sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Viagem a Paris

Volta e meia vejo fotos e posts de “amigos” no facebook, gente com quem não converso mais mas também com quem nunca conversei muito, e fico feliz de ver que aquela atração que a Europa exerce, pelo menos em mim, ela parece exercer também em outros.
Junho passado a mãe veio visitar e tínhamos alguns lugares no nosso itinerário. A primeira parada foi Paris.
Um dos lugares que parecem mais marcantes e que os “amigos” mais parecem gostar é Paris. A cidade da luz e da sofisticação. Por onde você anda absorvendo a riqueza histórica e tudo ao seu redor soa como música, tão linda é a língua francesa. E os parisienses, intelectuais absortos em seus livros e jornais, sentados no parque, tomando um bom vinho tinto ou um bom café num restaurante à sombra da torre Eiffel. Ah, Paris! Um museu e um jardim diferente para cada temperamento e estação, um monumento histórico para cada época e obra literária. Só de dizer seu nome Paris me faz suspirar.
Antes de viajar, a expectativa com Paris era tanta que resolvi escutar minha intuição e ler um pouquinho sobre as experiências de outros viajantes. Não sei se foi azar, mas a maioria tinha uma imagem tão positiva, ou talvez eu quisesse tanto que essa imagem fosse positiva que deixei muito detalhe passar batido. Enfim, lá fomos nós para Paris, pedindo informação só para o google, porque eu sou desconfiada e não gosto de perguntar na rua, até chegar no hostel.
Chuveiro do quarto estava quebrado, o beliche foi provavelmente a coisa mais barulhenta que eu deitei na minha vida, isso contando meus dois gatos, e a lâmpada lateral não tinha, é, lâmpada. Mas era hostel e a gente estava, pelo menos, num quarto só para nós duas, com banheiro privativo, toalhas e lençóis limpos e ainda estava incluso o café da manhã. Yes!
Quem me conhece e consegue imaginar meu tom de voz e sabe onde eu geralmente ponho notas de sarcasmo – nossa, meu português tá muito sendo traduzido do inglês, que merda – já deve ter ficado claro que a viagem foi uma droga.
Reclamar de Paris é taboo. É tenso né, dizer que você foi até a porra do topo da torre Eiffel e não achou nada. Dizer que você viu a monalisa ali, pertinho, e não achou nada. Dizer que a melhor refeição que você comeu foi do McDonalds. Eu sei que quem sonha em visitar Paris já deve ter parado de ler e quem já visitou Paris e adorou deve estar me achando uma ignorante. Então vamos por partes.
Comparando com nativos de outros lugares que eu visitei, os parisienses são muito mal-educados e a maioria não tem a mínima boa vontade de te ajudar nem se você de fato precisa de informação. Eu entendo um pouco o lado deles, já que deve ser um saco viver numa cidade socada de turista, e de turista chato, tipo os americanos, que chegam com aquela cara sorridente idiota achando que inglês é a língua oficial mundial, ou tipo os chineses que não sabem o significado de “please” e “thank you” e soltam um parágrafo inteiro num inglês incompreensível para um francês na, ahm, França, e ficam repetindo a pergunta, esperando esperançosamente uma resposta.
Mas quando um turista chega e tenta algo na língua do país, o mais comum é ver os nativos respeitarem o esforço do cara e tentarem dar a informação. Em Paris isso aconteceu, mas foi muito mais raro do que nas minhas outras viagens e quando não acontecia eles eram grossos mesmo. E isso é mais triste ainda porque eles sabem inglês, um inglês com um dos sotaques mais feios do mundo, mas sabem.
Próximo ponto foi a sujeira. Paris é suja. Não se enganem achando que é Europa e que tem que ser limpa. Os parques são poeirentos e tem muito pouca grama, o que deixa tudo com uma cara de secura de fronteira mexicana, sabe aquela sensação quando você assiste Breaking Bad e eles mostram o deserto? Essa mesma... E daí passa um ventinho e você encolhe os lábios pra não sentir a areiazinha grudar na saliva, argh.
E tudo fede a cigarro e a mijo. No metrô é aquele cheiro acre de xixi masculino e as paredes manchadas que você encolhe as mãos e os braços para não encostar em nada. Escada rolante também é uma raridade, aí depois de andar o dia inteiro e olhar aquele lance de escada para sair do metrô (que daí é pra cima) você só não dorme ali mesmo porque é fedido demais.
E a comida. Tudo com muita manteiga e uma coisa com a aparência pior que a outra. A gente comprou comida no carrefour porque se não tinha ficado à base de croissant. Nem os quiches tem gosto melhor do que os feitos em Curitiba.
E por último, o que me deu mais raiva, o machismo. Você não ta nem mostrando nada mas eles conseguem achar uma brecha no seu decote e ficam ali, parados do teu lado, olhando com a maior cara de pau no metrô, como se isso fosse aceitável. E o foda é que os franceses fedem também, daí você se sente pior do que quando o tiozão da construção te chama de cremosa. Ui, aquele francês muito feio (eles são a maioria muito feios) mal barbeado, cheirando asa e tabaco, com aquele olhar amarelado, meio doente, secando teu decote micro, aquela barra da camisa que você não sabe sequer se já viu água na vida roçando o seu ombro (você ta sentadinha perto da porta que é para pular fora assim que chegar sua parada). Dalton Trevisan deve ter vivido em Paris, porque foi como uma cena d’A Polaquinha.

Claro que teve um monte de coisa boa em Paris, claro que não vou dizer “não perca seu tempo, não vá pra lá”. Vá sim! Só tem como saber se você gosta ou não depois de ir. Mas vá com sua internet funcionando, não peça informação pra ninguém, e a menos que goste de uma fila quilométrica, vá fora de temporada. E vá com sorte, porque eles não são nem muito fãs de Deus por lá.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Corte de cabelo

Essa semana criei coragem e marquei hora no cabelereiro. Desde que cheguei aqui, no final de Março do ano passado, cortei o cabelo quando fui pra Polônia em... acho que foi em Outubro, e em Março desse ano, quando fui visitar a família em Curitiba. E só. Daí fiquei nessa de ai fulana me recomenda um lugar e oi coleguinha, onde você corta seu cabelo, por um bom tempo até ter várias (duas) recomendações do mesmo lugar e o cabelo estar um lixo. Ai meus amados 5 leitores, meu cabelo tava muito triste, toda a vez que eu subia na bike e esquecia de amarrar eu chegava no trabalho como se tivesse vindo direto de seis meses vivendo na savana.
Foi o que bastou. Liguei num lugar chamado SHOTZ, marquei hora, perguntei o preço, minha descendência judia desmaiou oito vezes, e desliguei. E fui. Numa segunda-feira!
Primeira coisa que achei muito linda foi eles me mandarem mensagem no celular confirmando o horário e dizendo o nome da pessoa que ia aparar minha juba. Cheguei lá toda envergonhada, sentei me embolando nos casaco só para reparar que não tinha ninguém no salão, exceto eu e a menina na "recepção". E a musiquinha da rádio. Daí sobe a Charlie que, sem frescurite, me pede pra sentar na cadeira na frente do espelho e pergunta "o que você quer que eu faça com o seu cabelo". Como se explica em inglês que você quer uma franja não muito curta, mas descendo em degradê e se juntando com o cabelo no final para ficar bem natural, um corte mais redondo mas repicadinho pra não ficar com cara de freira, tirando o volume da metade para baixo, mas não esquece corta fora uns cinco dedos porque eu to muito cabeluda?????? O.O
Pois é, daí fiquei uns segundos olhando pra cara da menina pelo espelho e decidi que já que eu não sabia explicar essas coisas, ia ter que ser na base da mímica. Ela fez uma cara de paisagem que me lembrou a minha quando eu atendo estrangeiros lá no restaurante que não sabem me explicar o que querem, mas, toda paciente, disse "bom, vamos lavar primeiro".
Não sei se sou só eu, mas toda a vez que vou no cabelereiro a parte de lavar é o terror. Primeiro, a cadeira é super desconfortável - pelo menos para mim que sou nanica. Segundo, começam a lavar e me cozinham o couro cabeludo e, para completar, deixam a água acumular nas orelhas até formar pocinha. Então o cabelereiro termina e, essa é clássica, seca a parte de cima da orelha! Não importa quão boa seja a bicha, ela sempre deixa a maldita aguinha.
Para minha surpresa, no entanto, a cadeira era mais desconfortável ainda. Charlie ligou o chuveiro e a cadeira começou a fazer um barulho muito esquisito. Demorei uns trinta segundos para me ligar que a cadeira fazia massagem! Acho que o nervosismo era tanto que não acreditei que podia ter alguma coisa boa nesse desconforto todo. Não vou mentir, saí com o pescoço duro, maaaaaas, sem poça na orelha!
Nisso voltamos para a cadeira na frente do espelho e recomecei com a mímica que resultou no corte mais lindo que já fizeram na minha juba. Acho que, fora quando fiz progressiva, nunca saí tão satisfeita do cabelereiro. E o mais incrível é que foi tudo tão silencioso, sem as típicas clientes que ficam fazendo fofoca dasamiga ou gente pra lá e pra cá, fazendo unha, luzes, escova, prancha, a família inteira da noiva fazendo penteado pro casamento. Uma paz!
Meu judeu interior ficou quase feliz por desembolsar £38. Já a brasileira só não deu pulo de alegria porque tava enrolada em muito casaco.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Estudandinho

Tava lendo o último post e bateu uma vontadezinha de escrever. Contar o que mudou. O que não mudou. O que ta em processo. E nada melhor do que estar sozinha sem nada pra fazer e com preguiça de levantar da cadeira.
Eu comentei que me resolvi a voltar a estudar. Pois essa ideia começou com a história de querer voltar a dar aulas. Aí pesquisa vai e pesquisa vem, descobri que para se ter qualificação para dar aulas aqui você precisa ou adquirir o diploma através da graduação, ou fazer uma "pós-graduação" que chama PGCE (Post Graduate Certificate in Education). O PGCE pode ser tanto para primary quanto para secondary school. Para entrar para esse curso você precisa ter um bacharelado na matéria que quer ensinar, e esse bacharelado precisa ser reconhecido pelo sistema educacional inglês. Quem faz esse reconhecimento é um órgão chamado NARIC. Também é necessário ter mínimo de nota C nos GCSEs em língua inglesa e matemática. GCSE quer dizer General Certificate of Secondary Education. Os adolescentes estudam dois anos, entre os 14 e os 16, e no final do currículo tiram as notas e se encaminham para os A-Levels que duram mais dois anos e são níveis avançados exigidos pelas universidades (cada curso vai exigir certos A-Levels).
Eu tenho equivalentes aos GCSEs e aos A-Levels em todas as matérias exceto em inglês, graças ao currículo brasileiro que, contrário ao que todo mundo pensa, é muito mais completo do que o inglês - uma pena as escolas públicas não serem grande coisa no Brasil. Eu comecei a me ligar disso quando percebi que muitas pessoas aqui não sabem fazer cálculos de cabeça. Dividir uma conta por dois, por três, adicionar 10% - sério, tem gente que não sabe nem a lógica de "calcular" 10%.
Outro pré-requisito para fazer o PGCE, no caso do interessado ser estrangeiro, é ter nota mínima entre 6-7 no IELTS (depende o nível que a universidade pede). IELTS, para quem nunca ouviu falar, é o International English Language Testing System, que é uma prova com 4 seções, compreensão auditiva, leitura, escrita, e oral, longa, chata, que eu também vou ter que fazer.
E o último pré-requisito, chama ITT, que é para todo mundo, são duas provas, uma de matemática e outra de língua, para provar que você sabe fazer conta e que não é analfabeto - de novo. E isso para um curso que vai me custar 9 mil libras o ano, e olhe, graças a Deus que é só um.
Quando eu fui descobrindo tudo isso, dá pra imaginar meu desepero. Os caras pedem de duas a quatro comprovações de que o candidato não é uma porta, para fazer um curso que curta uma fortuna, para daí poder trabalhar e pagar devagarinho esse mesmo curso. Porra véi.
Depois disso tudo, comecei a colocar as coisas em processo. To fazendo o GCSE em inglês, que dura até maio do ano que vem e deve me dar a nota mais alta possível que é para eu esfregar na cara das universidades. O resto é só eu tirar umas duas semaninhas para estudar e fazer as provas - hopefully. E é isso. Vou indo nessa vagareza que é o jeito.

P.S.: Desculpa o tanto de termo técnico, tentei deixar o mais claro possível.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Férias e miniférias

Fiquei de escrever a entrevista com os "sogros", mas ando tão atrapalhada com outras coisas que, nem se eu de fato tivesse conseguido fazer a entrevista, o que não consegui, não teria tido tempo ou vontade de colocá-la aqui. Pois é... Rolou uma falha de comunicação, somada ao fato de a minha "sogra" ser meio possessiva com os fihos e resultado de ela ser meio maluca nas suas interpretações da minha linguagem corporal. O estresse foi tamanho que o boy ainda não está falando direito com sua digníssima. Claro que a culpa é toda minha. Sempre foi e sempre será. Essa é a beleza de se ser odiada pela sogra. Enfim! Não tive a menor paciência de entrevistar ninguém e, apesar de saber como mandar todo mundo à merda em polonês, ainda tenho uma pequena esperança de que em algum ponto, num futuro não muito próximo, vai rolar essa porcaria dessa entrevista. Tudo pelo Brasil (vish, que mentira...)
E daí me perguntam, ou se perguntam, ou não perguntam - mas eu conto do mesmo jeito - tá, e qual o motivo da falta de tempo?
Assim que voltamos de viagem, isso na quarta-feira, 3 de julho, senti uma tensãozinha, resultado das picuinhas que rolaram na Polônia. Pero, graças a Deus, voltei ao trabalho dia seguinte e trabalhei sem folga até a terça-feira da semana passada. Nesse meio tempo começou um verão muito quente e ensolarado e decidimos que, como as férias foram muito estressantes e cansativas (!), íamos tirar dois dias para visitar a costa, conhecer alguns pontos turísticos famosos, e torrar a carcaça no sol bretão. No primeiro dia conhecemos um tantinho de Brighton, nos perdemos nas ruelas do centro tentando achar um restaurante com a ajuda do google, que estava mais perdido do que a gente, visitamos o Royal Pavilion, passeamos pelo píer, e dormimos em uma guest house muito aconchegante em Eastbourne.
No segundo fomos fazer um dos mais conhecidos trajetos de caminhada, em Beachy Head, que durou umas boas três horas e nos moeu o corpo inteiro. Passamos o resto do dia tomando sol e passeando pela orla de Brighton e voltamos de noite, muito mais satisfeitos com essas férias do que com as da Polônia.
Desde então ando estressada com outras coisas. Trabalho é o de menos, mas tudo acaba vindo à tona quando estou lá, porque é quando a pressão pega mesmo e você tem que botar suas perninhas no fast forward, senão não dá conta. Mas o que ta entulhada de coisa é a cabeça. Resolvi que quero voltar a estudar. Não que isso tenha me surpreendido - ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Já faz um tempo que venho alimentando essa ideia, que foi ficando grande e complicada e, graças às minhas incríveis habilidades em procrastinar, virou um quebra-cabeça mais difícil do que eu esperava. E é tanta coisa que tem que ser arranjada, tanto prazo curto para fazer as provas, tanta prova que tenho que fazer, tanta sigla para essas provas, que me perco e daí bate o desespero! Olha, só de escrever isso já me deu uma puta preguiça de existir.
Vou ficando por aqui. Assim que essas coisas estiverem resolvidas volto a escrever, mas, por favor, sem pressão!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Comunismo não!

Um pouco antes da minha viagem ao Brasil, em Março desse ano, comentei com meu namorado que eu teria que botar em dia minha situação com a justiça eleitoral brasileira, uma vez que não votei nas eleições do ano passado. Ao reparar que ele não tinha entendido o que eu quis dizer, contei que, no meu país, voto é obrigatório e que ou você vota, ou justifica, ou paga multinha. Ouvindo isso ele soltou uma gargalhada debochada e disse "isso cheira a comunismo"!
Na minha juventude li um pouco aqui e ali sobre comunismo e sempre achei a ideia boa, sempre ouvi dizer que funciona muito bem na teoria. Não existiria nada privatizado, tudo seria do povo e para o povo. Mas nós brasileiros não sabemos o que é ter um país massacrado por guerras durante séculos e mais séculos, não sabemos como é estar preso dentro de seu próprio território. Muitos pedem comunismo já, mas duvido que a grande maioria saiba como de fato funciona um país comunista. Para o post de hoje eu decidi fazer algumas perguntas ao Pawel, meu namorado, que nasceu na Polônia comunista e assistiu sua queda, seguida da lenta ascensão da democracia.
Eu pergunto a ele, por que o voto obrigatório "cheira a comunismo"?
Ele responde, "é o controle que o Estado exerce nos seus cidadãos, forçando que eles façam algo contra a sua vontade. Eu não acho que o voto jamais tenha sido obrigatório na Polônia, mas não faria diferença, tudo era manipulado pelo Estado, os resultados eram sempre aqueles desejados pelo partido que estava no poder."
Desi: Mas e a liberdade de expressão?
Pawel: Não existe algo assim no comunismo.
D: Por que não? O que aconteceria se as pessoas fossem às ruas protestar?
P: A polícia pararia tudo, interromperia a manifestação, bateria no povo, levaria os líderes para passar uma longa temporada na cadeia. No começo do comunismo na Polônia, a polícia facilmente mataria qualquer um que fosse contra o Estado, mais para o final ainda havia tortura, mas já não se matava mais ninguém por discordar das ideias comunistas.
D: Por que não?
P: O povo já estava sentindo que, mais cedo ou mais tarde, o comunismo veria sua queda e logo todos teriam que pagar pelos seus crimes.
D: Muitos pedem que o Brasil se torne comunista, o que você acha disso?
P: Eu acredito que, antes de pedir por uma mudança desse tipo, o povo precisa saber exatamente o que ela significa. O comunismo é uma "forma de governo", e talvez a única, que não hesita em matar seus próprios cidadãos. Pode ser lindo no papel, mas na prática é um regime que amedronta o povo e o despe de toda liberdade.

Na semana que vem vamos visitar a família na Polônia e vou aproveitar para entrevistar minha sogra e meu sogro e tentar entender um pouco como foi o comunismo para eles que cresceram nesse sistema.
Peço desculpas aos estudiosos do assunto, caso eu tenha usado alguma terminologia errada, sou leiga e admito, mas to tentando entender aquilo que quero poder criticar com mais propriedade.
Se você acha que meu namorado tem uma opinião única e muito parcial, te faço um convite, meu caro leitor. Venha para a Inglaterra passar uns dias e pergunte para qualquer pessoa do leste europeu se eles gostariam que seus países voltassem a ser comunistas. Quando você tiver a oportunidade de fazer isso, se ainda quiser conversar, tamos aí, beleza?

Alguns sites legais, se você se interessar:

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Brazil and its everlasting party

I said on my last post that, very soon, I would write my first post in English on this blog. Well, I guess it took me longer than I expected to convince myself to do it. And guess what, today's subject is Brazil.
Whenever I answer the question "where is your accent from?", reactions tend to vary from legitimate surprise to awkward disappointment. The first reaction is not rarely followed by comments on my skin colour, or on my blond hair. It is quite sad to see that that well-know stereotype makes people ask, a bit embarrassed, if my native language is Spanish, or if I know how to dance samba, or whether or not everyone in Brazil should be "tanned".
Please, don't get me wrong, I am not upset by that, I guess I could be, or maybe, depending on my patriotism, I should be. But I am not.
I remember when I first moved here. I used to think Poland was a big field of potatoes and pigs where all nation lived on farming; I used to think all Italians were part of the Italian Mafia and all French people stank. Nice, huh? And I do not dare say more about what I thought of other nations - it goes beyond the limits for rudeness. All those stereotypes I created, or was led to create, by having the information I had and not having the slightest curiosity to find out if any of that was true.
After a while living here I understand that second reaction too, disappointment. Some people expect me to be, due to my being very white and having a weak american accent, from America, Canada, or somewhere in Northern or Eastern Europe. And some other people, a little more educated, know that Brazil is not exactly an exotic paradise, and that Brazilians need a visa to be here. So, usually, that reaction in followed by questions such as "what brings you to England", "are you studying here", or "how long have you been here". It is then when it finally hurts to be struck by the stereotype, because for that I should thank all Brazilians that lived illegally here for so long.
I remember once, long time ago, a guy said, "so, basically, you are working here; then you plan to study here; then finally, with a couple of thousand pounds and an English degree, you will return to Brazil and build a life there. Long story short, you are using us." I thought if I said I plan on living here - until further notice - it would look like a better scenario. I was wrong.
It does not hurt me to see people caring about who comes to live in their country, I'm actually jealous. Maybe, if we were more like that in Brazil, we would be protesting against corruption. Protesting, not merely posting angry texts on facebook. I can hear some say "but it is a beginning." Is it? I honestly think we, the exotic people of Brazil, are not doing more than throw bananas at politicians and get those bananas back. In the end, we can't complain if people think Brazil is some sort of giant Ibiza. But come, by all means, you are all invited to our big party! I just hope, one day, this party will end.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Um grito tardio de rebeldia

Pois é, dia 12 agora fez um mês que voltei da minha visitinha do Brasil. Nem comentei nada aqui porque tinha coisas mais legais para contar, mas agora que o papo da Suíça acabou e que adiei já bastante para olhar para minhas conclusões mais imediatas sobre a viagem com mais serenidade, acho que vale comentar algumas coisas.

Por exemplo. Minha primeira semana no Brasil foi dedicada a fazer um check-up completo da minha saúde. Não por me sentir doente nem nada, mas porque aqui não confio nos médicos com quem me consultei quando tive problemas e acalma um pouco saber que você não voltou de um país de primeiro mundo bichada. As expectativas com os profissionais eram grandes e, obviamente, fechei minhas três semanas muito decepcionada. Característica geral que bateu de cara foi a arrogância. Passei por três médicos aqui, todos clínicos gerais, todos bem educados, bem profissionais e jamais arrogantes. Todo brasileiro sabe que passar em medicina numa universidade federal é uma honra. E os níveis de dificuldade não só assustam os não tão bem-nascidos, tanto social quanto geneticamente, como também aqueles que se dedicam aos estudos a vida inteira. Não sei como funciona o curso aqui, mas sei que respeito é uma coisa que não faltava no consultório dos médicos que me atenderam. Minha pior experiência foi, de longe, com o cardiologista. Seguindo recomendações de uma pessoa de confiança, marquei consulta com o Dr. Fulano do hospital cardiológico constantini pelo meu plano de saúde, a sul américa. Conviver com outra cultura te força a adquirir hábitos muito diferentes daqueles da sua cultura materna, no meu caso, um destes é chegar na hora. Para que eu fui fazer isso meu deus? Para esperar uma hora para ser atendida. Aí o excelentíssimo médico, já que não era culpa dele, esperou sentadinho por uma hora e sequer checou se o paciente tinha chegado, e, mais tarde sequer se deu ao trabalho de pedir desculpas pela inconveniência que foi, para mim, esquentar a cadeira da recepção durantes grosseiros 60 minutos de atraso. Muito bem, enquanto consultava ele quis saber meus motivos para pedir um check-up e foi adicionando informações irrelevantes num tom super arrogante sobre suas próprias experiências, não tãos boas, enquanto estudante na França. Eu já de saco cheio, assim que ficou tudo explicadinho e ele me entregou as requisições, o filho da puta ainda me dá um cartão e diz "aqui está o meu telefone pessoal, porque médico na inglaterra não faz isso, não é mesmo?"

Ok. Marquei os exames no próprio hospital constantini e esperei, mais uma vez, uma hora, para ser atendida pela esposa do senhor doutor. Médica já mais educada, pediu desculpas mas disse, mesmo assim, que não era culpa dela. Dona moça, me diga, que que eu estou cagando e andando para saber de quem é a culpa? Me cago para o culpado, quero um pedido de desculpas, um excelente atendimento e uma garantia de que isso não mais se repetirá - porque se se repetir eu mando uma reclamação para o seu chefe. Aí, nessa hora, meus leitores caem na gargalhada, porque pedir isso é o mesmo que aceitar de um político a promessa de não se corromper. Mas aqui não. Aqui a coisa funciona. Claro que tem um monte de coisa errada e pé no saco, mas em geral, as coisas funcionam.
Na última consulta com o cardiologista, já tinha chegado no limite da minha paciência, então, esperar mais uma vez uma hora foi inaceitável. Entrei bufando, sem grosseria, mas sendo seca e direta. E não é que aquele corno manso se enche de orgulhinho e diz que eu não tenho motivos para falar asperamente, que minha consulta era um encaixe que eu tive muita sorte de conseguir! Mas vá para a puta que pariu! Fiz aquele merda me atender em 10 minutos, chequei com minha outra médica a receita de uma medicação que ele me deu e descobri uma superdose que poderia me fazer muito mal e decidi escrever um post em inglês neste blog, pela primeira vez. E não é óbvio o porquê?
Quem leu isso e se indignou, com certeza não se surpreendeu. Isso porque nós, brasileiros, estamos acostumados a ser tratados sem respeito, como se fôssemos lixo. Se o médico fica com raiva de ser pago uma merreca pelo plano de saúde, ele deveria ter o mínimo de educação para não destratar seu paciente, já que é o dinheiro do paciente que põe comida na mesa do médico e é o médico que decide se afiliar ou não a planos de saúde. É uma vergonha que tenhamos que aceitar o tratamento que recebemos e que, na hora de exigir algo melhor, sejamos vistos como rebeldes, como pessoas sem educação. Porque se você roda a baiana é porque não tem elegância, mas se abaixa a cabeça é porque não tem opinião? Quem sabe se eu contasse isso numa língua mais acessível alguém lia e nos ajudava a fazer alguma coisa para isso mudar... Será esperança demais? Não pretendo viver no Brasil do futuro, mas isso não me impede de desejar ardentemente, de rezar com fé, de querer que o meu país mude para melhor e de acreditar que isso seja possível.