sexta-feira, 31 de maio de 2013

Brazil and its everlasting party

I said on my last post that, very soon, I would write my first post in English on this blog. Well, I guess it took me longer than I expected to convince myself to do it. And guess what, today's subject is Brazil.
Whenever I answer the question "where is your accent from?", reactions tend to vary from legitimate surprise to awkward disappointment. The first reaction is not rarely followed by comments on my skin colour, or on my blond hair. It is quite sad to see that that well-know stereotype makes people ask, a bit embarrassed, if my native language is Spanish, or if I know how to dance samba, or whether or not everyone in Brazil should be "tanned".
Please, don't get me wrong, I am not upset by that, I guess I could be, or maybe, depending on my patriotism, I should be. But I am not.
I remember when I first moved here. I used to think Poland was a big field of potatoes and pigs where all nation lived on farming; I used to think all Italians were part of the Italian Mafia and all French people stank. Nice, huh? And I do not dare say more about what I thought of other nations - it goes beyond the limits for rudeness. All those stereotypes I created, or was led to create, by having the information I had and not having the slightest curiosity to find out if any of that was true.
After a while living here I understand that second reaction too, disappointment. Some people expect me to be, due to my being very white and having a weak american accent, from America, Canada, or somewhere in Northern or Eastern Europe. And some other people, a little more educated, know that Brazil is not exactly an exotic paradise, and that Brazilians need a visa to be here. So, usually, that reaction in followed by questions such as "what brings you to England", "are you studying here", or "how long have you been here". It is then when it finally hurts to be struck by the stereotype, because for that I should thank all Brazilians that lived illegally here for so long.
I remember once, long time ago, a guy said, "so, basically, you are working here; then you plan to study here; then finally, with a couple of thousand pounds and an English degree, you will return to Brazil and build a life there. Long story short, you are using us." I thought if I said I plan on living here - until further notice - it would look like a better scenario. I was wrong.
It does not hurt me to see people caring about who comes to live in their country, I'm actually jealous. Maybe, if we were more like that in Brazil, we would be protesting against corruption. Protesting, not merely posting angry texts on facebook. I can hear some say "but it is a beginning." Is it? I honestly think we, the exotic people of Brazil, are not doing more than throw bananas at politicians and get those bananas back. In the end, we can't complain if people think Brazil is some sort of giant Ibiza. But come, by all means, you are all invited to our big party! I just hope, one day, this party will end.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Um grito tardio de rebeldia

Pois é, dia 12 agora fez um mês que voltei da minha visitinha do Brasil. Nem comentei nada aqui porque tinha coisas mais legais para contar, mas agora que o papo da Suíça acabou e que adiei já bastante para olhar para minhas conclusões mais imediatas sobre a viagem com mais serenidade, acho que vale comentar algumas coisas.

Por exemplo. Minha primeira semana no Brasil foi dedicada a fazer um check-up completo da minha saúde. Não por me sentir doente nem nada, mas porque aqui não confio nos médicos com quem me consultei quando tive problemas e acalma um pouco saber que você não voltou de um país de primeiro mundo bichada. As expectativas com os profissionais eram grandes e, obviamente, fechei minhas três semanas muito decepcionada. Característica geral que bateu de cara foi a arrogância. Passei por três médicos aqui, todos clínicos gerais, todos bem educados, bem profissionais e jamais arrogantes. Todo brasileiro sabe que passar em medicina numa universidade federal é uma honra. E os níveis de dificuldade não só assustam os não tão bem-nascidos, tanto social quanto geneticamente, como também aqueles que se dedicam aos estudos a vida inteira. Não sei como funciona o curso aqui, mas sei que respeito é uma coisa que não faltava no consultório dos médicos que me atenderam. Minha pior experiência foi, de longe, com o cardiologista. Seguindo recomendações de uma pessoa de confiança, marquei consulta com o Dr. Fulano do hospital cardiológico constantini pelo meu plano de saúde, a sul américa. Conviver com outra cultura te força a adquirir hábitos muito diferentes daqueles da sua cultura materna, no meu caso, um destes é chegar na hora. Para que eu fui fazer isso meu deus? Para esperar uma hora para ser atendida. Aí o excelentíssimo médico, já que não era culpa dele, esperou sentadinho por uma hora e sequer checou se o paciente tinha chegado, e, mais tarde sequer se deu ao trabalho de pedir desculpas pela inconveniência que foi, para mim, esquentar a cadeira da recepção durantes grosseiros 60 minutos de atraso. Muito bem, enquanto consultava ele quis saber meus motivos para pedir um check-up e foi adicionando informações irrelevantes num tom super arrogante sobre suas próprias experiências, não tãos boas, enquanto estudante na França. Eu já de saco cheio, assim que ficou tudo explicadinho e ele me entregou as requisições, o filho da puta ainda me dá um cartão e diz "aqui está o meu telefone pessoal, porque médico na inglaterra não faz isso, não é mesmo?"

Ok. Marquei os exames no próprio hospital constantini e esperei, mais uma vez, uma hora, para ser atendida pela esposa do senhor doutor. Médica já mais educada, pediu desculpas mas disse, mesmo assim, que não era culpa dela. Dona moça, me diga, que que eu estou cagando e andando para saber de quem é a culpa? Me cago para o culpado, quero um pedido de desculpas, um excelente atendimento e uma garantia de que isso não mais se repetirá - porque se se repetir eu mando uma reclamação para o seu chefe. Aí, nessa hora, meus leitores caem na gargalhada, porque pedir isso é o mesmo que aceitar de um político a promessa de não se corromper. Mas aqui não. Aqui a coisa funciona. Claro que tem um monte de coisa errada e pé no saco, mas em geral, as coisas funcionam.
Na última consulta com o cardiologista, já tinha chegado no limite da minha paciência, então, esperar mais uma vez uma hora foi inaceitável. Entrei bufando, sem grosseria, mas sendo seca e direta. E não é que aquele corno manso se enche de orgulhinho e diz que eu não tenho motivos para falar asperamente, que minha consulta era um encaixe que eu tive muita sorte de conseguir! Mas vá para a puta que pariu! Fiz aquele merda me atender em 10 minutos, chequei com minha outra médica a receita de uma medicação que ele me deu e descobri uma superdose que poderia me fazer muito mal e decidi escrever um post em inglês neste blog, pela primeira vez. E não é óbvio o porquê?
Quem leu isso e se indignou, com certeza não se surpreendeu. Isso porque nós, brasileiros, estamos acostumados a ser tratados sem respeito, como se fôssemos lixo. Se o médico fica com raiva de ser pago uma merreca pelo plano de saúde, ele deveria ter o mínimo de educação para não destratar seu paciente, já que é o dinheiro do paciente que põe comida na mesa do médico e é o médico que decide se afiliar ou não a planos de saúde. É uma vergonha que tenhamos que aceitar o tratamento que recebemos e que, na hora de exigir algo melhor, sejamos vistos como rebeldes, como pessoas sem educação. Porque se você roda a baiana é porque não tem elegância, mas se abaixa a cabeça é porque não tem opinião? Quem sabe se eu contasse isso numa língua mais acessível alguém lia e nos ajudava a fazer alguma coisa para isso mudar... Será esperança demais? Não pretendo viver no Brasil do futuro, mas isso não me impede de desejar ardentemente, de rezar com fé, de querer que o meu país mude para melhor e de acreditar que isso seja possível.