Essa semana criei coragem e marquei hora no cabelereiro. Desde que cheguei aqui, no final de Março do ano passado, cortei o cabelo quando fui pra Polônia em... acho que foi em Outubro, e em Março desse ano, quando fui visitar a família em Curitiba. E só. Daí fiquei nessa de ai fulana me recomenda um lugar e oi coleguinha, onde você corta seu cabelo, por um bom tempo até ter várias (duas) recomendações do mesmo lugar e o cabelo estar um lixo. Ai meus amados 5 leitores, meu cabelo tava muito triste, toda a vez que eu subia na bike e esquecia de amarrar eu chegava no trabalho como se tivesse vindo direto de seis meses vivendo na savana.
Foi o que bastou. Liguei num lugar chamado SHOTZ, marquei hora, perguntei o preço, minha descendência judia desmaiou oito vezes, e desliguei. E fui. Numa segunda-feira!
Primeira coisa que achei muito linda foi eles me mandarem mensagem no celular confirmando o horário e dizendo o nome da pessoa que ia aparar minha juba. Cheguei lá toda envergonhada, sentei me embolando nos casaco só para reparar que não tinha ninguém no salão, exceto eu e a menina na "recepção". E a musiquinha da rádio. Daí sobe a Charlie que, sem frescurite, me pede pra sentar na cadeira na frente do espelho e pergunta "o que você quer que eu faça com o seu cabelo". Como se explica em inglês que você quer uma franja não muito curta, mas descendo em degradê e se juntando com o cabelo no final para ficar bem natural, um corte mais redondo mas repicadinho pra não ficar com cara de freira, tirando o volume da metade para baixo, mas não esquece corta fora uns cinco dedos porque eu to muito cabeluda?????? O.O
Pois é, daí fiquei uns segundos olhando pra cara da menina pelo espelho e decidi que já que eu não sabia explicar essas coisas, ia ter que ser na base da mímica. Ela fez uma cara de paisagem que me lembrou a minha quando eu atendo estrangeiros lá no restaurante que não sabem me explicar o que querem, mas, toda paciente, disse "bom, vamos lavar primeiro".
Não sei se sou só eu, mas toda a vez que vou no cabelereiro a parte de lavar é o terror. Primeiro, a cadeira é super desconfortável - pelo menos para mim que sou nanica. Segundo, começam a lavar e me cozinham o couro cabeludo e, para completar, deixam a água acumular nas orelhas até formar pocinha. Então o cabelereiro termina e, essa é clássica, seca a parte de cima da orelha! Não importa quão boa seja a bicha, ela sempre deixa a maldita aguinha.
Para minha surpresa, no entanto, a cadeira era mais desconfortável ainda. Charlie ligou o chuveiro e a cadeira começou a fazer um barulho muito esquisito. Demorei uns trinta segundos para me ligar que a cadeira fazia massagem! Acho que o nervosismo era tanto que não acreditei que podia ter alguma coisa boa nesse desconforto todo. Não vou mentir, saí com o pescoço duro, maaaaaas, sem poça na orelha!
Nisso voltamos para a cadeira na frente do espelho e recomecei com a mímica que resultou no corte mais lindo que já fizeram na minha juba. Acho que, fora quando fiz progressiva, nunca saí tão satisfeita do cabelereiro. E o mais incrível é que foi tudo tão silencioso, sem as típicas clientes que ficam fazendo fofoca dasamiga ou gente pra lá e pra cá, fazendo unha, luzes, escova, prancha, a família inteira da noiva fazendo penteado pro casamento. Uma paz!
Meu judeu interior ficou quase feliz por desembolsar £38. Já a brasileira só não deu pulo de alegria porque tava enrolada em muito casaco.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Estudandinho
Tava lendo o último post e bateu uma vontadezinha de escrever. Contar o que mudou. O que não mudou. O que ta em processo. E nada melhor do que estar sozinha sem nada pra fazer e com preguiça de levantar da cadeira.
Eu comentei que me resolvi a voltar a estudar. Pois essa ideia começou com a história de querer voltar a dar aulas. Aí pesquisa vai e pesquisa vem, descobri que para se ter qualificação para dar aulas aqui você precisa ou adquirir o diploma através da graduação, ou fazer uma "pós-graduação" que chama PGCE (Post Graduate Certificate in Education). O PGCE pode ser tanto para primary quanto para secondary school. Para entrar para esse curso você precisa ter um bacharelado na matéria que quer ensinar, e esse bacharelado precisa ser reconhecido pelo sistema educacional inglês. Quem faz esse reconhecimento é um órgão chamado NARIC. Também é necessário ter mínimo de nota C nos GCSEs em língua inglesa e matemática. GCSE quer dizer General Certificate of Secondary Education. Os adolescentes estudam dois anos, entre os 14 e os 16, e no final do currículo tiram as notas e se encaminham para os A-Levels que duram mais dois anos e são níveis avançados exigidos pelas universidades (cada curso vai exigir certos A-Levels).
Eu tenho equivalentes aos GCSEs e aos A-Levels em todas as matérias exceto em inglês, graças ao currículo brasileiro que, contrário ao que todo mundo pensa, é muito mais completo do que o inglês - uma pena as escolas públicas não serem grande coisa no Brasil. Eu comecei a me ligar disso quando percebi que muitas pessoas aqui não sabem fazer cálculos de cabeça. Dividir uma conta por dois, por três, adicionar 10% - sério, tem gente que não sabe nem a lógica de "calcular" 10%.
Outro pré-requisito para fazer o PGCE, no caso do interessado ser estrangeiro, é ter nota mínima entre 6-7 no IELTS (depende o nível que a universidade pede). IELTS, para quem nunca ouviu falar, é o International English Language Testing System, que é uma prova com 4 seções, compreensão auditiva, leitura, escrita, e oral, longa, chata, que eu também vou ter que fazer.
E o último pré-requisito, chama ITT, que é para todo mundo, são duas provas, uma de matemática e outra de língua, para provar que você sabe fazer conta e que não é analfabeto - de novo. E isso para um curso que vai me custar 9 mil libras o ano, e olhe, graças a Deus que é só um.
Quando eu fui descobrindo tudo isso, dá pra imaginar meu desepero. Os caras pedem de duas a quatro comprovações de que o candidato não é uma porta, para fazer um curso que curta uma fortuna, para daí poder trabalhar e pagar devagarinho esse mesmo curso. Porra véi.
Depois disso tudo, comecei a colocar as coisas em processo. To fazendo o GCSE em inglês, que dura até maio do ano que vem e deve me dar a nota mais alta possível que é para eu esfregar na cara das universidades. O resto é só eu tirar umas duas semaninhas para estudar e fazer as provas - hopefully. E é isso. Vou indo nessa vagareza que é o jeito.
P.S.: Desculpa o tanto de termo técnico, tentei deixar o mais claro possível.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Férias e miniférias
Fiquei de escrever a entrevista com os "sogros", mas ando tão atrapalhada com outras coisas que, nem se eu de fato tivesse conseguido fazer a entrevista, o que não consegui, não teria tido tempo ou vontade de colocá-la aqui. Pois é... Rolou uma falha de comunicação, somada ao fato de a minha "sogra" ser meio possessiva com os fihos e resultado de ela ser meio maluca nas suas interpretações da minha linguagem corporal. O estresse foi tamanho que o boy ainda não está falando direito com sua digníssima. Claro que a culpa é toda minha. Sempre foi e sempre será. Essa é a beleza de se ser odiada pela sogra. Enfim! Não tive a menor paciência de entrevistar ninguém e, apesar de saber como mandar todo mundo à merda em polonês, ainda tenho uma pequena esperança de que em algum ponto, num futuro não muito próximo, vai rolar essa porcaria dessa entrevista. Tudo pelo Brasil (vish, que mentira...)
E daí me perguntam, ou se perguntam, ou não perguntam - mas eu conto do mesmo jeito - tá, e qual o motivo da falta de tempo?
Assim que voltamos de viagem, isso na quarta-feira, 3 de julho, senti uma tensãozinha, resultado das picuinhas que rolaram na Polônia. Pero, graças a Deus, voltei ao trabalho dia seguinte e trabalhei sem folga até a terça-feira da semana passada. Nesse meio tempo começou um verão muito quente e ensolarado e decidimos que, como as férias foram muito estressantes e cansativas (!), íamos tirar dois dias para visitar a costa, conhecer alguns pontos turísticos famosos, e torrar a carcaça no sol bretão. No primeiro dia conhecemos um tantinho de Brighton, nos perdemos nas ruelas do centro tentando achar um restaurante com a ajuda do google, que estava mais perdido do que a gente, visitamos o Royal Pavilion, passeamos pelo píer, e dormimos em uma guest house muito aconchegante em Eastbourne.
E daí me perguntam, ou se perguntam, ou não perguntam - mas eu conto do mesmo jeito - tá, e qual o motivo da falta de tempo?
Assim que voltamos de viagem, isso na quarta-feira, 3 de julho, senti uma tensãozinha, resultado das picuinhas que rolaram na Polônia. Pero, graças a Deus, voltei ao trabalho dia seguinte e trabalhei sem folga até a terça-feira da semana passada. Nesse meio tempo começou um verão muito quente e ensolarado e decidimos que, como as férias foram muito estressantes e cansativas (!), íamos tirar dois dias para visitar a costa, conhecer alguns pontos turísticos famosos, e torrar a carcaça no sol bretão. No primeiro dia conhecemos um tantinho de Brighton, nos perdemos nas ruelas do centro tentando achar um restaurante com a ajuda do google, que estava mais perdido do que a gente, visitamos o Royal Pavilion, passeamos pelo píer, e dormimos em uma guest house muito aconchegante em Eastbourne.
No segundo fomos fazer um dos mais conhecidos trajetos de caminhada, em Beachy Head, que durou umas boas três horas e nos moeu o corpo inteiro. Passamos o resto do dia tomando sol e passeando pela orla de Brighton e voltamos de noite, muito mais satisfeitos com essas férias do que com as da Polônia.
Desde então ando estressada com outras coisas. Trabalho é o de menos, mas tudo acaba vindo à tona quando estou lá, porque é quando a pressão pega mesmo e você tem que botar suas perninhas no fast forward, senão não dá conta. Mas o que ta entulhada de coisa é a cabeça. Resolvi que quero voltar a estudar. Não que isso tenha me surpreendido - ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Já faz um tempo que venho alimentando essa ideia, que foi ficando grande e complicada e, graças às minhas incríveis habilidades em procrastinar, virou um quebra-cabeça mais difícil do que eu esperava. E é tanta coisa que tem que ser arranjada, tanto prazo curto para fazer as provas, tanta prova que tenho que fazer, tanta sigla para essas provas, que me perco e daí bate o desespero! Olha, só de escrever isso já me deu uma puta preguiça de existir.
Vou ficando por aqui. Assim que essas coisas estiverem resolvidas volto a escrever, mas, por favor, sem pressão!
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Comunismo não!
Um pouco antes da minha viagem ao Brasil, em Março desse ano, comentei com meu namorado que eu teria que botar em dia minha situação com a justiça eleitoral brasileira, uma vez que não votei nas eleições do ano passado. Ao reparar que ele não tinha entendido o que eu quis dizer, contei que, no meu país, voto é obrigatório e que ou você vota, ou justifica, ou paga multinha. Ouvindo isso ele soltou uma gargalhada debochada e disse "isso cheira a comunismo"!
Na minha juventude li um pouco aqui e ali sobre comunismo e sempre achei a ideia boa, sempre ouvi dizer que funciona muito bem na teoria. Não existiria nada privatizado, tudo seria do povo e para o povo. Mas nós brasileiros não sabemos o que é ter um país massacrado por guerras durante séculos e mais séculos, não sabemos como é estar preso dentro de seu próprio território. Muitos pedem comunismo já, mas duvido que a grande maioria saiba como de fato funciona um país comunista. Para o post de hoje eu decidi fazer algumas perguntas ao Pawel, meu namorado, que nasceu na Polônia comunista e assistiu sua queda, seguida da lenta ascensão da democracia.
Eu pergunto a ele, por que o voto obrigatório "cheira a comunismo"?
Ele responde, "é o controle que o Estado exerce nos seus cidadãos, forçando que eles façam algo contra a sua vontade. Eu não acho que o voto jamais tenha sido obrigatório na Polônia, mas não faria diferença, tudo era manipulado pelo Estado, os resultados eram sempre aqueles desejados pelo partido que estava no poder."
Desi: Mas e a liberdade de expressão?
Pawel: Não existe algo assim no comunismo.
D: Por que não? O que aconteceria se as pessoas fossem às ruas protestar?
P: A polícia pararia tudo, interromperia a manifestação, bateria no povo, levaria os líderes para passar uma longa temporada na cadeia. No começo do comunismo na Polônia, a polícia facilmente mataria qualquer um que fosse contra o Estado, mais para o final ainda havia tortura, mas já não se matava mais ninguém por discordar das ideias comunistas.
D: Por que não?
P: O povo já estava sentindo que, mais cedo ou mais tarde, o comunismo veria sua queda e logo todos teriam que pagar pelos seus crimes.
D: Muitos pedem que o Brasil se torne comunista, o que você acha disso?
P: Eu acredito que, antes de pedir por uma mudança desse tipo, o povo precisa saber exatamente o que ela significa. O comunismo é uma "forma de governo", e talvez a única, que não hesita em matar seus próprios cidadãos. Pode ser lindo no papel, mas na prática é um regime que amedronta o povo e o despe de toda liberdade.
Na semana que vem vamos visitar a família na Polônia e vou aproveitar para entrevistar minha sogra e meu sogro e tentar entender um pouco como foi o comunismo para eles que cresceram nesse sistema.
Peço desculpas aos estudiosos do assunto, caso eu tenha usado alguma terminologia errada, sou leiga e admito, mas to tentando entender aquilo que quero poder criticar com mais propriedade.
Se você acha que meu namorado tem uma opinião única e muito parcial, te faço um convite, meu caro leitor. Venha para a Inglaterra passar uns dias e pergunte para qualquer pessoa do leste europeu se eles gostariam que seus países voltassem a ser comunistas. Quando você tiver a oportunidade de fazer isso, se ainda quiser conversar, tamos aí, beleza?
Na minha juventude li um pouco aqui e ali sobre comunismo e sempre achei a ideia boa, sempre ouvi dizer que funciona muito bem na teoria. Não existiria nada privatizado, tudo seria do povo e para o povo. Mas nós brasileiros não sabemos o que é ter um país massacrado por guerras durante séculos e mais séculos, não sabemos como é estar preso dentro de seu próprio território. Muitos pedem comunismo já, mas duvido que a grande maioria saiba como de fato funciona um país comunista. Para o post de hoje eu decidi fazer algumas perguntas ao Pawel, meu namorado, que nasceu na Polônia comunista e assistiu sua queda, seguida da lenta ascensão da democracia.
Eu pergunto a ele, por que o voto obrigatório "cheira a comunismo"?
Ele responde, "é o controle que o Estado exerce nos seus cidadãos, forçando que eles façam algo contra a sua vontade. Eu não acho que o voto jamais tenha sido obrigatório na Polônia, mas não faria diferença, tudo era manipulado pelo Estado, os resultados eram sempre aqueles desejados pelo partido que estava no poder."
Desi: Mas e a liberdade de expressão?
Pawel: Não existe algo assim no comunismo.
D: Por que não? O que aconteceria se as pessoas fossem às ruas protestar?
P: A polícia pararia tudo, interromperia a manifestação, bateria no povo, levaria os líderes para passar uma longa temporada na cadeia. No começo do comunismo na Polônia, a polícia facilmente mataria qualquer um que fosse contra o Estado, mais para o final ainda havia tortura, mas já não se matava mais ninguém por discordar das ideias comunistas.
D: Por que não?
P: O povo já estava sentindo que, mais cedo ou mais tarde, o comunismo veria sua queda e logo todos teriam que pagar pelos seus crimes.
D: Muitos pedem que o Brasil se torne comunista, o que você acha disso?
P: Eu acredito que, antes de pedir por uma mudança desse tipo, o povo precisa saber exatamente o que ela significa. O comunismo é uma "forma de governo", e talvez a única, que não hesita em matar seus próprios cidadãos. Pode ser lindo no papel, mas na prática é um regime que amedronta o povo e o despe de toda liberdade.
Na semana que vem vamos visitar a família na Polônia e vou aproveitar para entrevistar minha sogra e meu sogro e tentar entender um pouco como foi o comunismo para eles que cresceram nesse sistema.
Peço desculpas aos estudiosos do assunto, caso eu tenha usado alguma terminologia errada, sou leiga e admito, mas to tentando entender aquilo que quero poder criticar com mais propriedade.
Se você acha que meu namorado tem uma opinião única e muito parcial, te faço um convite, meu caro leitor. Venha para a Inglaterra passar uns dias e pergunte para qualquer pessoa do leste europeu se eles gostariam que seus países voltassem a ser comunistas. Quando você tiver a oportunidade de fazer isso, se ainda quiser conversar, tamos aí, beleza?
Alguns sites legais, se você se interessar:
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Brazil and its everlasting party
I said on my last post that, very soon, I would write my first post in English on this blog. Well, I guess it took me longer than I expected to convince myself to do it. And guess what, today's subject is Brazil.
Whenever I answer the question "where is your accent from?", reactions tend to vary from legitimate surprise to awkward disappointment. The first reaction is not rarely followed by comments on my skin colour, or on my blond hair. It is quite sad to see that that well-know stereotype makes people ask, a bit embarrassed, if my native language is Spanish, or if I know how to dance samba, or whether or not everyone in Brazil should be "tanned".
Please, don't get me wrong, I am not upset by that, I guess I could be, or maybe, depending on my patriotism, I should be. But I am not.
I remember when I first moved here. I used to think Poland was a big field of potatoes and pigs where all nation lived on farming; I used to think all Italians were part of the Italian Mafia and all French people stank. Nice, huh? And I do not dare say more about what I thought of other nations - it goes beyond the limits for rudeness. All those stereotypes I created, or was led to create, by having the information I had and not having the slightest curiosity to find out if any of that was true.
After a while living here I understand that second reaction too, disappointment. Some people expect me to be, due to my being very white and having a weak american accent, from America, Canada, or somewhere in Northern or Eastern Europe. And some other people, a little more educated, know that Brazil is not exactly an exotic paradise, and that Brazilians need a visa to be here. So, usually, that reaction in followed by questions such as "what brings you to England", "are you studying here", or "how long have you been here". It is then when it finally hurts to be struck by the stereotype, because for that I should thank all Brazilians that lived illegally here for so long.
I remember once, long time ago, a guy said, "so, basically, you are working here; then you plan to study here; then finally, with a couple of thousand pounds and an English degree, you will return to Brazil and build a life there. Long story short, you are using us." I thought if I said I plan on living here - until further notice - it would look like a better scenario. I was wrong.
It does not hurt me to see people caring about who comes to live in their country, I'm actually jealous. Maybe, if we were more like that in Brazil, we would be protesting against corruption. Protesting, not merely posting angry texts on facebook. I can hear some say "but it is a beginning." Is it? I honestly think we, the exotic people of Brazil, are not doing more than throw bananas at politicians and get those bananas back. In the end, we can't complain if people think Brazil is some sort of giant Ibiza. But come, by all means, you are all invited to our big party! I just hope, one day, this party will end.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Um grito tardio de rebeldia
Pois é, dia 12 agora fez um mês que voltei da minha visitinha do Brasil. Nem comentei nada aqui porque tinha coisas mais legais para contar, mas agora que o papo da Suíça acabou e que adiei já bastante para olhar para minhas conclusões mais imediatas sobre a viagem com mais serenidade, acho que vale comentar algumas coisas.
Por exemplo. Minha primeira semana no Brasil foi dedicada a fazer um check-up completo da minha saúde. Não por me sentir doente nem nada, mas porque aqui não confio nos médicos com quem me consultei quando tive problemas e acalma um pouco saber que você não voltou de um país de primeiro mundo bichada. As expectativas com os profissionais eram grandes e, obviamente, fechei minhas três semanas muito decepcionada. Característica geral que bateu de cara foi a arrogância. Passei por três médicos aqui, todos clínicos gerais, todos bem educados, bem profissionais e jamais arrogantes. Todo brasileiro sabe que passar em medicina numa universidade federal é uma honra. E os níveis de dificuldade não só assustam os não tão bem-nascidos, tanto social quanto geneticamente, como também aqueles que se dedicam aos estudos a vida inteira. Não sei como funciona o curso aqui, mas sei que respeito é uma coisa que não faltava no consultório dos médicos que me atenderam. Minha pior experiência foi, de longe, com o cardiologista. Seguindo recomendações de uma pessoa de confiança, marquei consulta com o Dr. Fulano do hospital cardiológico constantini pelo meu plano de saúde, a sul américa. Conviver com outra cultura te força a adquirir hábitos muito diferentes daqueles da sua cultura materna, no meu caso, um destes é chegar na hora. Para que eu fui fazer isso meu deus? Para esperar uma hora para ser atendida. Aí o excelentíssimo médico, já que não era culpa dele, esperou sentadinho por uma hora e sequer checou se o paciente tinha chegado, e, mais tarde sequer se deu ao trabalho de pedir desculpas pela inconveniência que foi, para mim, esquentar a cadeira da recepção durantes grosseiros 60 minutos de atraso. Muito bem, enquanto consultava ele quis saber meus motivos para pedir um check-up e foi adicionando informações irrelevantes num tom super arrogante sobre suas próprias experiências, não tãos boas, enquanto estudante na França. Eu já de saco cheio, assim que ficou tudo explicadinho e ele me entregou as requisições, o filho da puta ainda me dá um cartão e diz "aqui está o meu telefone pessoal, porque médico na inglaterra não faz isso, não é mesmo?"
Ok. Marquei os exames no próprio hospital constantini e esperei, mais uma vez, uma hora, para ser atendida pela esposa do senhor doutor. Médica já mais educada, pediu desculpas mas disse, mesmo assim, que não era culpa dela. Dona moça, me diga, que que eu estou cagando e andando para saber de quem é a culpa? Me cago para o culpado, quero um pedido de desculpas, um excelente atendimento e uma garantia de que isso não mais se repetirá - porque se se repetir eu mando uma reclamação para o seu chefe. Aí, nessa hora, meus leitores caem na gargalhada, porque pedir isso é o mesmo que aceitar de um político a promessa de não se corromper. Mas aqui não. Aqui a coisa funciona. Claro que tem um monte de coisa errada e pé no saco, mas em geral, as coisas funcionam.
Na última consulta com o cardiologista, já tinha chegado no limite da minha paciência, então, esperar mais uma vez uma hora foi inaceitável. Entrei bufando, sem grosseria, mas sendo seca e direta. E não é que aquele corno manso se enche de orgulhinho e diz que eu não tenho motivos para falar asperamente, que minha consulta era um encaixe que eu tive muita sorte de conseguir! Mas vá para a puta que pariu! Fiz aquele merda me atender em 10 minutos, chequei com minha outra médica a receita de uma medicação que ele me deu e descobri uma superdose que poderia me fazer muito mal e decidi escrever um post em inglês neste blog, pela primeira vez. E não é óbvio o porquê?
Quem leu isso e se indignou, com certeza não se surpreendeu. Isso porque nós, brasileiros, estamos acostumados a ser tratados sem respeito, como se fôssemos lixo. Se o médico fica com raiva de ser pago uma merreca pelo plano de saúde, ele deveria ter o mínimo de educação para não destratar seu paciente, já que é o dinheiro do paciente que põe comida na mesa do médico e é o médico que decide se afiliar ou não a planos de saúde. É uma vergonha que tenhamos que aceitar o tratamento que recebemos e que, na hora de exigir algo melhor, sejamos vistos como rebeldes, como pessoas sem educação. Porque se você roda a baiana é porque não tem elegância, mas se abaixa a cabeça é porque não tem opinião? Quem sabe se eu contasse isso numa língua mais acessível alguém lia e nos ajudava a fazer alguma coisa para isso mudar... Será esperança demais? Não pretendo viver no Brasil do futuro, mas isso não me impede de desejar ardentemente, de rezar com fé, de querer que o meu país mude para melhor e de acreditar que isso seja possível.
Por exemplo. Minha primeira semana no Brasil foi dedicada a fazer um check-up completo da minha saúde. Não por me sentir doente nem nada, mas porque aqui não confio nos médicos com quem me consultei quando tive problemas e acalma um pouco saber que você não voltou de um país de primeiro mundo bichada. As expectativas com os profissionais eram grandes e, obviamente, fechei minhas três semanas muito decepcionada. Característica geral que bateu de cara foi a arrogância. Passei por três médicos aqui, todos clínicos gerais, todos bem educados, bem profissionais e jamais arrogantes. Todo brasileiro sabe que passar em medicina numa universidade federal é uma honra. E os níveis de dificuldade não só assustam os não tão bem-nascidos, tanto social quanto geneticamente, como também aqueles que se dedicam aos estudos a vida inteira. Não sei como funciona o curso aqui, mas sei que respeito é uma coisa que não faltava no consultório dos médicos que me atenderam. Minha pior experiência foi, de longe, com o cardiologista. Seguindo recomendações de uma pessoa de confiança, marquei consulta com o Dr. Fulano do hospital cardiológico constantini pelo meu plano de saúde, a sul américa. Conviver com outra cultura te força a adquirir hábitos muito diferentes daqueles da sua cultura materna, no meu caso, um destes é chegar na hora. Para que eu fui fazer isso meu deus? Para esperar uma hora para ser atendida. Aí o excelentíssimo médico, já que não era culpa dele, esperou sentadinho por uma hora e sequer checou se o paciente tinha chegado, e, mais tarde sequer se deu ao trabalho de pedir desculpas pela inconveniência que foi, para mim, esquentar a cadeira da recepção durantes grosseiros 60 minutos de atraso. Muito bem, enquanto consultava ele quis saber meus motivos para pedir um check-up e foi adicionando informações irrelevantes num tom super arrogante sobre suas próprias experiências, não tãos boas, enquanto estudante na França. Eu já de saco cheio, assim que ficou tudo explicadinho e ele me entregou as requisições, o filho da puta ainda me dá um cartão e diz "aqui está o meu telefone pessoal, porque médico na inglaterra não faz isso, não é mesmo?"
Ok. Marquei os exames no próprio hospital constantini e esperei, mais uma vez, uma hora, para ser atendida pela esposa do senhor doutor. Médica já mais educada, pediu desculpas mas disse, mesmo assim, que não era culpa dela. Dona moça, me diga, que que eu estou cagando e andando para saber de quem é a culpa? Me cago para o culpado, quero um pedido de desculpas, um excelente atendimento e uma garantia de que isso não mais se repetirá - porque se se repetir eu mando uma reclamação para o seu chefe. Aí, nessa hora, meus leitores caem na gargalhada, porque pedir isso é o mesmo que aceitar de um político a promessa de não se corromper. Mas aqui não. Aqui a coisa funciona. Claro que tem um monte de coisa errada e pé no saco, mas em geral, as coisas funcionam.
Na última consulta com o cardiologista, já tinha chegado no limite da minha paciência, então, esperar mais uma vez uma hora foi inaceitável. Entrei bufando, sem grosseria, mas sendo seca e direta. E não é que aquele corno manso se enche de orgulhinho e diz que eu não tenho motivos para falar asperamente, que minha consulta era um encaixe que eu tive muita sorte de conseguir! Mas vá para a puta que pariu! Fiz aquele merda me atender em 10 minutos, chequei com minha outra médica a receita de uma medicação que ele me deu e descobri uma superdose que poderia me fazer muito mal e decidi escrever um post em inglês neste blog, pela primeira vez. E não é óbvio o porquê?
Quem leu isso e se indignou, com certeza não se surpreendeu. Isso porque nós, brasileiros, estamos acostumados a ser tratados sem respeito, como se fôssemos lixo. Se o médico fica com raiva de ser pago uma merreca pelo plano de saúde, ele deveria ter o mínimo de educação para não destratar seu paciente, já que é o dinheiro do paciente que põe comida na mesa do médico e é o médico que decide se afiliar ou não a planos de saúde. É uma vergonha que tenhamos que aceitar o tratamento que recebemos e que, na hora de exigir algo melhor, sejamos vistos como rebeldes, como pessoas sem educação. Porque se você roda a baiana é porque não tem elegância, mas se abaixa a cabeça é porque não tem opinião? Quem sabe se eu contasse isso numa língua mais acessível alguém lia e nos ajudava a fazer alguma coisa para isso mudar... Será esperança demais? Não pretendo viver no Brasil do futuro, mas isso não me impede de desejar ardentemente, de rezar com fé, de querer que o meu país mude para melhor e de acreditar que isso seja possível.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Suíça, c'est fini!
Ta, como eu tinha dito, o último dia não foi assim muito interessante. Visitamos o Alimentarium, um museu muito interativo não sei se da Nestlé ou pelo menos patrocinado por ela, na cidade de Vevey. E depois nos mandamos para o aeroporto em Genebra, porque estávamos já meio de saco cheio de carregar a mala pra lá e pra cá e tínhamos que fazer o check-in duas horas antes de qualquer maneira.
Bom, o apanhado que eu queria fazer era sobre essa minha primeira experiência de verdade de fazer turismo. Tá, tá, eu sei que fiz turismo em Oxford, Cracóvia e Praga, mas nesses lugares não tinha a grande barreira que é não saber o idioma (lembrem-se que o boy tem como língua nativa o polonês e o checo não é tão distante para ele quanto o francês é para falantes nativos de português). Tudo bem que Genebra é muito multicultural, mas mesmo assim, nem todos falam inglês e nem todos estão dispostos a tentar compreender os estrangeiros. Claro que, comparado com o que me falam dos parisienses, Genebra foi um show de hospitalidade, o que não muda o nível de dificuldade para marinheiros de (quase) primeira viagem.
Mas erros são importantes, principalmente para nos incentivar a buscar alternativas para evitar problemas que surgem no decorrer do planejamento - e que surgirão pela falta dele.
Primeira coisa, nunca use guias de viagem como principal fonte de informação, sempre tenha internet acessível e celular com bateria. Para tanto, procure saber como fica para usar seu celular no país estrangeiro e verifique se o hotel tem wifi e se está incluso na estadia. Se não, consiga um ou dois mapas da cidade - cada mapa mostra com mais fidelidade um ou outro lugar, então, na ausência de internet, é bom se prevenir para evitar se perder. Vá ao cyber café e imprima ou anote ou tire fotos das informações mais relevantes, por exemplo, transporte público que te leve de volta ao hotel, localização de mercados próximos ao hotel e seu horário de funcionamento (no caso de você ter um limite de gastos e precisar comer onde é mais em conta), câmbios (no caso de você precisar trocar dinheiro), horário de funcionamento de pontos turísticos e localização dos mesmos (facilita muito saber qual o melhor lugar para ver primeiro e por último na hora de planejar seu dia).
Na hora de escolher o hotel sempre preste atenção na opinião de outros turistas. Leia o que fez os fulanos darem uma nota ruim e o que fez beltranos darem nota boa a determinado lugar (só conheço bem o www.tripadvisor.com mas sei que há outras fontes disponíveis). Sobre o tripadvisor, vale dar uma checada no que a wikipedia tem a dizer, afinal, sempre é bom ver a quem o site pertence e quem eles querem favorecer. Sei que o tripadvisor tem muita coisa legal e útil, mas sempre tenha isso em mente na hora de visitar quaisquer sites e ler revistas. Se pergunte o que aquela compania ou aquele grupo quer vender e qual é o público alvo deles. Isso vai te ajudar muito na hora de não fazer a cagada que nós fizemos e sair confiando em guia de viagem (no nosso caso foi o lonelyplanet, http://www.lonelyplanet.com/).
O que mais... Ah, procure saber valores com antecedência. Não só quanto custa o metrô ou o museu ou o hotel. Cada lugar tem valores culturais diferentes. Se o que é caro para o curitibano pode ser barato para o carioca, imagine o abismo que separa os países! Um jantar acessível para o genebrino (acho que o correto é genebrês, mas não consigo, é muito feio), para mim é uma facada! Claro que não descobri isso até ter que comer fora umas duas, três vezes, mas é possível descobrir essas coisas antes da água bater na bunda. Preço de comida no restaurante, de entrada nos pontos turísticos, de passagem de trem, e até de lembrancinhas, foi o que nos fez mais falta. Acabamos gastando uma grana sem necessidade que podíamos ter deixado guardada. O que me faz lembrar... SEMPRE tenha uma reserva no banco. E, por conseguinte, NÃO ESQUEÇA de levar o cartão para viajar com você.
Sei que muita coisa vai ser bem óbvia para quem viaja com frequência ou para quem é mais esperto do que nós fomos, mas enfim, melhor prevenir né... Os erros foram uma das primeiras coisas que percebemos nessa viagem, uma pena, mas ao menos serviram para nos dar um ponto de partida para a próxima. Acho que, apesar disso, ver um pouquinho da Suíça foi um ótimo início para nós, dois desavisados. Vimos paisagens lindas, museus intermináveis, e tivemos o prazer de conhecer outra cultura, ainda que superficialmente, o que, para mim, está acima de qualquer catedral, castelo ou montanha. Daqui dois meses veremos se estamos prontos para a próxima...
Bom, o apanhado que eu queria fazer era sobre essa minha primeira experiência de verdade de fazer turismo. Tá, tá, eu sei que fiz turismo em Oxford, Cracóvia e Praga, mas nesses lugares não tinha a grande barreira que é não saber o idioma (lembrem-se que o boy tem como língua nativa o polonês e o checo não é tão distante para ele quanto o francês é para falantes nativos de português). Tudo bem que Genebra é muito multicultural, mas mesmo assim, nem todos falam inglês e nem todos estão dispostos a tentar compreender os estrangeiros. Claro que, comparado com o que me falam dos parisienses, Genebra foi um show de hospitalidade, o que não muda o nível de dificuldade para marinheiros de (quase) primeira viagem.
Mas erros são importantes, principalmente para nos incentivar a buscar alternativas para evitar problemas que surgem no decorrer do planejamento - e que surgirão pela falta dele.
Primeira coisa, nunca use guias de viagem como principal fonte de informação, sempre tenha internet acessível e celular com bateria. Para tanto, procure saber como fica para usar seu celular no país estrangeiro e verifique se o hotel tem wifi e se está incluso na estadia. Se não, consiga um ou dois mapas da cidade - cada mapa mostra com mais fidelidade um ou outro lugar, então, na ausência de internet, é bom se prevenir para evitar se perder. Vá ao cyber café e imprima ou anote ou tire fotos das informações mais relevantes, por exemplo, transporte público que te leve de volta ao hotel, localização de mercados próximos ao hotel e seu horário de funcionamento (no caso de você ter um limite de gastos e precisar comer onde é mais em conta), câmbios (no caso de você precisar trocar dinheiro), horário de funcionamento de pontos turísticos e localização dos mesmos (facilita muito saber qual o melhor lugar para ver primeiro e por último na hora de planejar seu dia).
Na hora de escolher o hotel sempre preste atenção na opinião de outros turistas. Leia o que fez os fulanos darem uma nota ruim e o que fez beltranos darem nota boa a determinado lugar (só conheço bem o www.tripadvisor.com mas sei que há outras fontes disponíveis). Sobre o tripadvisor, vale dar uma checada no que a wikipedia tem a dizer, afinal, sempre é bom ver a quem o site pertence e quem eles querem favorecer. Sei que o tripadvisor tem muita coisa legal e útil, mas sempre tenha isso em mente na hora de visitar quaisquer sites e ler revistas. Se pergunte o que aquela compania ou aquele grupo quer vender e qual é o público alvo deles. Isso vai te ajudar muito na hora de não fazer a cagada que nós fizemos e sair confiando em guia de viagem (no nosso caso foi o lonelyplanet, http://www.lonelyplanet.com/).
O que mais... Ah, procure saber valores com antecedência. Não só quanto custa o metrô ou o museu ou o hotel. Cada lugar tem valores culturais diferentes. Se o que é caro para o curitibano pode ser barato para o carioca, imagine o abismo que separa os países! Um jantar acessível para o genebrino (acho que o correto é genebrês, mas não consigo, é muito feio), para mim é uma facada! Claro que não descobri isso até ter que comer fora umas duas, três vezes, mas é possível descobrir essas coisas antes da água bater na bunda. Preço de comida no restaurante, de entrada nos pontos turísticos, de passagem de trem, e até de lembrancinhas, foi o que nos fez mais falta. Acabamos gastando uma grana sem necessidade que podíamos ter deixado guardada. O que me faz lembrar... SEMPRE tenha uma reserva no banco. E, por conseguinte, NÃO ESQUEÇA de levar o cartão para viajar com você.
Sei que muita coisa vai ser bem óbvia para quem viaja com frequência ou para quem é mais esperto do que nós fomos, mas enfim, melhor prevenir né... Os erros foram uma das primeiras coisas que percebemos nessa viagem, uma pena, mas ao menos serviram para nos dar um ponto de partida para a próxima. Acho que, apesar disso, ver um pouquinho da Suíça foi um ótimo início para nós, dois desavisados. Vimos paisagens lindas, museus intermináveis, e tivemos o prazer de conhecer outra cultura, ainda que superficialmente, o que, para mim, está acima de qualquer catedral, castelo ou montanha. Daqui dois meses veremos se estamos prontos para a próxima...
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Montreux tirando o fôlego
Na noite em que chegamos a Montreux, conversando com o recepcionista e
dono do hotel, decidimos pegar um trem que vai até a Rochers de Naye, que são o
começo dos alpes suíços. Como chegamos fora da temporada - por incrível que
pareça a temporada de inverno já tinha acabado e tinha muita coisa fechada -
não sobraram muitas opções. Mas o trem funciona o ano inteiro. Sobe muita gente
para praticar esportes como esqui e snowboard o dia todo, e o trem vai até a
parte mais alta da montanha, o que dá a possibilidade aos turistas de ir até o
mirante bem no alto. A pé.
Que dó de mim. Eu pensando bem contente que ia poder esquiar, que ia ser
bem fácil e que eu estava bem preparada para o frio e para o esporte. Ai que
dó.
Bom, a subida de trem foi linda, tirei inúmeras fotos e a vontade de
curtir a neve ia só aumentando. Daí chegamos lá em cima. Frio. Vento. Fácil
fácil meio metro de neve. E o tempo inteiro o namorado dizendo, olha que neve
demais não é tão divertido assim, é cansativo, você vai ver, vai com calma que
você ta sem preparo físico pra esquiar. Quem me conhece sabe que eu sou muito
teimosa e a minha imaginação falou mais alto. Lá fui eu, enrolada no cachecol,
subir uma parede/colina de neve para chegar ao mirante. Sem calçado próprio só
fiz escorregar, e vencer dois metros de escalada era muito difícil com neve até
a perereca. De verdade, já comecei a rir nesse início aí. Não teve como, levei
um tapa tão forte que tive que cair na gargalhada. O que é que eu esperava? Que
eu fosse escorregar pra cima? Que a neve ia ser dura e não ia afundar? Que o
vento seria uma brisinha de verão?
Cheguei no mirante e sentei, podre. Toda ranhenta, suada, perdi de
lavada pra neve. Quem vê a foto toda sorridente deve pensar que eu cheguei lá
em cima voando, de certo!, que nada, tava era acabada. Perdi as contas de
quantas vezes tentei arrumar o cachecol para proteger do vento um pouco mais.
Era um tal de tirar a luva para bater foto com o celular, e botar a luva de
novo. Ai que saco!
Claro que valeu a pena. Se tem um momento da minha viagem toda que eu
congelei - quase que literalmente - na minha memória foi este. Foi ver as
montanhas de cima do mirante. Parecia tão de mentira que acho que as fotos
foram muito mais para que, mais tarde, quando eu lembrasse daquela beleza toda,
pudesse também comprovar para mim mesma que aconteceu. Sei que deve soar como
um puta exagero, mas um ano atrás eu nem sonhava em ver neve! Imagina ver
aqueles picos nevados que o Hemingway viu também! Nossa cara, é muito
emocionante...
Depois disso voltamos, quase esquiando com as nádegas, tomar uma bebida
quente no café da estação e pegamos já o próximo trem para voltar a Montreux
(para aquela cama maravilhosa meu deus!!!). No meio do caminho, em Caux,
paramos para patinar numa pista de gelo natural. Ai essa ideia que a turista
aqui tem que a pista de gelo ia ser num lago, devo ter visto muito desenho da
Disney... Era num campinho de futebol... Ta bom né, acho que mais seguro do que
num lago, pensando bem. Passados aqueles quinze minutos inicias que os noobs
sempre precisam para acostumar com uma atividade que, no fundo, eles não sabem,
mas pensam que sabem, o resto das pessoas foi embora - devíamos ter muita cara
de acidente de percurso - e ficamos só nós dois patinando quase até escurecer.
Antes de contar sobre o dia seguinte, preciso me corrigir. No último
post disse que chegamos a Montreux no domingo, mas chegamos, na verdade, no
sábado. Fomos a Rochers de Naye, portanto, no domingo - um domingo muito
ensolarado, diga-se de passagem. Então o dia seguinte era uma segunda, o pior
dia para o turista. Por quê? Porque museu fecha. Mas estávamos dando muita sorte em Montreux, já que no domingo abria um dos lugares
mais visitados por lá, o Castelo de Chillon. Bem simpático e bem charmoso, mas acho que ouvimos falar tanto desse lugar que esperávamos mais. Sem falar que o dia estava horrível, tinha uma névoa densa ao redor das montanhas e estava úmido e frio.
Falta ainda contar do último dia, que não foi assim tão interessante, e fazer um apanhado da viagem como um todo. Mas fico em dívida. Pago em breve, prometo!
quarta-feira, 13 de março de 2013
Um pouquinho de Genebra
Depois de
acomodados no hotel, munidos de alguns folhetos com informações aos turistas,
do guia que tínhamos trazido de casa e, mais importante de tudo, de internet,
fomos pesquisar museus e lugares interessantes para ver e visitar. Quem gosta
de museu sabe que não dá pra visitar muito rápido porque não dá tempo de ver
nada. Eles são grandes, tem muitas exposições interessantes e, assim, mesmo que
você não leia as informações do lado das pinturas e esculturas (o que é o meu
caso), tem imagens tão bonitas que você quer ficar olhando até cansar de olhar.
Só que museu tem hora para abrir e para fechar, geralmente entre 9h ou 10h e
17h ou 18h. Isso quando não fecham para almoço. O jeito era almoçar rapidinho
entre um museu e outro e não ver nada muito distante, se não era tempo perdido
com trajeto. No segundo dia, portanto, como estávamos podres e não conseguimos
acordar muito cedo, vimos um parque e três museus. Todos eram muito bonitos
(principalmente o Patek Phillipe,
museu sobre os relógios – único que não pudemos tirar fotos, já que não é do
governo) e não teve um que deixamos sem pensar que não tivemos tempo
suficiente. Mas fazer o que se museu não abre de noite...
Comemos num
lugar muito legal e até que não tão caro, voltamos pro hotel cansados,
planejamos o terceiro dia, nos aprontamos para o check-out e capotamos.
No dia
seguinte deixamos a mala na recepção e nos mandamos para a Cidade Velha, que é
onde fica a Catedral de São Pedro e mais alguns museus que queríamos ver. A ideia era
ver três lugares e depois pegar o bonde para o outro lado da cidade e ver o
Museu da Cruz Vermelha e a antiga sede da ONU. Acho que era mais de duas da
tarde quando terminamos o terceiro lugar. Fomos até o parque onde fica o
Palácio das Nações mas nos perdemos e acabamos chegando tarde demais para o
restante. Descobrimos que o Museu da Cruz Vermelha está fechado para reforma –
e vai ficar fechado por um bom tempo – e sentamos na frente do Museu Ariana
para comer e decidir qual seria a próxima parada. Ver mais um museu, e ter que
ver tudo em uma hora, não era parte do plano e ainda tínhamos que voltar para o
hotel pegar a mala e em seguida pegar o trem para Montreux, nossa próxima
parada. A fachada do museu é linda e deu uma dor no coração de entrar só por
entrar e fazer tudo correndo... No fim das contas não entramos e seguimos o
resto dos planos. Depois de escutar duas russas tagarelando por o que pareceu
uma eternidade mas foi só uma hora, chegamos em Montreux.
Tinha
nevado e, como as ruas são bem antigas, tivemos que andar devagar e com
cuidado com a mala pesada para não resbalar no chão escorregadio. A cidade é
linda até de noite, estava quase tudo fechado e deserto, já que era domingo,
então pudemos prestar mais atenção aos prédios e às praças. Achamos o hotel com
facilidade e tivemos a agradável surpresa de ficar num dos quartos de frente
para o lago, uma vez que não era temporada e o hotel estava vazio. Jantamos
por perto e voltamos para cair direto numa cama muito confortável e passar a
noite mais fria do ano enfiados nas cobertas sem fazer ideia de que lá fora
fazia -13...
segunda-feira, 11 de março de 2013
Cold french politeness my ass!
Como eu ia contando, a gente esqueceu completamente de checar o tripadvisor e não vimos também nenhum outro fórum de viagens. Aí, na hora de escolher os hotéis, fizemos tudo direto pelo http://www.trivago.co.uk/ e só vimos preços, localização e se o café da manhã estava incluso ou não. O resultado foi muito divertido.
Pertinho da estação mais central de bonde, ônibus e trem, foi bem fácil achar o hotel onde ficamos nas duas primeiras noites, em Genebra. Chegando, a pé (pobre é foda), a primeira coisa que chamou nossa atenção foi uma puta muito feia, daquelas nível Cruz Machado, nãaaao, nível Gato Preto (ainda existe?), atravessando a rua na frente do hotel - às 11 da manhã. A entrada do Nashville era bonita, tudo bem iluminado - só pra completar o contraste com as nossas caras amassadas - e já tinha rendido uma pontuação. Mas pra que falar! Tinha um casal só na nossa frente, mas o tiozinho no balcão se enrolou, se enrolou, se enrolou, e a gente podre, cansado, mal dormido, com fome, de mau humor... Daí chega a nossa vez! Ah que alegria! Segue-se a conversa:
"Oi seu tio, nós temos uma reserva no nome de Fulana P(sobrenome italiano)."
"Passaportes, por favor" (passo os passaportes) "Ahh, Fulana P., você é italiana?" (meu pensamento: você ta ligado que esse aí na sua mão é o meu passaporte, né?!?!)
"Ahm, não. Sou brasileira..."
"Ah..." (suuuuuuuuuuper decepcionaaaaado)
Pausa! Já não gostei. Não gosto quando as pessoas não prestam atenção quando é parte do trabalho delas prestar atenção. Sem falar que achei falta de respeito do cara, com a porra do meu passaporte italiano na mão, nem para olhar a nacionalidade, nem pra usar o cérebro na hora de ler meu nome e pensar "ah, não soa italiano, então deixa eu checar primeiro". Um detalhe bem relevante é que o hotel já estava pago, coisa que não recomendo ninguém fazer com hotel. Paguem sempre depois de usar e deixem o dinheiro reservado desde o começo, se não você perde a conta e gasta a mais. A conversa continua, mais seca e sem muito interesse da parte do seu tio.
"Então, a gente tem uma reserva..."
"Ah, sim, sim, mas o check-in é só às 3 da tarde e o quarto ainda não está pronto."
A gente se olha já meio triste... Eram 11 horas da manhã... Daí o Pawel pergunta se podemos deixar as malas e o tiozinho concorda. O hotel não estava nem metade cheio! Simples falta de boa vontade! Mas tem mais:
"Eu preciso que vocês paguem 70 francos, digo, 60 francos na entrada, que serão devolvidos no final da sua estadia"
Na minha cabeça ecoou um "POR QUÊ?" bem estúpido. Mas eu só olhei pro Pawel com uma cara de "ai, foda-se, paga aí que depois a gente pega de volta, to sem saco pra discutir com esse filho da puta."
All done, deixamos as malas lá e fomos passear.
Mais cansados ainda e com aquele humor do cão de quem dormiu uma hora na noite anterior, umas 5 horas mais tarde voltamos ao hotel e lá estava o mesmo atendente. Grudamos no balcão e eu falo, com o mesmo atendente:
"Então, seu tio, a gente veio mais cedo fazer o check-in e gostaríamos de ir para o nosso quarto agora que já deu o horário =)"
Nisso percebi que ele devia estar sonhando com croissants quando me dirigi a ele, porque ele pareceu acordar e se ligar de repente, do nada!, que tinham duas pessoas na frente dele querendo a porra da chave para o quarto que já estava, inclusive, pago.
"Ah, sim, sim! Mas antes eu preciso que vocês paguem 70, digo, 60, 60 francos na entrada, que..."
"Eu já paguei" (PORRA!!!!!!!!!!!)
Essa foi demais. O mesmo atendente me fazendo a mesma pergunta! Porra, nem pra prestar atenção!
Enfim, fomos dormir, e de noite demos mais umas voltas. Demos de cara com umas vitrines vivas muito de família, com moças muito simpáticas (essa parte não é sarcasmo) vestidas em lingeries de muito bom gosto. Nas esquinas tinham altos sex shops e uns caras muito estranhos parados em grupos, conversando o dia todo. Senhor...
Com relação ao hotel ficamos mais felizes ainda quando descobrimos que o wifi era pago e que era um facada. O frigobar estava quebrado, aquecedor funcionava mais ou menos, a iluminação do quarto era ruim e o quarto bem pequeno. Mas tinham pontos positivos. Banheiro bem limpo e confortável, quarto também limpo, roupa de cama impecável e a cama, meu pai que cama boa...
Daí, estirada na cama, resolvi ler as reviews no tripadvisor e tirar a dúvida. Sim, estávamos num distrito de prostituição. Sim, a opinião geral é que os recepcionistas são grossos ou incompetentes. (Ufa, não sou só eu). Li um comentário, tinha que ser uma italiana, dizendo que os recepcionistas trataram ela com uma cold french politeness típica da região! Sabe o que, deixa... O preço ainda é um dos melhores, então pra que reclamar e passar raiva? Quando conto essa história dou é muita risada!
Pertinho da estação mais central de bonde, ônibus e trem, foi bem fácil achar o hotel onde ficamos nas duas primeiras noites, em Genebra. Chegando, a pé (pobre é foda), a primeira coisa que chamou nossa atenção foi uma puta muito feia, daquelas nível Cruz Machado, nãaaao, nível Gato Preto (ainda existe?), atravessando a rua na frente do hotel - às 11 da manhã. A entrada do Nashville era bonita, tudo bem iluminado - só pra completar o contraste com as nossas caras amassadas - e já tinha rendido uma pontuação. Mas pra que falar! Tinha um casal só na nossa frente, mas o tiozinho no balcão se enrolou, se enrolou, se enrolou, e a gente podre, cansado, mal dormido, com fome, de mau humor... Daí chega a nossa vez! Ah que alegria! Segue-se a conversa:
"Oi seu tio, nós temos uma reserva no nome de Fulana P(sobrenome italiano)."
"Passaportes, por favor" (passo os passaportes) "Ahh, Fulana P., você é italiana?" (meu pensamento: você ta ligado que esse aí na sua mão é o meu passaporte, né?!?!)
"Ahm, não. Sou brasileira..."
"Ah..." (suuuuuuuuuuper decepcionaaaaado)
Pausa! Já não gostei. Não gosto quando as pessoas não prestam atenção quando é parte do trabalho delas prestar atenção. Sem falar que achei falta de respeito do cara, com a porra do meu passaporte italiano na mão, nem para olhar a nacionalidade, nem pra usar o cérebro na hora de ler meu nome e pensar "ah, não soa italiano, então deixa eu checar primeiro". Um detalhe bem relevante é que o hotel já estava pago, coisa que não recomendo ninguém fazer com hotel. Paguem sempre depois de usar e deixem o dinheiro reservado desde o começo, se não você perde a conta e gasta a mais. A conversa continua, mais seca e sem muito interesse da parte do seu tio.
"Então, a gente tem uma reserva..."
"Ah, sim, sim, mas o check-in é só às 3 da tarde e o quarto ainda não está pronto."
A gente se olha já meio triste... Eram 11 horas da manhã... Daí o Pawel pergunta se podemos deixar as malas e o tiozinho concorda. O hotel não estava nem metade cheio! Simples falta de boa vontade! Mas tem mais:
"Eu preciso que vocês paguem 70 francos, digo, 60 francos na entrada, que serão devolvidos no final da sua estadia"
Na minha cabeça ecoou um "POR QUÊ?" bem estúpido. Mas eu só olhei pro Pawel com uma cara de "ai, foda-se, paga aí que depois a gente pega de volta, to sem saco pra discutir com esse filho da puta."
All done, deixamos as malas lá e fomos passear.
Mais cansados ainda e com aquele humor do cão de quem dormiu uma hora na noite anterior, umas 5 horas mais tarde voltamos ao hotel e lá estava o mesmo atendente. Grudamos no balcão e eu falo, com o mesmo atendente:
"Então, seu tio, a gente veio mais cedo fazer o check-in e gostaríamos de ir para o nosso quarto agora que já deu o horário =)"
Nisso percebi que ele devia estar sonhando com croissants quando me dirigi a ele, porque ele pareceu acordar e se ligar de repente, do nada!, que tinham duas pessoas na frente dele querendo a porra da chave para o quarto que já estava, inclusive, pago.
"Ah, sim, sim! Mas antes eu preciso que vocês paguem 70, digo, 60, 60 francos na entrada, que..."
"Eu já paguei" (PORRA!!!!!!!!!!!)
Essa foi demais. O mesmo atendente me fazendo a mesma pergunta! Porra, nem pra prestar atenção!
Enfim, fomos dormir, e de noite demos mais umas voltas. Demos de cara com umas vitrines vivas muito de família, com moças muito simpáticas (essa parte não é sarcasmo) vestidas em lingeries de muito bom gosto. Nas esquinas tinham altos sex shops e uns caras muito estranhos parados em grupos, conversando o dia todo. Senhor...
Com relação ao hotel ficamos mais felizes ainda quando descobrimos que o wifi era pago e que era um facada. O frigobar estava quebrado, aquecedor funcionava mais ou menos, a iluminação do quarto era ruim e o quarto bem pequeno. Mas tinham pontos positivos. Banheiro bem limpo e confortável, quarto também limpo, roupa de cama impecável e a cama, meu pai que cama boa...
Daí, estirada na cama, resolvi ler as reviews no tripadvisor e tirar a dúvida. Sim, estávamos num distrito de prostituição. Sim, a opinião geral é que os recepcionistas são grossos ou incompetentes. (Ufa, não sou só eu). Li um comentário, tinha que ser uma italiana, dizendo que os recepcionistas trataram ela com uma cold french politeness típica da região! Sabe o que, deixa... O preço ainda é um dos melhores, então pra que reclamar e passar raiva? Quando conto essa história dou é muita risada!
quarta-feira, 6 de março de 2013
Suíça nos desvirginando
Faz tempo, eu sei, mas era tanta coisa pra contar da Suíça que acabei adiando e adiando e agora já faz quase um mês. Vamos ao começo. Foi a nossa primeira viagem juntos (minha e do Pawel) para um lugar onde nenhum da nós dois falava a língua, e para ficar tanto tempo (6 dias, 5 noites). Para marinheiros de primeira viagem até que não fizemos tão feio. Erros por conta da pressa e da inexperiência foram, por exemplo, esquecer de checar o tripadvisor, não nos informar sobre o uso do celular fora do país, não comprar mapas assim que chegamos, e por aí vai.
Uma colega do boy tinha mencionado para ele que Genebra era cara, mas nunca pensamos que seria tão cara. Não estou me referindo a compras, programa típico do brasileiro quando vai para fora, mas à comida, aos hotéis. Na verdade mais à comida. Imagina comer uma pizza pequena, para uma pessoa, e gastar quinze francos - trinta reais meu povo. Isso sem contar bebida, daí já sobe mais um pouco. E pense uma porção de fritas pequena, dez reais. Um sanduíche dezesseis. Isso aumentou nossos gastos, e muito, já que para aguentar pernear o dia todo a gente tinha que comer pelo menos 2, 3 vezes, e comer bem.
Depois que voltamos, conversando com conhecidos, ficamos sabendo que era só atravessar a fronteira com a França e comer lá que tudo se resolvia, lá é mais barato. Mas quem é que imagina uma coisa dessas! Quem lê e se informa. E nada de comprar guias e se basear neles. Esses só são úteis no começo da pesquisa, depois vão ficando muito limitados. Sem falar que a maior parte dos hotéis e restaurantes mais acessíveis não consta em nenhuma das seções do guia. Mas esse foi só um lado da nossa viagem. Teve muito mais coisa engraçada e frustrante, mas fica pra outro dia que ta doendo a cabeça de pensar em português...
Uma colega do boy tinha mencionado para ele que Genebra era cara, mas nunca pensamos que seria tão cara. Não estou me referindo a compras, programa típico do brasileiro quando vai para fora, mas à comida, aos hotéis. Na verdade mais à comida. Imagina comer uma pizza pequena, para uma pessoa, e gastar quinze francos - trinta reais meu povo. Isso sem contar bebida, daí já sobe mais um pouco. E pense uma porção de fritas pequena, dez reais. Um sanduíche dezesseis. Isso aumentou nossos gastos, e muito, já que para aguentar pernear o dia todo a gente tinha que comer pelo menos 2, 3 vezes, e comer bem.
Depois que voltamos, conversando com conhecidos, ficamos sabendo que era só atravessar a fronteira com a França e comer lá que tudo se resolvia, lá é mais barato. Mas quem é que imagina uma coisa dessas! Quem lê e se informa. E nada de comprar guias e se basear neles. Esses só são úteis no começo da pesquisa, depois vão ficando muito limitados. Sem falar que a maior parte dos hotéis e restaurantes mais acessíveis não consta em nenhuma das seções do guia. Mas esse foi só um lado da nossa viagem. Teve muito mais coisa engraçada e frustrante, mas fica pra outro dia que ta doendo a cabeça de pensar em português...
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Feijoada e bom senso
Bom, depois da vibe depressiva no meu aniversário as coisas foram voltando aos seus devidos lugares e, novamente, fui voltando à rotina. Uma das coisas mais marcantes sobre a minha rotina é que eu não tenho rotina. Claro que levantar, comer, tomar banho, escovar os dentes, dormir, etc faz parte inevitavelmente. De resto, toda a semana varia - umas das (des)vantagens de se trabalhar em restaurante. Enfim, depois do meu aniversário tive uma dor nas costas bem forte que me tirou do trabalho por quase uma semana e que, diga-se de passagem, ainda não melhorou. Logo, não sei se já estarei trabalhando normalmente essa semana.
Por causa da dor nas costas resolvi ir ao médico, afinal já faz um tempo que ando curiosa para checar a qualidade dos serviços de saúde pública da Inglaterra. Foi na verdade bem engraçado. Primeiro que a médica, além de ser muito feia, coitada, tinha assim um jeito de pessoa suja. Nossa, como faz falta ver um jaleco branquinho! Segundo que, depois que eu descrevi a dor nas costas eu esperava que ela me encaminhasse para um ortopedista ou um quiroprata. Não. Ela só me disse que ia demorar para melhorar e que era para eu tentar me mexer continuamente quando estivesse sentada. Ah meu senhor...
Voltando ao papo da rotina, por causa disso acabei trabalhando menos, bem menos. Mas não posso reclamar, por um lado foi até bom, eu gosto de não ter rotina, gosto de variar, mesmo que isso inclua uma dor nas costas de vez em nunca (graças a Deus!!!). Às vezes fico meio emburrada do restaurante, quando passam umas duas semanas sem nada muito interessante. Isso foi uma das coisas que notei que não mudou em mim mesmo eu mudando de continente. É bom se olhar no espelho e se reconhecer...
E falando em mudanças, com esse ano novo vieram, como sempre, as, hm..., New Year's resolutions. Essa é outra coisa que acho muito imbecil. Todo ano, sem falta, todo o santo ano eu faço mil planos, escrevo um por um, até os numero, bem organizadinha, dá até um orgulho. Passa uma semana e já esqueci tudo. Esse ano, no entanto, ainda não esqueci e descobri que é muito mais legal esquecer, porque ficar com eles na cabeça fica me atormentando o tempo todo. Deve ser um pouco a falta do que fazer - com a dor nas costas andei passando muito tempo em casa. Tem que comprar as passagens para a viagem de férias, tem que resolver a data e comprar as passagens pro Brasil, tem que ver da carteira de motorista, tem que procurar isso, tem que ligar e ver daquilo, tem que resolvei aquele outro, puta que saco!
Um dos meus planos mais simples era comprar uma panela de pressão. Quando pensei nisso, justamente por ser bem simples, tive aquele certeza secreta, aquele sensação de que eu ia esquecer e acabar comprando só no próximo natal. Me surpreendi comigo, outro dia fiz minha primeira feijoada na minha panela de pressão. Ficou muito boa, deu até que raiva. Se soubesse que ia acertar de primeira tinha feito antes...
Um último comentário, essa semana a mãe do Mateus veio visitar. Mateus é o outro polaco com quem dividimos a casa. Bem resumidamente o cara é um porco, desorganizado e preguiçoso até o último pentelho que ele deixa caído no chuveiro, blergh. Pensei comigo que ia ser bom a mãe dele vir visitar, aí vai que ela vendo como o filho é um piá de prédio ela dá uma bronca nele e ele muda um pouquinho. Qual foi minha surpresa! A mulher não levanta um dedo nem para lavar a própria caneca. Ai, ai, tenho que dar risada! Quem diria que falta de bom senso não só afeta qualquer cultura, mas também é transmitida geneticamente. Com o preconceito que rola, acho que vale relembrá-los de que sou brasileira, vai que eles ficam com medo e lavam a louça!
Por causa da dor nas costas resolvi ir ao médico, afinal já faz um tempo que ando curiosa para checar a qualidade dos serviços de saúde pública da Inglaterra. Foi na verdade bem engraçado. Primeiro que a médica, além de ser muito feia, coitada, tinha assim um jeito de pessoa suja. Nossa, como faz falta ver um jaleco branquinho! Segundo que, depois que eu descrevi a dor nas costas eu esperava que ela me encaminhasse para um ortopedista ou um quiroprata. Não. Ela só me disse que ia demorar para melhorar e que era para eu tentar me mexer continuamente quando estivesse sentada. Ah meu senhor...
Voltando ao papo da rotina, por causa disso acabei trabalhando menos, bem menos. Mas não posso reclamar, por um lado foi até bom, eu gosto de não ter rotina, gosto de variar, mesmo que isso inclua uma dor nas costas de vez em nunca (graças a Deus!!!). Às vezes fico meio emburrada do restaurante, quando passam umas duas semanas sem nada muito interessante. Isso foi uma das coisas que notei que não mudou em mim mesmo eu mudando de continente. É bom se olhar no espelho e se reconhecer...
E falando em mudanças, com esse ano novo vieram, como sempre, as, hm..., New Year's resolutions. Essa é outra coisa que acho muito imbecil. Todo ano, sem falta, todo o santo ano eu faço mil planos, escrevo um por um, até os numero, bem organizadinha, dá até um orgulho. Passa uma semana e já esqueci tudo. Esse ano, no entanto, ainda não esqueci e descobri que é muito mais legal esquecer, porque ficar com eles na cabeça fica me atormentando o tempo todo. Deve ser um pouco a falta do que fazer - com a dor nas costas andei passando muito tempo em casa. Tem que comprar as passagens para a viagem de férias, tem que resolver a data e comprar as passagens pro Brasil, tem que ver da carteira de motorista, tem que procurar isso, tem que ligar e ver daquilo, tem que resolvei aquele outro, puta que saco!
Um dos meus planos mais simples era comprar uma panela de pressão. Quando pensei nisso, justamente por ser bem simples, tive aquele certeza secreta, aquele sensação de que eu ia esquecer e acabar comprando só no próximo natal. Me surpreendi comigo, outro dia fiz minha primeira feijoada na minha panela de pressão. Ficou muito boa, deu até que raiva. Se soubesse que ia acertar de primeira tinha feito antes...
Um último comentário, essa semana a mãe do Mateus veio visitar. Mateus é o outro polaco com quem dividimos a casa. Bem resumidamente o cara é um porco, desorganizado e preguiçoso até o último pentelho que ele deixa caído no chuveiro, blergh. Pensei comigo que ia ser bom a mãe dele vir visitar, aí vai que ela vendo como o filho é um piá de prédio ela dá uma bronca nele e ele muda um pouquinho. Qual foi minha surpresa! A mulher não levanta um dedo nem para lavar a própria caneca. Ai, ai, tenho que dar risada! Quem diria que falta de bom senso não só afeta qualquer cultura, mas também é transmitida geneticamente. Com o preconceito que rola, acho que vale relembrá-los de que sou brasileira, vai que eles ficam com medo e lavam a louça!
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Natal e Ano Novo - em 2012 o mundo não acabou!
Todo mundo dizia, o Natal vai ser a pior parte, vai ser quando você vai sentir mais a falta da família. No começo achei tudo muito estranho. Fiquei até bem empolgada com a ideia, comprei os papéis e fitas para os presentes, escolhi uma árvore bem linda, o Paweł se encarregou da decoração e das luzinhas, montamos tudo juntos e tá ali na sala, vai ficar até dia 6. O Natal chegou, disseram que nos restaurantes ia ser uma loucura, que nada. Todo mundo ficou surpreso, dezembro foi quieto e passou bem devagar. A saudade apertou bastante...
No trabalho a gerente foi bem linda e me deu o dia 24 de folga como eu queria, fizemos aqui em casa uma ceia bem gostosa, sem peru, porque ia ser comida jogada fora. Falei com a mãe, com o tio, com a vó, com as tias, com a prima, só o pai chato que não atendeu e fica me deixando preocupada (dá notícia, faz favor, cansei de ligar e cair na secretária eletrônica). Foi um natal diferente e muito legal.Depois do Natal ficou mais corrido no restaurante, pouca coisa, mas fez diferença. Na sexta passada me irritei com a atitude de uma outra gerente, essa uma vadia e ainda feia que é uma desgraça. Como que pode meu deus, eu que achava que gente feia tinha que pelo menos compensar e ser querida! Daí já viu, fiquei com um mau humor do cão nos próximos dias. Trabalhando muito no fim de semana, esqueci que dia 31 era na próxima segunda, mas como todo mundo disse que o restaurante ficava morto presumi que ia ter tempo de fazer meu churrasco, já que a viagem para Londres para ver os fogos ficou cancelada (mea culpa, esqueci de pedir a noite do dia 31 de folga...). Véspera de ano novo, restaurante cheio que parecia sábado, era para eu terminar às 23h, mas lá no fundo já sabendo que não ia conseguir. Fiquei para a contagem regressiva, mas foi ver meus colegas comemorando o começo de 2013 no meio do trabalho o que me deu raiva. Olhei em volta e pensei, que se fodam vocês, não gosto de ninguém aqui o suficiente para ficar para ajudar, eu vou é para a minha casa fazer o meu churrasco e comemorar com quem interessa. Saí, meia noite e um, chorando de raiva e jurando que, nem que eu me demita às onze e meia da noite, não passo ano novo no trabalho de novo nunca mais. Nevermore!
Não sei o que foi pior, ver o Paweł chateado por passar o ano novo em casa, fazer a maldita contagem com gente que quero mais é que vá pra puta que o pariu, ou chegar em casa sabendo que 2013 começou e eu ainda estava de uniforme. Ai que ódio!!!!!!!!!! Cheguei em casa tão frustrada, mas tão frustrada, queria matar aquele bando de gente que não tinha mais o que fazer e lotou o restaurante, queria voltar no tempo e pedir o dia 31 de folga, queria espancar a gerente vaca até ela virar um pokemón bem bonitinho e voltar para a imaginação de quem criou o desenho.
A única solução que me acalmou foi comemorar a virada junto com o Brasil, que seria aqui duas da manhã. Falei com a família de novo, nem sinal do meu pai de novo..., e finalmente bateu a tristeza, uma saudade dolorida de estar com as pessoas com quem cresci, de ver Curitiba abandonada, de vestir branco por tradição, de abraçar a mãe e falar com o pai escondido no matagal onde ele achou minha madrasta (Gil, te amo, mas não podia perder a piada, hehehe). De pijama, virando a carne, assisti os fogos de copacabana pela internet e acompanhei (não comemorei porque to ficando mais velha e não tenho motivo nenhum pra comemorar a chegada das rugas), ao mesmo tempo que a minha família, a entrada de 2013.
A gente acha que, quando está assim, sozinho, longe, virando adulto, vai se adaptar a tudo, vai sofrer e ficar mais forte, vai crescer e aprender a lidar com todo o tipo de situação. Mas quando sente aquele vazio que a falta de alguém muito importante abre dentro do peito, percebe que a criança que fomos um dia, escondida, guardada nas nossas lembranças volta e nos faz sentir vulneráveis e amedrontados, sozinhos no mundo. Meu polaco diz que, mesmo depois de 7 anos longe da família, o Natal ainda o afeta, e isso que a Polônia é aqui do lado, distância de Porto Alegre a São Paulo. Sempre passei ou Natal, ou Ano Novo, ou ambos com a minha família, mas só doeu mesmo quando não passei nenhum dos dois com ninguém, nem meu pai atendeu o telefone... E daí tem meu aniversário, daqui 3 dias, num domingo, meu dia fa-vo-ri-to (morre domingo, te odeio) e, de novo, sem família. Sei que podia ser pior, sempre pode ser pior, mas bem que eu queria voltar a ser adolescente e tocar um foda-se bem grande, comprar a passagem para amanhã e ir passar um mês morgando no calor maravilhoso que eu amo tanto do meu Brasil.
Sinto pelo tom deprimido no final desse post, mas é o que faz a saudade e a nostalgia, é que as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como aí, aqui elas gorjeiam em mil línguas e mil culturas, mas nenhuma é como aquela de dentro da casa da minha vó, com peru e amigo secreto, família reunida e quatro mulheres para lavar a louça (a vó não conta e a prima ainda ta aproveitando seus 14 anos). Quando eu era criança queria tanto ser adulta, hoje em dia já tenho minhas dúvidas.
Abraço família querida, amigos que são a família que eu escolhi e pai, se não chegou a tecnologia aí na roça, manda pelo menos um pombo correio, obrigada.
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