sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Corte de cabelo

Essa semana criei coragem e marquei hora no cabelereiro. Desde que cheguei aqui, no final de Março do ano passado, cortei o cabelo quando fui pra Polônia em... acho que foi em Outubro, e em Março desse ano, quando fui visitar a família em Curitiba. E só. Daí fiquei nessa de ai fulana me recomenda um lugar e oi coleguinha, onde você corta seu cabelo, por um bom tempo até ter várias (duas) recomendações do mesmo lugar e o cabelo estar um lixo. Ai meus amados 5 leitores, meu cabelo tava muito triste, toda a vez que eu subia na bike e esquecia de amarrar eu chegava no trabalho como se tivesse vindo direto de seis meses vivendo na savana.
Foi o que bastou. Liguei num lugar chamado SHOTZ, marquei hora, perguntei o preço, minha descendência judia desmaiou oito vezes, e desliguei. E fui. Numa segunda-feira!
Primeira coisa que achei muito linda foi eles me mandarem mensagem no celular confirmando o horário e dizendo o nome da pessoa que ia aparar minha juba. Cheguei lá toda envergonhada, sentei me embolando nos casaco só para reparar que não tinha ninguém no salão, exceto eu e a menina na "recepção". E a musiquinha da rádio. Daí sobe a Charlie que, sem frescurite, me pede pra sentar na cadeira na frente do espelho e pergunta "o que você quer que eu faça com o seu cabelo". Como se explica em inglês que você quer uma franja não muito curta, mas descendo em degradê e se juntando com o cabelo no final para ficar bem natural, um corte mais redondo mas repicadinho pra não ficar com cara de freira, tirando o volume da metade para baixo, mas não esquece corta fora uns cinco dedos porque eu to muito cabeluda?????? O.O
Pois é, daí fiquei uns segundos olhando pra cara da menina pelo espelho e decidi que já que eu não sabia explicar essas coisas, ia ter que ser na base da mímica. Ela fez uma cara de paisagem que me lembrou a minha quando eu atendo estrangeiros lá no restaurante que não sabem me explicar o que querem, mas, toda paciente, disse "bom, vamos lavar primeiro".
Não sei se sou só eu, mas toda a vez que vou no cabelereiro a parte de lavar é o terror. Primeiro, a cadeira é super desconfortável - pelo menos para mim que sou nanica. Segundo, começam a lavar e me cozinham o couro cabeludo e, para completar, deixam a água acumular nas orelhas até formar pocinha. Então o cabelereiro termina e, essa é clássica, seca a parte de cima da orelha! Não importa quão boa seja a bicha, ela sempre deixa a maldita aguinha.
Para minha surpresa, no entanto, a cadeira era mais desconfortável ainda. Charlie ligou o chuveiro e a cadeira começou a fazer um barulho muito esquisito. Demorei uns trinta segundos para me ligar que a cadeira fazia massagem! Acho que o nervosismo era tanto que não acreditei que podia ter alguma coisa boa nesse desconforto todo. Não vou mentir, saí com o pescoço duro, maaaaaas, sem poça na orelha!
Nisso voltamos para a cadeira na frente do espelho e recomecei com a mímica que resultou no corte mais lindo que já fizeram na minha juba. Acho que, fora quando fiz progressiva, nunca saí tão satisfeita do cabelereiro. E o mais incrível é que foi tudo tão silencioso, sem as típicas clientes que ficam fazendo fofoca dasamiga ou gente pra lá e pra cá, fazendo unha, luzes, escova, prancha, a família inteira da noiva fazendo penteado pro casamento. Uma paz!
Meu judeu interior ficou quase feliz por desembolsar £38. Já a brasileira só não deu pulo de alegria porque tava enrolada em muito casaco.

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