem, certo? Bem, antes de entrar nesse assunto quero fazer um "a parte". Alguem viu aquele filme, Na Natureza Selvagem (Into the Wild, no original)? No finalzinho o menino faz uma observacao muito legal, sobre se ser feliz quando se está com quem se ama. Ou seja, nem sempre a felicidade está em conhecer o mundo sozinho, mas talvez ficar a vida toda no mesmo sítio criando porco com a sua família te de muito mais alegria. Ou nao. E como voce vai saber? Tudo depende das escolhas que voce faz. É claro que podemos mudar de ideia, a vida serve para isso né, ora bolas, para voce redescobrir o mundo e a si próprio sempre que estiver disposto a tanto.
Era aqui que eu queria chegar. Eu vim pra cá porque estava disposta a conhecer partes de mim que me eram invisíveis na zona sudoeste de conforto da minha (nem sempre) adorada Curitibacity. Sejamos honestos, eu precisava conhecer esses meus outros lados, foi um dia uma vontade, virou obsessao. Mas, de fato, me dispus a me arrancar daquele pedacinho de mundo e voar pela KLM (nao facam isso com o corpinho de voces, nunca voem pela KLM) para um outro pedacinho de mundo. E muito mudou em mim gracas a isso. Saí de Curitiba me sentindo uma menininha e hoje me sinto, gracas a esses choques todos pelos quais vivo passando, uma mulher adulta, capaz de caminhar com as próprias pernas, de planejar seu futuro, de viver dando o melhor de si. Parece um puta clichezasso, mas com isso eu aprendi a me respeitar muito mais.
E tudo porque decidi sair de uma engrenagem e me inserir em outra. E apesar de ter entrado em um sistema que parece desconsiderar a beleza e o milagre da existencia dos indivíduos enquanto seres humanos e que parece preferir tratá-los como insetos, escravos, receptáculos sem sentimentos, foi gracas a esse sistema que EU aprendi a dar valor ao ser humano. Foi ao ver o que um sistema bem organizado e civilizado pode fazer por e com uma pessoa que os pequenos grupos chamaram minha atencao. Sao os estrangeiros que sustentam o reino unido, sao eles que estao sempre dispostos a trabalhar horas ridículas (tipo 60h, 70h/ semana - coisa comum entre polacos e brasileiros, por exemplo), sendo tratados, nao raramente, como servos por asiáticos que acham que estao no oriente médio e que também ajudam a sustentar esse lugar. E mesmo dentro dessa bola de neve essas pessoas ainda conseguem se manter unidas. É por isso que escolhi continuar sendo garçonete. No restaurante tenho oportunidade de ver tantas diferenças culturais, de conversar com ingleses que acham um absurdo eu ter vindo para cá ao invés de ficar no Brasil que "deve ser um lugar lindo", de praticar meu espanhol quando aparece um hermano latino, vish, tem tanta coisa boa no meio da pressão e do porre que é um restaurante lotado com lista de espera e tudo, que vale a pena sim.
Foi isso, e o que escrevi no ultimo post, que me levaram a concluir que é melhor ter companhia nas minhas viagens (fisica e metaforicamente falando) por esse mundão de meu deus do que tocar uma carreira solo. Nao é minha prioridade numero UM agora, mas é a dois e meio, com certeza. E esse (re)conhecimento fez de mim uma pessoa muito menos racista, de maneira geral - quem me conhece sabe que sou bem racista em termos de nacionalidades, nao de cor. Enfim, tem gente que precisa morrer num onibus no Alaska pra entender a importancia do "calor" humano (sem piadinha), tem gente que nao considera isso importante at all... acho que to no lucro então, porque só precisei mudar de continente e fazer parte de um sistema diferente por 3 meses para concluir o que disse no último post, que as vezes é melhor não tão bem acompanhado do que sozinho... Mas melhor ainda com seus amigos por perto. Tomara que um dia eu possa ter isso aqui.

domingo, 8 de julho de 2012

Como funciona a solidao

Calma gente, nao vai ser um post triste.
Cheguei na inglaterra pensando que ia ser muito facil ficar sozinha porque nao ia ser por muito tempo, que nao ia demorar pra conhecer gente, fazer amigos (daqueles de ir pro boteco), etc. Pois é. Huge mistake. Foi dificil, é dificil, ainda está sendo... Mas as coisas estao comecando a evoluir.
Eu trabalho no Oracle, que é basicamente um shopping center que fecha cedo com um rio passando no meio cheio de restaurantes em volta. Cheio. Nem vou tentar nomear todos. O que acontece é que as pessoas que trabalham nesses restaurantes as vezes pulam de um para outro e acabam se esbarrando e se conhecendo. Como é uma cidade pequena e o pessoal sai muito de noite aqui (aqui no ambito UK), as pessoas acabam sempre indo nos mesmos lugares, que sao os que estao disponiveis, e como já trabalham meio juntas vira tudo uma big (not always) happy family. Todo mundo fica sabendo da vida de todo mundo, quem saiu da onde e foi pra onde, quem foi demitido e por que, quem terminou com quem e está namorando quem, quem fez merda, quem ta apavorando, e por aí vai.
Critiquei muito o Guilherme por sair com gente nada a ver e preferir isso do que ficar sozinho. Aquela historia do "antes só do que mal acompanhado" nao é tao simples como parece. Pensa que esse povo do Oracle, dos restaurantes, sao a maioria gente que vai ficar nisso meio que a vida toda. Um dia vai subir do cargo de garcon para supervisor, daí para assistente de gerente, quem sabe um dia para sub-gerente e olha, se tiver muita sorte, ou se se deixar escravizar, ou se for ingles - que daí é muito mais fácil - voce vira gerente geral. Nossa, deu até um nó no cérebro de traduzir tudo isso para o portugues. Enfim, e se voce virar gerente geral, ainda vai viver com o area manager (esse nao deu) cagando na sua cabeca e fazendo da sua vida um inferno. Infelizmente é meio por aí mesmo, o que me leva a triste conclusao de que os ingleses nao sao muito criativos, nao gostam muito de novidades e que aqui as coisas todas tem um só jeito de ser e esse jeito tem de ser levado ao pé da letra. Isso te coloca inserido num sistema que pode te substituir a qualquer momento, afinal voce é só mais uma peca igual a todas as outras - quebrou? troca.
Entao essas pessoas, sem ofensa, em geral medíocres, acabam se fazendo companhia. Porque afinal, se voce já tá na merda, é melhor acompanhado do que sozinho. E é isso que complica a minha cabecinha cheia de imaginacao e de sonhos. Nao sou nem me sinto uma dessas pessoas, porque primeiro, nao pretendo nem quero ficar aqui por tempo demais, segundo, nao vou me dobrar a um sistema a menos que ele me ofereca vantagens a curto e longo prazo (a longo prazo, ao meu ver, é só depre...). Concordo que, por hora, prefiro ter nao-muito-aconselháveis companhias do que ninguem. Mas pensar nisso num futuro, nossa, dá uma tristeza, é tanta mediocridade e infantilidade, parece um ensino médio revival, só que com muitos vícios (alcool, cigarro, drogas, jogo) porque sao a única fuga. Nem digo que sou contra voce usar esses vícios para se divertir de um jeito diferente de vez em quando. Mas aqui as pessoas se acabam nisso. E é uma máquina, nao pára e nem pode parar. A vida comeca de um jeito, segue um padrao e acaba do mesmo jeito para todo mundo. Me lembra muito o Admirável Mundo Novo do Huxley. De uma forma tosca e geral é isso o que eu sinto, é um nao-pertencimento que as vezes me dói e outras me orgulha. Pra que fazer parte de uma engrenagem que vai te amassar no final?
Acontece que nao estamos sozinhos no mundo e vamos sempre acabar fazendo parte de uma ou outra engrenagem. Mas isso é uma reflexao que deixo para continuar outro dia porque ainda tenho muito para por em ordem antes de dormir. E amanha vai ser mais um longo dia de escravidao trabalho.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Fui para Oxford!

Aeeeeeee! Nem acreditei! Mas quem presta atenção no meu facebook ficou sabendo já no dia seguinte que eu consegui visitar Oxford! Foi muito legal e muito emocionante. Em primeiro lugar me atrasei e cheguei na estação de Reading mais tarde do que pretendia. Mas beleza, fui para a plataforma certa, sem correr, bem tranquilinha e fiquei esperando meu trem. Aí ouço o anúncio... o trem para Oxford vai descer na plataforma da frente. Lá vou eu correndo escada acima e escada a baixo pegar o trem do outro lado, sem nenhum outro aviso, com um monte de gente me perguntando "é esse que vai para Oxford?" e naquele nervoso de ter pego o trem errado. Mas não. Tudo certo. Desci na estação de Oxford quase sem acreditar. Andei um pouco e fui seguindo na direção de um ônibus turístico muito feio, mas que me foi muito útil. Você paga uma vez e pode pegar esse onibus quantas vezes quiser no dia e ainda ganha desconto nas atrações e em alguns restaurantes (motivo que me levou a comer no Bella Italia de noite antes de voltar para casa).
Visitei Christ Church, como todos souberam pelas fotos que postei no fb, conheci o salão no qual os caras (sei lá que caras especificamente) se inspiraram para criar o salão do filme do Harry Potter. Conheci a Christ Church Cathedral, um lugar de tirar o fôlego, com vitrais coloridos, alegres - o minister até me deixou tirar foto do altar de perto para eu postar para a minha vó querida ver *-* Conheci também a Bodleian Library, que fechou historicamente por três dias e três noites para a filmagem das cenas na biblioteca no Harry Potter levando os alunos a ataques fulminates de fúria. Vi mais alguns lugares muito bonitos - protegida pelo teto do ônibus de turismo depois de pegar muita chuva - mas foi o que deu, infelizmente não foi muito, mas me deixou bem feliz. Ainda consegui arranjar um tempinho para enviar uns postais e um presente pra vó, acho que ela deve receber essa semana.
Hoje estou de folga, amanhã também, mas essa semana não vou passear. Vou aproveitar para descansar, cozinhar, ver filme, escrever um pouco mais, amanhã vai ser o dia da preguiça. Ontem foi a final da euro, assisti o final do jogo, mas achei meio sem graça, a espanha sempre joga do mesmo jeito, nem tem muito porque assistir. Essa semana comecei a me perguntar sobre as coisas que me levaram a me mudar para cá (sim, me mudei temporariamente, ora bolas, não volto mais em agosto, a previsão está para o princípio em dezembro, mas ainda veremos...) e isso gerou umas reflexões muito legais que vou tentar postar nos próximos dias. Uma dessas reflexões incluiu a decisão de postar de dois em dois dias, para testar se eu consigo lidar com prazos e se consigo escrever apesar do cansaço, do pouco tempo, da falta de vontade, da preguiça. Mas tem muito mais coisa para comentar. Vamos ver se consigo a primeira meta, se conseguir meus leitores vão ter bem mais para ler nos próximos dias.
Por hoje é só. Boa noite e até quarta.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Das últimas semanas

Caraaamba! Faz tempo que nao escrevo!
Um dos grandes culpados por isso é meu difícil relacionamento com meu celular novo. Nunca sei se é ele que é bom demais pra mim, e inteligente demais, complicado demais, lindo demais, ou se sou eu que, por ter andado pelas eras primitivas da tecnologia enquanto tudo ia evoluindo devagarinho, agora vou ter que me virar nos trinta com o bichinho virtual mais elaborado que já vi. Pelo menos já sei tirar e postar foto, achar meus contatos, usar a internet, mandar mensagem e colocar despertador! Só faltam as coisas legais agora... Mas vao ter que esperar, porque se nao vou perder meus dias de folga tentando mexer nessa coisa e sei o chororo que vai resultar se eu passar os dois dias mofando em casa.
Sim! To de folga! Lalalalalalala! Hoje e amanha!!! E to aqui tentando decidir o que vou fazer, mas sei que se ficar naquela de "depois eu penso nisso, agora vou ver um filme" vou acabar vendo tres e ficando em casa grudada na cama.
De resto as coisas vao bem. Semana passada saí (finalmeeente!) com o Gui e com a namorada dele, foi beeem divertido. O lugar onde fomos, o Purple Turtle, lembra um pouco o Blood de Curitiba, com parte de fora e com dois espacos internos sendo um deles um porao. Achei que ia ficar de vela, mas encontramos mais gente e deu aquela sensacao de pertencimento, de conhecer gente, de que... de que se eu saísse sozinha nao ia ficar papeando com o copo por muito tempo. Claro que existem diferentes níveis de pertencimento. Esse foi tipo um nível 1, equivalente a encontrar conhecidos na balada na sua home town, basicamente o que fiz aqui. O nível 2 seria, acho, ter bons amigos para visitar e ir pro barzinho, esse é minha próxima meta.
Mudando de assunto, estou trabalhando bastante e nao tem previsao de dimiuir minhas horas, porque eles nao conseguem de jeito nenhum achar alguem que queria ficar e trabalhar de verdade. E por que? Porque só tentam contratar ingles! Semana passada uma menina fez 3 horas de treinamento, sentadinha, nem teve que fazer nada de verdade, e no intervalo ela enviou um email avisando que nao ia mais! Isso que já tinha assinado contrato e tudo! Aí nao dá né? Depois os ingleses reclamam dos estrangeiros, mas os unicos interessados em trabalhar nao tem sangue ingles! Essa semana comecam duas meninas, vamos ver se alguma fica.
Outra coisa que achei interessante comentar é do futebol. A euro mobiliza geral aqui. Ontem teve Inglaterra x Itália e o restaurante estava mooooooooorto, nunca fechamos tao cedo e isso que ainda teve uma extra cleaning list... Mas os jogos continuam e mesmo nao tendo mais inglaterra para torcer eles vao continuar mobilizando e o povo vai continuar enchendo os pubs.
Nao tenho mais nenhuma grande novidade, já que o que mais tenho feito é trabalhar. Mas nao encarem como reclamacao, é bom ter trabalho, ocupa a cabeca, vou construindo uma rotina e me divirto por lá. Por exemplo, direto quando estou fechando vejo o Gui e o Marco fechando o Strada também, ou as vezes senta na parte de fora do Las Iguanas (o nome do lugar onde eu trabalho) um conhecido, ou chega um casal que vem comer lá toda a semana e já chamo pelo nome. Nao é grande coisa, tem que engolir muuuuito sapo, mas é de boa. Fora alguns probleminhas de confianca, meus colegas sao divertidos também, todo mundo se zoa mas também se respeita, e se nao se respeita leva uma grosseria na cara mesmo porque lá ninguem manda recado e manda se foder mesmo. Mas nao nego que depois que a supervisora (polaca) saiu ficou um ambiente mais tranquilo, e essa semana que a outra polaca saiu de ferias nossa, ta muito mais leve o ambiente. Nao sei explicar, mas tenho a sensacao de que quando a gerente polaca sair de férias o ambiente vai ficar mais susse ainda. Sei que é meio tenso dizer essas coisas porque soa racista, mas tenho a impressao de que essa polacada leva as coisas muito a serio. Vai saber...
Ah! Baixou minha taxa! Eu estava pagando 25% do meu salário pro governo, agora foi para 15%! Nossa, parece pouco, mas fez muita diferenca. Foi muito legal quando chequei minha conta e vi que tinha bem mais do que o esperado! É que no comeco a pessoa paga uma taxa de emergencia, deve ter a ver com o primeiro emprego, como se voce pagasse extra para garantir um seguro com o governo. O que, convenhamos, tem bem cara de lógica inglesa, coisa de quem é controlfreak. Enfim, vou pesquisar um dia desses se eventualmente essa taxa pode baixar mais ainda ou se vou ter que me contentar com o governo mordendo 15% do meu suado dinheirinho toda a semana...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Amenidades

Finalmente a mágica de se falar em ingles, ouvir em ingles, pensar em ingles, ler em ingles, pedir informação em ingles, basicamente fazer tudo em ingles toda a hora, está fazendo efeito.
Voltei para casa depois do trabalho hoje e deu uma saudade de ouvir um hard rock das antiga que escutava nos meus tempos juvenis de largo da ordem. Lá fui eu ouvir Tesla - é, o nome da banda é esse mesmo, e sim, vc já ouviu essa palavra antes, na escola, lembra? é uma unidade de medida se nao me engano, só nao me peçam para especificar mais, porque a memória nao permite. Enfim, e enquanto ouvia fui lendo coisas inúteis no facebook e nao é que, mesmo sem prestar muita atenção, fui entendendo com muito mais facilidade? Porra! Foi lindo!
Próximo assunto.
Talvez essa semana eu finalmente tenha dois dias de folga, o que significa um dia pelo menos para turismo! OXFORD, DESSA VEZ VC NAO ME ESCAPA! (Só se chover muito...) Ultimamente to incluindo Bath, Bristol e Liverpool nos meus planos, claro que com o detalhe de que Liverpool é meio longinho e que valeria mais a pena passar uns dias e aproveitar para conhecer Manchester. Bristol e Bath são do ladinho. Quem sabe se amanhã eu acordar inspirada - e cedo - vou na louca e passo a noite numa das duas cidades. Po... podia né? Seria a primeira coisa que eu faria, em termos turísticos, que seria beeeem a minha cara!
Próximo!
Tenho mais coisa para falar sobre o trabalho. Coisas que percebi no comportamento dos ingleses, dos brasileiros que trabalham comigo, questões de confiança também. Muita coisa que nao achei que fosse verdade e que no final decepcionou por ser. Uma coisa que digo, ainda nao tenho amigos aqui em quem eu possa de fato confiar, fora o guilherme. Gosto muito da minha amiga polaca, mas tem um abismo cultural que nos separa, um abismo que as vezes parece intransponível, que as vezes... nao dá nem vontade de tentar cruzar...
Próximo e último!
Nunca entrem na cozinha do restaurante onde voces gostam de comer se quiserem continuar gostando de comer lá huahuahua! Verdade! Chega! Abraços aos persistentes, essa semana devo escrever mais!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Diamond jubilee

The Queen's Diamond Jubilee, também conhecido como o feriado para comemorar os 60 anos de reinado da rainha da Inglaterra, me lembrou daquele livro do Alan Bennett, The Uncommon Reader, livro que ainda não li, mas sempre tive vontade. Ora bolas, agora que estou na inglaterra nada mais justo do que lê-lo de uma vez por todas! Para quem não sabe do que se trata:
http://queromoraremumalivraria.blogspot.co.uk/2010/05/uma-real-leitora-alan-bennett.html
Bom, para mim o feriado só foi bom porque deu busy no restaurante e trabalhei bastante, apesar de ter tirado ontem de folga. Amanhã a vida volta ao seu estado normal. O tempo continua frio e úmido, mas até que bom em termos de temperatura.
Ontem comprei vários chocolates que nunca tinha visto na vida. Provei alguns, mas ainda dou graças a deus por ter kinder bueno original e branco em alguns mercados daqui, se não não sei o que seria da minha vida, porque não tem laka, nem diamante negro, nem bis, nem ouro branco...
Outra coisa que acabei de me tocar é que não vi padaria aqui, exceto por uma no centro, no meu caminho pro trabalho, mas que é a cara de uma lojinha da pullman que vi lá em Bauru... bom, todo caso acabei de falar com a namorada de um amigo que é inglesa e ela confirmou que, de fato, essas padarias onde vc entra, compra seu paozinho, pode até sentar e tomar um café, comer um folhado, um brigadeirão ou tomar café da manhã, essas padarias não são comuns aqui, principalmente em cidades um pouco maiores, que é o caso de Reading.
Enfim, um pouco de cultura inútil para vocês =)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

NINO

Nao tenho tido muito tempo e o pouco tempo que tenho uso para outras coisas, entao nem vou pedir desculpas por nao ter escrito, porque nao sinto muito e nao quero ser mentirosa.
No entanto hoje lembrei de uma coisa que nao acho que falei aqui no blog, é sobre o National Insurance Number, ou NINO. Basicamente é uma das primeiras coisas que voce tem que ter aqui. Digamos que voce chega e acha um emprego, voce só pode ser propriamente contratado depois de ter seu NINO. Para conseguir isso voce precisa ligar num job center e marcar uma hora; eles vao te perguntar se voce quer que eles enviem uma carta para sua residencia como prova de que voce de fato mora lá, voce diz que sim, afinal é prova suficiente para eles de que vc tem endereco fixo no Reino Unido. Daí voce precisa estar lá na hora e levar (1) comprovante de endereco (cartinha do job center), (2) visto de trabalho/ passaporte europeu/ algo que comprove que vc está legalmente aqui e pode trabalhar e (3) cartinha do trabalho dizendo que vc vai ser empregado por eles.
Eles emitem um numero que, se bem me lembro, sai na hora e te avisam que vai demorar um tempo para enviarem o cartao com o NINO. O meu ainda nao chegou e minha entrevista foi dia 13 de Abril, pega a demora... Esse numero vai ser usado para sua contratacao, o governo vai usar esse numero para arrancar uns bons 20% do seu salario toda a vez que vc receber. Mas tudo bem, porque vc pode pedir essa grana de volta quando resolver voltar para seu país de origem.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Caridade!

As histórias boas começaram domingo.
Estava eu bem feliz trabalhando quando chega um grupo de menininhas com um casal quarenta e vão todos para o fundo do restaurante fazer um tipo de festinha. Quando fui levar os pratos reparei que cada uma das menininhas parecia ser de uma nacionalidade diferente, e todas estavam vestindo camisetinhas do restaurante onde trabalho. Não entendi direito o que estava acontecendo, mas na minha cabeça aquilo ali era um tipo de caridade. Sei lá po, casal mó tiozao, bem arrumados, as menininhas, ao contrario, todas vestidas iguais, com cara meio mulambentinha, nenhuma parecia filha deles, fazia todo sentido! Caridade, claro! Aqui altas pessoas fazem caridade! Fui bem inocente perguntar para a brasileira que trabalha comigo, só para confirmar né, e ela começou a dar risada e nao parava mais. Daí ela me explicou que aqui as festas de aniversário de criança não são como no Brasil, onde todo mundo se reúne na casa da aniversariante ou num salão próprio para festinhas infantis e os pais fazem/ compram docinhos, salgadinhos, tem cama elástica, brinquedos e todos os pais vem ficar junto com os filhos e socializar com os outros pais, etc etc. Aqui um casal de pais se habilita para levar a pirralhadinha num restaurante e depois o restante dos pais vem buscar seus respectivos filhos. Sem docinho. Nem salgadinho. Nem cama elástica. Sem piscina de bolinha! Ai que triste!
Daí segunda finalmente chegou o verao! EeeeeeeeeeEeeee! Tive folga!, maaaaaas teve reunião de manha e de noite teve girls night out com as meninas do trabalho, então não foi beeeem uma foooolga. Foi divertido até, mas depois de meia pizza e dois terços de uma garrafa de Merlot (é isso mesmo que vc ta lendo pai, acredite se quiser hahaha, nem eu esperava que um dia fosse tomar vinho) só queria voltar pra casa dormir. Até porque mal conheço todas elas e chega uma hora que nao tem mais papo pra improvisar! Lembrem-se de que não estou num ambiente cult-zinho, nao rolam papos muito culturais e as futilidades sao ou extremamente fúteis ou não fazem parte do meu cotidiano (choque cultural de novo)!
Enfim, hoje foi folga mesmo e de novo o tempo estava fantástico! 25 graus, sol, sem nuvens! Fui correr no parque, estava cheio para um dia de semana, e era gente deitada na grama sem camisa, de cueca, de shortinho para tudo que era lado. Me senti em casa vendo aquela branquelada tostar a carcaça no sol!
Como nesses 58 dias de inglaterra já tive um resfriado, uma gripe forte, e uma dor de estomago que me tirou da cama as 3 da manha e só me deixou dormir de novo as 4, aproveitei meu dia de folga e de tarde fui no GP, também finalmente. GP (general practitioner) aqui é como eles chamam os postinhos de saúde. É bem bom que quando a pessoa chegue aqui, assim que tiver comprovante de endereço, ela vá até o GP mais próximo da casa dela se registrar. Para isso precisa um comprovante de identificaçao (passaporte basta, mas se for o brasileiro acho que tem levar um comprovante de que se está legalmente vivendo aqui) e de residencia (já tenho um do banco, bem lindo, la la la la!) e preencher umas informaçoes sobre voce, nada que não fosse esperado! Foi bem fácil e agora sempre que precisar posso marcar uma consulta lá - tem que ser no mesmo onde vc se registrou. Antes de ir embora ainda comprei o Wuthering Heights por 50p (50 centavos de libra *.*) para caridade!
Viva a caridade!

domingo, 20 de maio de 2012

Tax codes, P45 e P46, como prometido

Sobre o que fiquei devendo achei um site muito interessante que explica algumas coisas: http://www.hmrc.gov.uk/incometax/starting-work.htm
Se tem uma coisa que me chamou muito a atenção no pouco que vi da inglaterra é que aqui nao tem tanta desigualdade social como no Brasil, aqui a diferença entre os salários não é tão grande e se for para o cara ser rico ele vai ter que ser pooooodre de rico, porque mais ou menos não rola. E vejam vocês que as taxas pagas ao governo aumentam conforme aumenta o salário do neguinho, ou seja, ser lá meio rico não compensa, até porque aqui "jeitinho brasileiro" é um tanto arriscado. Mas apesar de algumas coisas parecerem boas, tem outras que pra mim são inexplicáveis, do tipo o governo não incentivar as pessoas a terem dois empregos, porque elas teriam que pagar uma taxa bem alta (40% do salário, é mole?). Enfim, vai entender!
Então, para mim funciona assim, já que eu saí de um emprego eles deveriam ter me dado um P45, que é um formulário que se preenche para quando vc entrar no emprego novo facilitar a sua vida e a do empregador, já que é por meio desse formulário que o cara vai saber em que tax code te colocar. Mas como não me deram, agora que entrei no emprego novo precisei pedir um P46, que é um formulário que vai fornecer ao meu empregador as informações que ele precisa para me colocar no tax code correto, caso contrário pode acontecer de eu pagar mais taxa e, bom, mais taxa = menos dinheiro na mão.
No emprego de antes eu estava no tax code 0T, pelo que entendi devo estar ainda, e também, pelo que entendi, pago 20% de taxa, não sei se dá para pagar menos, mas é o que vou descobrir depois que entregar meu P46 lá no trabalho e depois que receber o holerite da semana passada.
Caso queiram mais informações, esses sao alguns sites que explicam sobre os tax codes:
http://www.ir35calc.co.uk/uk_tax_codes_guide.aspx
http://www.hmrc.gov.uk/incometax/codes-basics.htm
http://www.payroll-help.com/faq/what-does-my-tax-code-mean/

Ah sim, todas as tax que você paga vc pode pedir de volta antes de ir embora, só nao sei se eles te devolvem tudo ou só um percentual, mas vou descobrir isso quando estiver me preparando para voltar. Faz sentido né?, afinal as taxas só servem para sua aposentadoria se vc continuar vivendo aqui e, honestamente, não pretendo fazer isso com a minha vida, gosto muito mais dela no Brasil, por incrível que pareça...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Travelcard e um abraço pros amigos

Promessa é dívida, entao vamos comecar!
Se vc digitar travelcard london no google vao aparecer varios sites, um deles é o http://www.mytrainticket.co.uk/buy-a-london-travelcard que explica basicamente que o travelcard é um ticket tanto para metro quanto onibus que te permite viajar o dia todo por Londres sem pagar nada além do que já foi pago pelo travelcard. Lá tem tambem os precos, que vao variar dependendo dos horarios (off-peak e peak, respectivamente horario susse e horario de pico) e das zonas, porque é assim que Londres é dividida pelo menos em termos de transporte. Tem a explicacao no proprio site, mas vai que bate aquela preguica, entao ta aí: http://www.tfl.gov.uk/assets/downloads/tube-dlr-trams-and-train-travelcard-zones-map.pdf
Sei que ainda tenho que falar das taxas e forms e tals, mas vcs nao sabem a preguica que eu to! Falo amanha, antes de ir pro trabalho, ok? E falando em trabalho, até que está indo bem. É bom trabalhar em si, distrai a cabeca. Ando precisando de distracao, é que a saudade dos amigos ta batendo forte e aqui estou muito sozinha. Assim, eu nunca fui aquele tipo de pessoa que sai todo fim de semana, que precisa de balada pra viver, que tem que ver os amigos direto senao surta... Mas que saudade que dá de estar a distancia de um telefonema para ir no pingo dog comer cachorro-quente, ou de ligar para um broder e marcar um barzinho, ou ganhar carona para ir num show encontrar a galera, ou passar no trabalho da amiga e ficar lá até ela fechar, ou ficar cutucando o boy o filme inteiro para ele nao dormir! Saudade de voces!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Um minuto!

Fiquei em dívida com os leitores da ultima vez. Foi mal entao, porque só vou falar daquelas coisas amanha.
Hoje, como to indo dormir meio logo, vou contar rapidinho como se resolveram as 70 horas que faltavam na minha conta bancária e como vai indo o emprego novo.
No final das contas liguei para a chefe lá do restaurante e passei pela Cleu (com quem vivo aqui, head chef do lugar) a lista com as minhas horas, os dias certinho, etc. Ela conferiu e estava tudo certo. Aí ela teve que falar com o big boss do restaurante e ficou resolvido que vou receber no proximo mes. Bom booom nao tá né, mas nem vou reclamar porque pelo menos vao me pagar...
O lugar onde to agora é bem mais legal. A proposta deles é servir principalmente comida brasileira e mexicana no intuito de proporcionar aos clientes uma experiencia latino americana. O ambiente é mais descontraído, colorido, é grande mas nao tem escadas entao dá para ver o restaurante todo sem ter que dar a volta por ele, a iluminacao é bonita. É o tipo de lugar que eu iria com certeza. Quase digo que dá vontade de trabalhar lá, mas ainda tá muito recente para dizer isso sem me achar mentirosa.
Gostei dos gerentes, mas claro, preciso ver como eles reagem quando o restaurante tá extremamente busy, se eles nao perdem o controle, se nao sao estúpidos for no reason. Trabalham comigo 4 brasileiros, o que é ótimo, eles sao bem acessíveis, gente fina mesmo e fico bem mais a vontade para pedir ajuda para eles do que para a polacolandia.
Meu segundo dia foi na segunda. Saí de casa correndo para nao perder o onibus, mas como típica brasileira já saí de casa um minuto atrasada. Aqui é inglaterra, portanto se o horario do onibus é 11h37, ele vai chegar 11h37. Nao 11h38. Nem 11h36. Esperei 3 minutos e concluí que nao tinha jeito mesmo nem com reza braba e dedinhos cruzados. Voltei para casa já crente de que ligar para um taxi resolveria minha vida. Depois de achar um numero de taxi na internet (é esse meu nível de preparo para emergencias, hahaha) descobri que ia demorar 15 minutos para chegar aqui. Já eram 11h45 e eu tinha que estar no trampo 12h... Única alternativa? correr! e na chuva! Era a opcao né, fazer o que? Corri, me ensopei, mas cheguei só 1 minuto atrasada. Suck it bitches!
No mesmo dia recebi parte do uniforme. Os aventais sao novos, beeem bonitos. O jacu é que preciso usar uma pochete porque lido com dinheiro o dia todo e é mais prático se ficar tudo ali mesmo. Pochete... até o nome dá vergonha... A camisa estou usando emprestada, mas só enquanto nao chega a minha. Diferente de onde eu estava antes, aqui meu uniforme é novinho em folha e o treinamento é coisa mais séria, apesar de nao ser grande coisa em termos práticos. Tenho que ficar seguindo a mina pra lá e pra cá para observar o que ela faz e como ela faz, mas sério, nao tem como! Por causa disso ontem acabei tocando um fodasse e deixei ela fazer o servico dela enquanto eu procurava o que fazer. Comecei o atendimento de duas mesas, me virei até que bem levando as bebidas, atendendo os clientes na porta (a gente tem que levar eles até as mesas livres ou, se nao tiver nada livre, colocar na lista de espera), limpando mesas, etc, etc. Tinha certeza que ia levar bronca da gerente-alfa no final do turno, afinal no fundo no fundo eu nao estava fazendo o que me mandaram, que era ficar de sombra da mina. Mas minha iniciativa de cacar o que fazer me rendeu elogios, e terminei meu servico bem contente e satisfeita.
E foi isso. Amanha (hoje, na verdade, que aqui sao 2h30 de quinta já, droga...) explico o que fiquei de explicar. Noite!

sábado, 12 de maio de 2012

Manda fazer fila que vou bater em todo mundo!

Uma amiga em especial tem comentado que nao falo muito sobre como estou me sentindo aqui, como estou lidando com a distancia, com as saudades das pessoas amadas, com a adaptacao em termos emocionais. Entao vou comentar sobre o que aconteceu hoje que me deixou louca da vida.
Fui até o restaurante onde vou comecar a trabalhar para ver minha rota (é assim mesmo em ingles) e aproveitei para checar meu saldo no caixa automático, já que hoje era para receber meu salário. Quase caí para trás: veio quase metade do que estava esperando. Fiz conta em cima de conta e nao tinha jeito de ter vindo tao pouco. Conferi as taxas, acabei descobrindo muita coisa util gracas a isso, mas nada que explicasse meu salário ridículo. Foi só de noite, quando me entregaram meu payslip (holerite) que descobri que faltou me pagarem 70 horas. Pára tudo. Setenta horas. Pode isso, Arnaldo? PODE ISSO???
Internamente eu virei o Hulk, porque, afinal, o problema nao é só faltar dinheiro. O problema é que nao dá pra fazer planos que esses filhos da puta vem e ferram voce. Só dando risada mesmo! Nao dá, nao é possível, nao é para eu ir pra Oxford! Amanha eu ia finalmente e com companhia, mas adivinha só? tenho que esperar até de tarde para ver se a gerente vai estar lá para eu poder me dar ao luxo de me estressar com trem só para resolver um problema que nem deveria existir. Mas que saco inglaterra, sou estrangeira mas nao sou burra! Ontem era o estresse da demora do pagamento, semana passada o estresse de trabalhar com um povinho preguicoso e mal educado, na semana anterior o estresse de uma gerente dizendo na minha cara que nao acreditava que eu estava doente. Ah, vao tudo a merda! Cansei de brincar faz tempo! Entendo o que eles falam, me comunico bem, leio nessa maldita lingua e eles pensam o que, que nao sei fazer conta?
É assim que estou me sentindo, sem UM break no estress, sempre tensa, a todo o momento na expectativa de mais alguma má notícia, tendo que atirar antes de perguntar porque senao quem leva sou eu. Bróder, voce simplesmente nao consegue relaxar! Eu me sinto tratada como se fosse burra! A desculpa que usei quando pedi a conta foi que nao estou me adaptando. Adaptacao aqui nao tem segredo, como tudo na vida é só questao de tempo. Teve uma neozelandesa carente que falou pra mim "esse tipo de viagem nao é para qualquer um." Ah véi, na boa, a única dificuldade é se acostumar com esse bando de gente imbecil que acha que vai te passar pra trás assim fácil. A vontade é de falar: sou brasileira, coleguinha, nasci e cresci no país da gambiarra, do jeitinho, da esperteza e da malícia, mas boa sorte né, tenta aí, vai que voce consegue!
Sério meus amigos, familiares e intrusos-bem-vindos leitores, dá até a pena. Eles acham mesmo que vou abaixar minha cabeca para essa gringarada do caralho, pardon my french? Nunca bati no peito com tanta vontade (o peitinho quase que vira uma corcunda) na hora de dizer "sou brasileira." E, nesse ponto, a raiva que estou passando reforca meu patriotismo e meu orgulho. Só que cansa. Nao me vejo vivendo aqui por anos a fio, nao entendo como o povo que faz isso aguenta.
Saudade da família bate mais forte de vez em quando só. No entanto, sei que vou passar por umas fases mais complicadas, ou pelo menos acho que vou. Até porque eu morava com a mamae e via sempre vó, tios e pai. Aqui pago aluguel e moro quase sozinha, já que quando os horários nao batem podemos ficar dias sem ter um tempo para sentar e conversar. Claro que isso é raro, mas com a minha mae nunca acontecia. A convivencia tambem pode se tornar muito chata e complicada. E resolver problemas de convivio é mais difícil quando voce nao pode explodir e falar tudo o que pensa.
Sinto muita falta do namorado, parceirao para segurar a barra. Tudo fica mais pesado quando voce é obrigado a carregar sozinho, principalmente sabendo que a pessoa tambem está fazendo o mesmo. É horrivel ver quem vc ama sofrendo por sua causa e nao poder ajudar, ao mesmo tempo em que voce lida com os seus proprios medos e com todo o lado ruim dessa novidade de morar fora. Mas isso tambem é uma daquelas coisas que os pais chamam de "aprendizado", ou "crescimento". Percebi que sou muito mais forte de que esperava, mas precisei de 40 dias para reconhecer isso em mim e me dar um mínimo de credito. E, claro, perceber que se é forte nao faz a dor doer menos.
Enfim, para fechar, fico em dívida com os leitores. Se eu esquecer me cobrem de explicar os esquemas das taxas, os formulários (P45, P46, etc e tal) e o travelcard que esqueci de contar do dia que fui para Londres.
Até outro dia, um mais tranquilo, espero!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Mais turismo e uma gripe


Semana passada, na quinta, fui para Londres fazer mais um pouquinho de turismo. Me planejei melhor entao deu para aproveitar bem, ou o quanto o frio permitiu - pq tava muito frio, a ponto de no final do passeio, quando desci em Waterloo para ir no London Eye, estar tao frio que decidi virar as costas e voltar pegar o metro para Paddington e me mandar pra casa!!!
Bom, primeira parada foi o Madame Tussauds, para quem nao sabe esse é o famoso museu de cera. Valeu a pena, apesar de muito caro (o ingresso para o museu e para o London Eye saiu umas 40 libras, mas dá para comprar online com outras opcoes de desconto, é que eu quis comprar na hora mesmo, porque aqui nao uso cartao de credito). Mas assim, vá com alguém e só vá se for para tirar muita foto, porque eu fui sozinha e só para conhecer e me arrependi um pouco já que fez falta uma companhia nem que fosse só para tirar foto com as estátuas. Meu passeio lá durou umas 2 horas e meia. Depois fui no Sherlock Holmes Museum. Para quem leu as histórias/ romances é bem legal, mas de novo, fez falta uma camera - nao, eu nao tenho celular decente aqui ainda.
Como o tempo estava feio acabei deixando a visita ao parque que tem ali pertinho para outro dia e peguei o metro para Camden Town, um distrito (acho que equivale a um bairro) de Londres que parece mais um shopping ao ar livre, com lojas em todos os cantos e barracoes onde vc negocia roupas e acessorios com os mais diversos tipos de imigrantes. Eles sao muito chatos. Voce prova uma blusa, diz que gostou, ele pergunta se vc quer sacola, vc diz que nao vai levar e que só ta olhando, ele pergunta "mas voce nao gostou?" e vc responde que sim, mas que nao vai comprar nada hoje e véi, eles nao entendem isso! como que vc gosta mas nao compra?! hahahahah e eles ficam meio bravos ou querendo negociar a todo custo! É muito engracado, tinha lojinha que eu saía dando risada! No final acabei vendo só isso mesmo e voltei para casa cansada de tanto pernear naquela Camden Town.
Aí hoje fui no restaurante onde vou comecar a trabalhar assinar a papelada e conversar com a gerente. Fato interessante sobre a inglaterra: quem compoe a forca de trabalho aqui é em geral estrangeiro. Dois dos tres gerentes sao poloneses, a supervisora que vai me treinar também; comigo sao cinco brasileiros entre garcons e garconetes. E os únicos ingleses sao a gerente geral e os caras do bar.
Essa semana ainda nao tenho planos de fazer turismo, mas isso se deve também a eu estar gripada (pela segunda vez em 40 dias) e sem a menor vontade de pensar em sair de casa. Motivo também para eu considerar nao ir trabalhar amanha, apesar de ser meu último dia, aleluia!!!
Para terminar, ontem e hoje veio um cara aqui em casa consertar o aquecedor, que continua sem funcionar - isso quer dizer que o banho vai ser gelado (sem chance!) ou de canequinha. Haja coragem!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Trabalho - boa notícia!

Voce percebe que tem algo muito mudado em voce quando a temperatura está 11 graus e voce pensa "olha que até que tá bom pra ir no mercado"...
¬¬
Em geral eu deixaria o post assim, mas tenho algumas coisas para contar. Primeiro, tinha comentado que odeio o lugar onde trabalho, né? Com o passar das semanas foi ficando mais e mais chato trabalhar lá. Se tivesse o lado bom de ganhar gorjeta até que ia, mas como dividimos entre todos os funcionários o que cada um recebe acaba sendo uma mixaria. Bem, consegui um trial shift naquele restaurante que tinha comentado no post de 25 de Abril, e, véi... mandei muito mal. Fiquei nervosa porque, como nao deu nada de busy e o restaurante ficou meio morto, nao tive nada para fazer. Mesmo assim, contra todo meu pessimismo, me chamaram para uma entrevista essa segunda. Fui bem, mas o que eles tem para me oferecer é o cargo de runner e quase como part-time ainda (pelo menos 20h/ semana). Para quem nao sabe, o runner é a pessoa que leva comida nas mesas, recolhe pratos sujos, seca talheres e copos, as vezes limpa mesas e raramente atende clientes. Logo, ganha pouquissima gorjeta, quando ganha. Claro que, segundo eles, posso conseguir "subir" para garconete (gente do céu, to num mundo em que ser garconete é "subir"?!), mas isso seria daqui um mes e SE, somente SE, aparecer vaga. Depois disso, conversando com a amiga do Guilherme, ela me deu a ideia de voltar lá no restaurante que me chamou há tres semanas, só que para part-time também, e ver o que eles tem para oferecer, se a vaga ainda estiver lá. Boa notícia, nao só estava como agora é para full-time! e vao me ligar na sexta!
Já estava pensando em dar aviso prévio e me mandar daquela bosta de lugar antes de conseguir outro emprego, agora entao, nao precisava mais nada. Ontem entreguei a carta e, de acordo com o contrato, preciso cumprir uma semana. Uma coisa que fez a inglaterra perder muitos pontos comigo foi a história da burocracia. A gente ta acostumado a reclamar que no Brasil tem burocracia demais e tal, mas aqui, aqui é uma incompetencia de dar nos nervos! Eles nao seguem contrato e vc nao pode reclamar, se vc segue eles acham ruim, o contrato é diferente das leis do governo, se te tratam que nem lixo vc nao pode fazer nada. Pelo menos agora, quando me irritar de vez com a gerente e com os garcons, vou poder mandar todo mundo tomar no cu, afinal o máximo que pode acontecer é ser demitida e já fiz o favor de cuidar disso.
Bom, terminada essa parte, reservei outras coisas para comentar. Amanha vou para Londres de novo fazer finalmente alguns passeios decentes e ver lugares que nao deu tempo de visitar aquele dia. Mais uma vez, dependo do tempo. Se estiver muita chuva, vou para outro lugar.
Por último, outro dia vi uma briga no parque, coisa que esperaria sei lá, em Nova York, mas nunca aqui. Uma mulher parou a outra no parque e comecou a meter a boca porque "já é a segunda que vejo vc aqui e vc nao junta o coco do seu cachorro. to cansada de ver vc fazendo isso. quer que eu te mostre como que faz, é?" O.O
Respect!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Turismo em Londres

Tinha comentado que iria para Oxford se o tempo estivesse apresentável. Não estava.
Maaaas, ao invés de ficar em casa, como disse que faria, chequei a previsão do tempo e fui para Londres!
Sem planejar nada ficou difícil saber por onde começar, portanto agradeço a menção no blog de uma amiga a Westminster - uma menção que não tinha nada a ver com fazer turismo na inglaterra - porque isso me deu pelo menos a ideia de começar por lá. E não me arrependi.
Meu trem desceu (da onde filha, do céu?) em Paddington, uma estação bem grande de Londres, e de lá peguei o metrô (aqui chamam de underground) para Westminster. Ta certo isso? "pegar o metro"? Enfim, para tanto usei o Oyster Card da Cleu (mãe do meu amigo, com quem vivo aqui), que é tipo um cartão transporte. Não tenho certeza se vale para algo além de metrô e ônibus - em Londres - e não sei como funciona para fazer, mas assim que descobrir posto aqui. Sei que precisei carregar ele com libras e foi muito fácil, só colocar seu cartão do banco (no meu caso o travel money serviu perfeitamente) na maquininha, clicar no valor desejado e pronto, tão lá seus créditos. Quando acabarem, ou quando forem pouco demais para pagar uma passagem, é só recarregar. Sem boleto, sem imposto, sem FILA!
Peguei também um folheto com as informações sobre as estações do metro e as diversas linhas. De primeira pareceu muito difícil entender como funciona. Conforme fui passeando pela cidade fui seguindo as linhas junto com o mapa de Londres e ficou muito mais claro e deu pra ver como o sistema de metrô deles é prático. O mapa da cidade comprei assim que desci em Westminster e, olha, foram as £1.95 mais bem gastas desde que cheguei. Graças a ele me localizei bem na cidade toda e só precisei pedir informação na bendita hora que resolvi guardar o mapa por causa do vento. Sério, vocês não tem ideia do que era aquilo. Nem as pombinhas tavam conseguindo voar na direção contrária ao vento! Por causa dele meu mapa quase virou 2 já na segunda vez que tirei ele do bolso!
Bom, começando de novo... Saí da estação de Westminster quase fazendo xixi na calça e morrendo de fome - era meio dia quando peguei o trem e não tinha dado tempo de almoçar. Depois de uma pernadinha básica achei um McDonalds - nunca foi tão feliz achar um McDonalds. Deus do céu, que banheirinho mais xinfrim e que lugarzinho mais apertado. Comi por lá mesmo, um quarteirão muito sem vergonha que valeu menos para matar a fome do que para conhecer duas brasileiras também passeando que me fizeram companhia até o National Gallery. Me perdi delas lá também porque, né, eu sou daquelas pessoas que nunca vão ao museu mas quando vão perdem o dia inteiro...
Depois de umas duas horas, o que não deu para ver nem metade do acervo, desisti do museu. A exposição principal estava quase fechando e ficar lá significava não ver mais nada da cidade. Da praça em frente ao National Gallery dá para ver o Big Ben, que foi a próxima parada na rota, e valeu ter deixado Oxford para outro dia, porque deu um solzinho nem assim tããão tímido em Londres e foi muito bonito ver toda aquela construção megalomaníaca brilhando um dourado com cara de ter muuuitos aninhos de vida. Nunca dei nada para Londres, ta aí uma cidade que não tinha muita intenção de visitar e que me surpreendeu desde o começo. Valeu a pena passar por cima do preconceito. É um lugar bonito a sua maneira.
Continuando o passeio, fui andando até o London Eye, que é aquela roda gigante enorme de onde dá para ver a cidade inteira - boatos, porque quinta só passei lá pesquisar preços e horários, afinal já eram 18h e tinha muita fila para entrar e muita coisa que eu queria ver antes de ir para casa. Zigue-zagueei pelas pontes, até chegar ao National Theatre - também para pegar folhetos e ver o que tinha de bom. Tem muita peça interessante, só os preços que não animam: £12 para tomar chá de cadeira (2 horas e meia de peça é para cimentar o cu na bunda). E, claro, £12 é o preço dos lugares mais baratos, porque tem lugares que chegam a custar £47. Acho que depois dessa dava para manerar um pouco os comentários sobre teatro ser caro no Brasil, né?
Saí do National Theatre e perneei mais um pouquinho, até a St Paul's Cathedral. Cara, é muito grande. Estava fechada mas deu para dar uma volta pelo church yard ao redor da igreja. Os jardinzinhos são bem simples, com umas arvorezinhas aqui e ali, banco de praça e esquilos muito simpáticos que, pelo visto, são parte da atração turística. É muito bonitinho ver eles cavando para recuperar uma noz e se fazendo de desentendidos quando percebem alguém olhando.
Já estava bem cansada depois dessa andança toda, por isso parei na praça Pater Noster, pertinho da catedral, para um mochaccino com brownie na Starbucks. Nossa que overdose de açúcar, hahaha! Enquanto isso, aproveitei para procurar no mapa o que mais tinha por perto para ver antes de voltar. Achei a Tower of London e, como estava me localizando bem e ventando muito, dei uma de metida e guardei o mapa. Bem feito, me perdi e tive que andar que nem uma camela até finalmente descobrir o que eu estava procurando. A Tower of London estava fechada mas foi só chegando lá que descobri que a Tower Bridge era a ponte que eu queria tanto ver.
Parecia de mentira. A visão da ponte cinza e azul, linda, de longe, tirou meu fôlego. Graças a muitas partidas de Scotland Yard com a família (valeu mãe!) e a uns 3 ou 4 romances do Sherlock Holmes a expectativa de como seria a ponte ao vivo era bem grande. Sem exagero, era uns dos lugares que eu precisava ver antes de morrer, porque é lindo demais, é emocionante, da vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo, de levar embora pra casa. No caminho entre a Tower Bridge e a London Bridge não conseguia parar de admirar o Tâmisa. É o lugar mais romântico em que já estive, principalmente com as lampadinhas acesas e a vista para a ponte. Pena que faltou my other half (como diz um dos chefs com quem trabalho) para completar a cena.
Estava moída e doida para ir para casa quando, as 21h15, peguei o metrô pela penúltima vez aquele dia - e cheio ainda. Troquei na estação de Baker Street (mãããe, existe!!!) e por último peguei o trem em Paddington. Cheguei em Reading com os músculos das pernas latejando e cheia de energia e coisa para contar.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Vivendo um pouco

Amanha tenho um trial shift no restaurante onde meu amigo trabalha. Paga a mesma coisa que o lugar onde to agora com a vantagem de ser uns 30 minutos de casa - ou seja, nada de trem!
Amanha, tambem, vou comprar uma bike, finalmente! Me acostumei mal de andar de bike pra tudo que é lado em Curitiba e agora nao tenho mais paciencia de ir andando pq demora demais... E como aqui da pra levar a bike no trem vai acabar sendo muito mais prático, já que vou poder fazer meus passeios turísticos sem gastar tanto tempo indo de um lugar para outro.
Na semana passada os planos eram ir para Oxford, o que nao deu certo pq o tempo estava muito feio. Os planos dessa semana tb sao ir para Oxford, com a diferenca de agora ter um mapa em maos (gracas a minha amiga polonesa) e saber que a previsao é de chuva, portanto se nao mudar a previsao e chegar no dia e estiver mesmo chovendasso, fico em casa vendo filme e jogando video game, fazer o que...
Mas nao se enganem, eu nao fico só em casa mofando. Domingo, por exemplo, tive o dia mais cu desde que comecei a trabalhar naquele maldito restaurante. De noite tinha combinado de sair com a Barbara, a tal amiga que me emprestou o mapa, e resolvemos ir a um pub, até pq eu nao tinha ainda ido a nenhum. Os detalhes sórdidos nao sao assim muito importantes, basta dizer que foi o máximo de diversao que tive desde que cheguei - AE! - apesar de cair na rua no caminho de volta pra casa e acabar machucando a mao bem feio.
Pensando pelo lado positivo do negócio - se é que tem - pelo menos estou vivendo um pouquinho, afinal tombos fazem parte da vida, mesmo os nao metafóricos!
Ah! e comecei a aprender polones! Mas isso é história para um outro dia....

domingo, 22 de abril de 2012

Bom domingo!

To indo dormir já porque amanha tem trabalho e o restaurante vai estar muuuuito busy. Domingo lá é dia de famílias inteiras almoçando e de criança pra tudo que é lado.
Queria contar um monte de coisa, mas fica para uma próxima - possivelmente amanha de noite.
Só queria mesmo agradecer por tanta gente estar visitando o blog e deixando comentários ou mandando emails sobre o que le aqui. Obrigada pelo apoio! Faz muita diferença para mim! Grande abraço e um ótimo domingo!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Vou de trem

Uma coisa importante que esqueci de mencionar sobre meu trabalho é que ele é em outra cidade... E quando não dou sorte de ter carona para ir ou voltar, o jeito é transporte público mesmo. Transporte público nesse caso são os trens, porque se fosse de ônibus coitada de mim, daqui até Cookham, que é onde fica o restaurante, são pouco mais de 30km!
Quando comecei a fazer as contas de quanto ia gastar com transporte já fiquei bem triste, pois a passagem não é barata (lógica linda que só inglês entende: só de ida £6; ida e volta £6.10). Mas descobri uma coisa muito legal, a First Great Western, que ao que me consta é meio que o equivalente a nossa URBS, mas para trens no caso, disponibiliza certos tipos de cartões de desconto (você paga 2/3 do valor original da passagem, fora as exceções, que também nem são tantas), por exemplo, para pessoas idosas, para deficientes, para a família. O que eu fiz é para jovens entre 16 e 25 anos, tem custo de £28 e um ano de validade. Bonito foi o baile que levei da cabine de tirar foto - precisa de uma foto para fazer o cartão e dá pra tirar na própria estação, vc entra na cabinezinha, seleciona a finalidade da foto e segue as instruções.
Saiba, no entanto, que o banquinho não foi feito para pessoas pequenas. Portanto, caso vc tenha um metro e meio e sua cara não alcance a posição correta na telinha prepare-se para se agachar numa posição ridícula e desconfortável e se sentir botando um ovo enquanto vc tenta apertar o botão certo sem mexer a cara do lugar e ainda sair sem pinta de presidiária. Nossa, foi uma luta. No final a foto saiu uma bosta do mesmo jeito, mas beleza! pelo menos agora tenho um cartão de desconto! 
Tem ainda um outro tipo de cartão, esse de graça, que vc faz para poder comprar season tickets, que são tickets para um determinado período de tempo, tipo uma semana (de verdade mesmo nem sei se dá para comprar para mais do que isso - deve dar). Enfim, informações muito úteis para vc que quer passar um tempo na Inglaterra! Vai aí também o site onde tem tudo mais detalhadinho: http://www.firstgreatwestern.co.uk/
Amanhã já estréio meu cartão! Droga, isso quer dizer que não é dia de carona =/

terça-feira, 17 de abril de 2012

Uma dica

Sempre que o tempo vai passando tenho tendência a pensar que as próximas notícias serão boas. Notícias sobre tudo, sobre o mundo, sobre os amigos, família. Mal de pessoa otimista. Mas é um otimismo fácil, porque é mais fácil torcer pelas pessoas que amo do que torcer por mim. Até semana passada eu estava torcendo por mim, mas agora a vontade é de me dar uns tapas. Já explico.
Primeira coisa que percebi aqui, e precisei vir para cá para entender isso, é que morar com a minha mãe fez de mim uma pessoa folgada e dependente. Sempre contei com a mamãe para tudo, mas agora que ela não está aqui e que preciso fazer tudo sozinha, não consigo direito. Não sei nem por onde começar e daí acabo ficando mais perdida do que já to. É tão frustrante perceber que não consigo me virar como pensei que conseguiria que a vontade é me dar uns tapas mesmo, pra ver se aprendo que nem tudo é tão fácil assim e que se eu tivesse vindo para cá sendo mais realista, talvez as coisas estivessem diferentes. Mas não foi o que aconteceu e agora preciso correr atrás do prejuízo. Afinal é difícil ser otimista quando você percebe que estava sendo burro.
Outra coisa que percebi aqui: não conte com ninguém. Teoricamente eu poderia contar com meu amigo, com a mãe dele e talvez até com o padrasto dele, que são as pessoas com quem moro aqui. Não dá. As pessoas trabalham muito nesse país, elas não tem tempo de te levar pela mão e elas não vão entender que você está sofrendo choque cultural, porque aparentemente ocorre uma perda de memória depois de um tempo e também porque sempre que o tempo passa olhamos para trás pensando "ah, nem foi tão difícil assim me adaptar", não importa o quanto na verdade tenha sido. Não to querendo dizer com isso que sou uma coitadinha, que estou comendo o pão que o diabo amassou ou que tenho peninha da mim, porque né, to sofrendo litros decerto. Não me entendam mal. Eu to é querendo me bater, para ver se deixo de ser lenta e se começo a andar na velocidade certa, para ver se deixo de esperar o mundo resolver meus problemas para mim.
Aquela história de que vir para outro país te mostra outras realidades é verdade mesmo, principalmente no sentido em que mostra a nós mesmos coisas que não sabíamos sobre nossa maneira de agir, de pensar e de responder ao que acontece a nossa volta. Só tenho um conselho para quem quiser fazer o tipo de viagem que estou fazendo, se prepare psicologicamente. Esteja pronto para receber as decepções de braços abertos e não com cara de surpresa ou com raiva, como foi o caso comigo. E tenha maturidade para reconhecer que você pode aprender muito com elas. E, de preferência, não demore muito para reconhecer isso, porque senão você vai só se estressar a toa.
Por hoje fica essa dica.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Meu primeiro "day off"

Depois de fazer um trial shift de 10 horas num restaurante, de trabalhar no dia seguinte e de ser enrolada por mais 5 dias, acabei conseguindo um emprego, ae! Mas, depois de uma primeira impressão boa, sempre vem a realidade...
Primeira coisa, o trial shift, pelo que soube depois, equivale a um turno de algumas horas, tipo umas... DUAS... em um só dia, para eles verem como vc trabalha e decidirem se querem que vc fique. Eles não vão me pagar as outras oito. Depois, sem a menor experiência, eu deveria ter um treinamento, que só está acontecendo agora graças a gerente, o que? o que?, portuguesa. Isso que tem mais outros três gerentes, todos ingleses, todos inúteis. Para melhorar a vida da novata ela percebe que a maior parte das outras garçonetes explica as coisas errado, e que elas deixam parte do serviço para os outros fazerem enquanto tagarelam umas com as outras. É incrível a quantidade de vezes que vejo duas dando risadinhas entre si ou papeando com alguns funcionários da cozinha. Bom, daí depois tem ainda as dificuldades vocabulares e culturais, que me levam a perguntar o que são certas coisas várias vezes e a não decorar com facilidade, porque quando vc não sabe como se escreve algo é como se vc fosse analfabeto e daí vc fica tentando adivinhar o que significa a palavra ou a que ela equivale no Brasil - tipo certas comidas, pratos, nomes de cerveja, tipos de cerveja, nomes de bebidas. E como eu trabalho com gentinha de muito baixo nível, essas pessoas são incapazes de entender o que é e como funciona um choque cultural. Não tem um dia, UM, em que não sinta saudades do Brasil, principalmente depois do trabalho, quando a cabeça se aquieta e tento pensar na minha língua materna o mais que posso para tentar me sentir um pouquinho mais perto de casa.
E desculpa aí quem gosta do british english, mas não dá... o que mais me cansa é esse maldito sotaque. Toda vez que atendo ou escuto um canadense ou um americano parece que alivia a tensão, é quase como estar na escola dando aula, é quase um estar em casa estando longe. Aquele povo que fala alto, articula as palavras, masca um chicletasso mesmo. Véi, na boa... É muito relaxante!
Enfim, tem mais milicoisas que incomodam, mas a maior parte é normal em qualquer trampo: pegar trem que só tem de hora em hora, chefe grosso, enxurrada de informação que vc tem que absorver o mais rápido possível... Por aí...
Por último, tem uma coisa que eu não esperava mesmo. Nunca pensei que ter amigos vegetarianos e vegans fosse me fazer mudar certos conceitos, mas fez. Um belo dia resolvi descobrir o que é o tal do calves liver que servem lá. É fígado de vitelo, de bezerrinho. Cara... que horror... e ainda em que quantidade se comem essas carnes naquele restaurante, é um absurdo... e a quantidade de carne que sobra nos pratos, que são jogadas fora! Digam o que disserem, mas ninguém PRECISA comer carne nessa quantidade. Tá, tá, no Brasil tem altas churrascarias, eu sei... Mas nunca trabalhei em uma e, honestamente?, não era para a inglaterra ser país de primeiro mundo? Ver essa inglesada comer me faz entender melhor as coisas que o Orwell escreveu, mas enfim, falo disso outra hora. Agora vou aproveitar o resto do meu day off para jogar video game!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Se perdendo

De fato, no dia em que cheguei o tempo estava bem bom, esfriou de noite, mas durante o dia o sol estava forte e o ar seco. Hoje, em compensação, está frio e úmido, agora tá marcando 5 graus... Apesar disso, vale lembrar que dentro de casa tá bem quentinho, tem aquecimento em (quase) todos os comodos e com certeza os ingleses devem estar de camiseta e shortinho, não eu, é claro. Como boa brasileira, friorenta - não sei como vivi minha vida toda em Curitiba, sério... - to de calça de pijama e moletom hahaha.
Mas já que estou falando do tempo, vou começar com o que aconteceu hoje quando fui correr. Era quase uma da tarde quando resolvi tirar a bunda de casa. Com o capuz do moletom fechado em volta da cara, fui dar uma corridinha no parque, até porque já era hora de conhecer um pouco mais do lugar onde to morando e de largar mão de ser preguiçosa. Lá fui eu. Uma quadra depois meu nariz começa a escorrer MUITO. "Ah, daqui a pouco pára", pensei na minha pobre inocencia. Dali a pouco meus olhos começam a lacrimejar. Cinco minutos mais tarde eu parecia aquelas criancinhas, com as mangas da blusa encharcadas, o nariz assado e os olhos cheio de lágrimas. Cara, nem vi direito por onde eu tava indo. Só sei que de repente o parque acabou e fiz a volta para voltar andando por dentro, pela rua mesmo. Aquela cultura de curitibano que vai pra praia no final do ano, "é só fazer o mesmo caminho e se eu me perder ando até a orla e vou pelo calçadão". Meu ponto de referencia, no caso, era o rio.
Depois de altas voltas cheguei a conclusão de que não tinha dado certo. Quando finalmente achei o parque eu já tava tão de saco cheio que mandei tudo a merda e cortei caminho pela graminha - não é Brasil gente, as pessoas raramente fazem isso aqui - sei lá por que também... A trilhazinha apagada no meio da grama é cercada por árvores - aquelas árvores peladas de filme de terror - e é bem silencioso, então voce não escuta quase os carros, só os barulhos de bem pertinho.
Até hoje nunca tinha entendido por que o corvo é visto de forma, hm, amedrontadora, ou tipo, como símbolo de mau agouro. Até hoje. O corvo não é que nem o bem-te-vi que tem timing pra fazer sua cantoria - chega a ser uma cantoria? - e que nao erra o tempo. O corvo nao ta ligado que existe a thing such as tempo... Voce fica naquela expectativa, pensando "é agora, é agora que esse fdp nao vai me assustar", e no meio do seu pensamento o bicho grasna (cantar é que nao canta...) e te dá um arrepio na espinha - imagino que de só em quem nunca viu/ouviu um corvo ao vivo. Na primeira pensei n"O Corvo" do Poe. Faz tooooodo o sentido agora! Na segunda olhei pra cima, para aquele amontoado de galho pelado e nem sinal do bicho, e isso que ele é grande, robusto, inteiro preto - inteiro mesmo, tipo perninha, bico, olho, tudo preto.
Durante todo o percurso até em casa ou eu ouvia ou via um desses pássaros em algum canto. Foi muito creepy...
O outro episódio do dia se deu de tarde, quando fui ao mercado. Eram 6 horas e tinham me explicado só bem por cima como fazia pra chegar nesse mercado (o Tesco): pelo meio do parque - do lado oposto ao que percorri mais cedo. Tinha um pequeno detalhe que nao levei muito a sério: meio do parque. Meio. Tipo... pontes estreitinhas, sebes, muros, árvores, patos, gansos, umidade, rio, silencio... véi... tipo jungle... tipo... arvorismo sobre a água... frio e com tempo fechado. Na ida deu mais medo, mas acho que isso é questao de cultura, pois se esse caminho fosse em Curitiba, com certeza seria perigoso demais mesmo a luz do dia. Enfim, a volta foi tranquila... acho que estou me acostumando.