quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Feliz aniversário pra minha mãããe!!!

Dia 27 fez cinco meses que estou aqui. Ontem era a data da volta e a essa hora eu estaria em casa comemorando o aniversário da minha mãe junto com ela. Portanto, hoje o post vai ser em homenagem a ela.
Primeira coisa, mais importante de todas... mãe, ô mãe, faz um café pra mim? Seu café é sempre nescafé, mas é com o carinho da mamãe, né? Que saudade boa que sinto de vez em quando de pegar uma comédia besta na locadora e assistir com você. Hoje que ta frio me lembrou de quando a gente se amontoa no sofá com os gatinhos e fica competindo pela manta com eles assistindo filme e tomando aquele café pelando. Tanta saudade que eu sinto de coisas simples e bobas, que a gente criou como rotina e que eu só percebi que era rotina quando meu dia-a-dia deixou a mãe no Brasil e veio pra cá viver uma realidade em geral muito solitária. É que eu tinha a mamãe pra me fazer companhia sempre que me sentia sozinha. A gente faz faculdade, trabalha, paga conta com um sorriso na cara com orgulho de dizer que virou independente, mas a mãe é sempre quem faz o bolo mais gostoso, quem tem a cama mais quentinha, quem escuta a gente contar coisa boa, mas mais frequentemente coisa ruim, que torce para as coisas darem certo mesmo que isso signifique que a filha única vai morar do outro lado do oceano sabe-se lá por quanto tempo. Minha mãe é uma lutadora e tanto. E tem um ouvido de ferro - que já tá até meio gasto, coitado, de tanto me ouvir reclamando, choramingando, rindo alto. Ela me apoiou a vida toda e ainda deixo uma procuração pra ela resolver meus pepinos enquanto eu passeio pela Europa. Que dó dessa minha mãe que só arruma pra cabeça com essa filha metida a besta. E mesmo assim ela se orgulha, diz que eu cresci, que virei adulta, que mudei pra melhor. Assim você me enche de culpa mãe! Já sei, vou fazer um netinho e te mando para você sentir menos saudade dos meus berreiros, que tal? Hahaha, brincadeirinha =)
Olha mãe, postei um presente que comprei quando fui pela segunda vez para Londres, demorei porque queria comprar mais coisa, mas acho que só vai rolar Londres de novo semana que vem ou na outra, daí não quis esperar mais. E pra matar um pouco a saudade comprei um eden pequenininho para mim, não é meu perfume favorito, mas é o seu cheirinho e é muito gostoso, me dá sono, sempre me lembra datas festivas, tipo minha formatura do ensino médio, o aniversário de 50 30 anos da mãe naquele restaurante lá onde judas perdeu as havaianas. E falando em havaianas, aqui é caaaaaro, mal sabem eles que havaiana no Brasil é chinelinho furrebinha que dá pra comprar até em farmácia. Ai esses ingleses...
Bom mãe, antes de perder mais ainda o fio da meada aqui, pra terminar, Feliz Aniversário. Fica sabendo que você faz muita falta, você inteira, com todas as coisas boas e as ruins, com seus bons e maus hábitos. Afinal, eu te amo muito, e mesmo não escolhendo minha mãe, se eu pudesse ter escolhido, ia querer essa mesma, cheia de defeitos sim, mas com qualidade pra perder as contas e com o coração do tamanho do universo! Quando vier me visitar não esquece da toalha!
Amo você e parabéns!
(PS: vai no Anarco comer com a vó e as tias e faz elas pagarem. Não esquece de não pagar os 10% que não é obrigatório e eles não recebem e de deixar a gorjeta em dinheiro pro garçom, ta? Beijo e tchau minha bolachinha!!!)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Só reexplicando a gagueira...

Desculpa pelo ultimo post. Eu estava relendo e nossa, ficou um lixo, todo confuso, mal escrito, pelamor, se era pra postar isso melhor era nao ter escrito nada...
Bom, para resumir o que eu tentei dizer da ultima vez, a questao para mim por hora é uma falta de encaixe em planos pré-formulados - já explico melhor - como se eu tivesse a sensacao de que certos sonhos, ou melhor, certas ideias que rondam a minha cabeca nao fossem de fato minhas. Faz sentido? Aquela coisa toda de ter o emprego dos seus sonhos, constituir família, ter casa, cachorro, marido - nao nessa ordem necessariamente - é muito legal, muito digna e muito respeitavel, e é bem plausável tambem, maaas quando tento imaginar meu futuro desse jeito, preto no branco, tudo programadinho e certinho, sei lá, me dá um vazio e percebo que nao é bem isso que eu quero.
Mas e o que eu quero? Toda essa história de sair do Brasil tem a sua razao. Mais do que vir para a inglaterra eu queria era sair da inércia em que eu estava e sempre soube que enquanto ficasse na preguica a vida ia passar e eu nao ia encontrar nenhuma resposta satisfatoria. Nisso eu acertei. Mas as respostas demoram mais tempo por um motivo muito simples: minha mania de querer fazer tudo ao mesmo tempo e minha mega falta de paciencia para esperar o que o tempo e a vida me reservam.
O que acho que quis dizer com todo o outro post que me soou muito mais perdido do que conclusivo quando o reli é que, independentemente da minha carreira, eu sei que quero estudar por satisfacao pessoal, ponto numero um que descobri com toda essa mudanca de país e de cultura, e sei que quero ver o mundo antes de constituir familia e de criar raízes mais profundas.
Pronto, já sei duas coisas sobre mim que nao sabia antes. Outra coisa que nao sabia é que dar aula nao é algo tao essencial na minha vida. Antes eu pensava que era a unica coisa que eu poderia gostar de fazer. Hoje já sei diferente. Sei que pode parecer que ao inves de me achar estou me perdendo mais ainda, mas a questao é que eu saí de uma bolha, que eu achava que essa bolha era a unica coisa que eu podia ter na vida e que aquelas eram as unicas pecas que eu tinha para jogar. A minha vida era muito confusa porque eu nao via nenhuma outra peca e as que eu tinha nao me proporcionavam ideias suficientes. E nesse ponto a inglaterra em si me deu muito mais opcoes do que eu imaginava. Um exemplo é o que eu disse da ultima vez, sobre nao se ter necessariamente que estudar para seguri certas carreiras. Sei que parece coisa de preguicoso, mas a verdade é que estudar algo que nao me interessa só para ter um emprego para mim é perda de tempo. Sou bem mais voltar para a universidade para mais alguma coisa inutil mas interessante do que para fazer engenharia, por exemplo. Mas isso só se tornou minha opiniao gracas a eu ter me mudado para cá.
E, para concluir por hoje, só tenho a dizer que seguir meus instintos foi o que me levou a essas decisoes e descobertas. Portanto minha unica sugestao é: fodam-se as convencoes, faca o que voce quiser fazer com a sua vida (só nao faca mal a ninguem, ok?), porque a vida é mesmo muito curta para se viver numa bolha. E se voce está feliz e satisfeito na sua bolha, entao nao saia, porque voce já tem o mais importante, que é o conforto de se saber feliz e satisfeito e, acho eu, é exatamente o que todos nós queremos.
Abracos e boa noite!

sábado, 18 de agosto de 2012

Professora ou garçonete...

Vamos as novidades. Todo mundo já ta sabendo que resolvi ficar mais um tempo por aqui, o que acho que poucos sabem é que nao tenho data para voltar. Literalmente. Descobri que nao posso mudar a data da passagem de novo e a volta estava marcada para 29 de agosto e É ÓBVIO que nao volto antes de janeiro. Ou seja, perdi a passagem. Nao tenho mais return ticket, ai que frio na barriguinha!!!
Bom, outra coisa que percebi é que nao to mais afim de voltar. Antes eu até pensava, nossa, que saudade, ai Brasil, voce é tudo de bom, vem cá meu nego. O negócio é que no Brasil, se eu voltar, vou seguir minha brilhante carreira como professora de ingles. E daí? Daí estudar até meu cu fazer bolha para conseguir um emprego legal e me encher de especializacoes para crescer e ganhar melhor e lálálá. Nao é que eu ache isso idiota - na verdade, acho um pouquinho - mas poxa vida, vou estudar pra ter um diploma sendo que já tenho um! Ta, ta, em letras, mas po, posso partir direto para um mestrado, mas nao é assim uma imagem de futuro tao wonderful... se rolar, sao dois longos anos provavelmente em Curitibacity para partir para um doutoradinho, possivelmente em outro país e depois é que vou poder fazer um concurso maneiro para trabalhar com que? dando aula numa universidade x e ganhar dinheiro e ter familia e viajar o mundo. Nessa ordem. Ai que porre só de imaginar... E, aaaai, nao to afim de estudar por tanto tempo só pra vender a alma pra uma dessas empresas. To afim de estudar porque eu gosto e fim de papo. Nao porque vou ganhar bem e ter um emprego na Enslave-yourself Company e trabalhar até minha dignidade virar pate obedecendo e convivendo com um bando de otario que tem menos cultura do que eu. Nao, me recuso.
E isso que é um dos pontos positivos da inglaterra. Voce nao precisa enfiar um diploma guela a baixo do seu patrao para ele achar que vc é competente e pode/ deve ser promovido. Pouco a pouco, se vc quiser e se nao for um completo imbecil, vc consegue crescer numa empresa. Daí o leitor pensa, nossa, que salto na carreira hein, trabalhar em restaurante, melhor era ser professora de ingles. A é? Acha! Nas escolas de ingles tem o mesmo tipo de povo que trabalha nos restaurantes daqui, estudantes universitários fazendo bico, gente que trabalha meio período só enquanto nao consegue trabalho na área que quer, gente que nao é bom em nada e a unica skill que tem é saber falar ingles (nem tao bem as vezes...), gente que só quer guardar um dinheirinho e depois vazar, e por aí vai. Tem gente boa e interessada tambem, mas véi, na boa, é dificil achar... É por isso que nem sinto tanta saudade de dar aula assim. E tem mais... tem a parte que envolve relacionamento interpessoal, que é bem mais fácil. Se o customer reclama, vc chama o gerente que ele lida com isso. Se o customer é gente boa, as vezes até rolam umas risadas, um bate-papo e ainda surpresa! uma gorjeta na hora da conta. Se o aluno reclama ou é legal ou tem problemas em casa ou nao faz licao, nao interessa, é sempre vc que lida com isso. Nao é que isso seja ruim, mas eu sempre acabava levando muito a serio e isso uma hora pesa na sua cabeca. Sem falar que vc ganha mal. O coordenador até lida com um problema ou outro, mas no final é sempre na sua sala que o aluno vai soltar os cachorros ou as piadas e é voce que tem que aguentar ou rir. Claro que recompensa e dá um calor no coracao ver seus alunos aprendendo e enjoying sua aula, mas nem sempre é assim e é mais fácil cagar e andar no restaurante para os clientes malas do que para os alunos malas, afinal, é dificil o aluno ser mala sempre e vc acaba sabendo os motivos e quer ajudar e ai, viu?, já virou uma bola de neve...
Por fim, é isso, outro dia conto da staff party, agora é hora de dormir que amanha trabalho que nem uma camela =)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Seres humanos

Umas duas-tres semanas atrás comecou a trabalhar lá no restaurante uma polonesinha muito querida, a Marlena. Como daqui a pouco vou viajar, só vou contar rapidinho uma coisa da qual dei muita risada outro dia. Estavamos eu e o Bruno (um dos brasileiros) fechando o restaurante e ela terminava as 23h e resolveu ficar um pouco conversando comigo. E nesse bate-papo de estrangeiros eu estava esperando que surgissem alguns dos assuntos de sempre, tipo solidao, saudade da familia, dos amigos, de casa, diferencas culturais, etc. Para minha surpresa (boa surpresa, que fique claro!) falamos sobre um assunto muito mais feminino e global: homens. Por uma meia hora fiquei tentando explicar para ela uma dessas coisas que a gente demora uma vida para entender, mas que depois que entende facilita a propria vida pra sempre. Tipo que nem todo homem vai se interessar pela gente, que se o cara nao te quer nao quer dizer que ele nao te merece, que ele é um idiota, que nao presta, mas só que nao quer e pronto. O final da conversa foi brilhante, ela disse pra mim "mas se eu sou tao bonita quanto me falam, porque eu to sozinha? to cansada de ser o homem na relacao, acho que vou ficar sozinha pra sempre!" Detalhe, ela tem 21 anos.
Antes de ela ir embora ainda trocamos mais umas figurinhas e no final fiquei eu rindo sozinha, afinal nao importa em qual parte do mundo estamos, a nacionalidade que temos, a língua que falamos, os dilemas sao muito parecidos e, no final, a conclusao é sempre a mesma - somos todos seres humanos.