Tinha comentado que iria para Oxford se o tempo estivesse apresentável. Não estava.
Maaaas, ao invés de ficar em casa, como disse que faria, chequei a previsão do tempo e fui para Londres!
Sem planejar nada ficou difícil saber por onde começar, portanto agradeço a menção no blog de uma amiga a Westminster - uma menção que não tinha nada a ver com fazer turismo na inglaterra - porque isso me deu pelo menos a ideia de começar por lá. E não me arrependi.
Meu trem desceu (da onde filha, do céu?) em Paddington, uma estação bem grande de Londres, e de lá peguei o metrô (aqui chamam de underground) para Westminster. Ta certo isso? "pegar o metro"? Enfim, para tanto usei o Oyster Card da Cleu (mãe do meu amigo, com quem vivo aqui), que é tipo um cartão transporte. Não tenho certeza se vale para algo além de metrô e ônibus - em Londres - e não sei como funciona para fazer, mas assim que descobrir posto aqui. Sei que precisei carregar ele com libras e foi muito fácil, só colocar seu cartão do banco (no meu caso o travel money serviu perfeitamente) na maquininha, clicar no valor desejado e pronto, tão lá seus créditos. Quando acabarem, ou quando forem pouco demais para pagar uma passagem, é só recarregar. Sem boleto, sem imposto, sem FILA!
Peguei também um folheto com as informações sobre as estações do metro e as diversas linhas. De primeira pareceu muito difícil entender como funciona. Conforme fui passeando pela cidade fui seguindo as linhas junto com o mapa de Londres e ficou muito mais claro e deu pra ver como o sistema de metrô deles é prático. O mapa da cidade comprei assim que desci em Westminster e, olha, foram as £1.95 mais bem gastas desde que cheguei. Graças a ele me localizei bem na cidade toda e só precisei pedir informação na bendita hora que resolvi guardar o mapa por causa do vento. Sério, vocês não tem ideia do que era aquilo. Nem as pombinhas tavam conseguindo voar na direção contrária ao vento! Por causa dele meu mapa quase virou 2 já na segunda vez que tirei ele do bolso!
Bom, começando de novo... Saí da estação de Westminster quase fazendo xixi na calça e morrendo de fome - era meio dia quando peguei o trem e não tinha dado tempo de almoçar. Depois de uma pernadinha básica achei um McDonalds - nunca foi tão feliz achar um McDonalds. Deus do céu, que banheirinho mais xinfrim e que lugarzinho mais apertado. Comi por lá mesmo, um quarteirão muito sem vergonha que valeu menos para matar a fome do que para conhecer duas brasileiras também passeando que me fizeram companhia até o National Gallery. Me perdi delas lá também porque, né, eu sou daquelas pessoas que nunca vão ao museu mas quando vão perdem o dia inteiro...
Depois de umas duas horas, o que não deu para ver nem metade do acervo, desisti do museu. A exposição principal estava quase fechando e ficar lá significava não ver mais nada da cidade. Da praça em frente ao National Gallery dá para ver o Big Ben, que foi a próxima parada na rota, e valeu ter deixado Oxford para outro dia, porque deu um solzinho nem assim tããão tímido em Londres e foi muito bonito ver toda aquela construção megalomaníaca brilhando um dourado com cara de ter muuuitos aninhos de vida. Nunca dei nada para Londres, ta aí uma cidade que não tinha muita intenção de visitar e que me surpreendeu desde o começo. Valeu a pena passar por cima do preconceito. É um lugar bonito a sua maneira.
Continuando o passeio, fui andando até o London Eye, que é aquela roda gigante enorme de onde dá para ver a cidade inteira - boatos, porque quinta só passei lá pesquisar preços e horários, afinal já eram 18h e tinha muita fila para entrar e muita coisa que eu queria ver antes de ir para casa. Zigue-zagueei pelas pontes, até chegar ao National Theatre - também para pegar folhetos e ver o que tinha de bom. Tem muita peça interessante, só os preços que não animam: £12 para tomar chá de cadeira (2 horas e meia de peça é para cimentar o cu na bunda). E, claro, £12 é o preço dos lugares mais baratos, porque tem lugares que chegam a custar £47. Acho que depois dessa dava para manerar um pouco os comentários sobre teatro ser caro no Brasil, né?
Saí do National Theatre e perneei mais um pouquinho, até a St Paul's Cathedral. Cara, é muito grande. Estava fechada mas deu para dar uma volta pelo church yard ao redor da igreja. Os jardinzinhos são bem simples, com umas arvorezinhas aqui e ali, banco de praça e esquilos muito simpáticos que, pelo visto, são parte da atração turística. É muito bonitinho ver eles cavando para recuperar uma noz e se fazendo de desentendidos quando percebem alguém olhando.
Já estava bem cansada depois dessa andança toda, por isso parei na praça Pater Noster, pertinho da catedral, para um mochaccino com brownie na Starbucks. Nossa que overdose de açúcar, hahaha! Enquanto isso, aproveitei para procurar no mapa o que mais tinha por perto para ver antes de voltar. Achei a Tower of London e, como estava me localizando bem e ventando muito, dei uma de metida e guardei o mapa. Bem feito, me perdi e tive que andar que nem uma camela até finalmente descobrir o que eu estava procurando. A Tower of London estava fechada mas foi só chegando lá que descobri que a Tower Bridge era a ponte que eu queria tanto ver.
Parecia de mentira. A visão da ponte cinza e azul, linda, de longe, tirou meu fôlego. Graças a muitas partidas de Scotland Yard com a família (valeu mãe!) e a uns 3 ou 4 romances do Sherlock Holmes a expectativa de como seria a ponte ao vivo era bem grande. Sem exagero, era uns dos lugares que eu precisava ver antes de morrer, porque é lindo demais, é emocionante, da vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo, de levar embora pra casa. No caminho entre a Tower Bridge e a London Bridge não conseguia parar de admirar o Tâmisa. É o lugar mais romântico em que já estive, principalmente com as lampadinhas acesas e a vista para a ponte. Pena que faltou my other half (como diz um dos chefs com quem trabalho) para completar a cena.
Estava moída e doida para ir para casa quando, as 21h15, peguei o metrô pela penúltima vez aquele dia - e cheio ainda. Troquei na estação de Baker Street (mãããe, existe!!!) e por último peguei o trem em Paddington. Cheguei em Reading com os músculos das pernas latejando e cheia de energia e coisa para contar.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Vivendo um pouco
Amanha tenho um trial shift no restaurante onde meu amigo trabalha. Paga a mesma coisa que o lugar onde to agora com a vantagem de ser uns 30 minutos de casa - ou seja, nada de trem!
Amanha, tambem, vou comprar uma bike, finalmente! Me acostumei mal de andar de bike pra tudo que é lado em Curitiba e agora nao tenho mais paciencia de ir andando pq demora demais... E como aqui da pra levar a bike no trem vai acabar sendo muito mais prático, já que vou poder fazer meus passeios turísticos sem gastar tanto tempo indo de um lugar para outro.
Na semana passada os planos eram ir para Oxford, o que nao deu certo pq o tempo estava muito feio. Os planos dessa semana tb sao ir para Oxford, com a diferenca de agora ter um mapa em maos (gracas a minha amiga polonesa) e saber que a previsao é de chuva, portanto se nao mudar a previsao e chegar no dia e estiver mesmo chovendasso, fico em casa vendo filme e jogando video game, fazer o que...
Mas nao se enganem, eu nao fico só em casa mofando. Domingo, por exemplo, tive o dia mais cu desde que comecei a trabalhar naquele maldito restaurante. De noite tinha combinado de sair com a Barbara, a tal amiga que me emprestou o mapa, e resolvemos ir a um pub, até pq eu nao tinha ainda ido a nenhum. Os detalhes sórdidos nao sao assim muito importantes, basta dizer que foi o máximo de diversao que tive desde que cheguei - AE! - apesar de cair na rua no caminho de volta pra casa e acabar machucando a mao bem feio.
Pensando pelo lado positivo do negócio - se é que tem - pelo menos estou vivendo um pouquinho, afinal tombos fazem parte da vida, mesmo os nao metafóricos!
Ah! e comecei a aprender polones! Mas isso é história para um outro dia....
Amanha, tambem, vou comprar uma bike, finalmente! Me acostumei mal de andar de bike pra tudo que é lado em Curitiba e agora nao tenho mais paciencia de ir andando pq demora demais... E como aqui da pra levar a bike no trem vai acabar sendo muito mais prático, já que vou poder fazer meus passeios turísticos sem gastar tanto tempo indo de um lugar para outro.
Na semana passada os planos eram ir para Oxford, o que nao deu certo pq o tempo estava muito feio. Os planos dessa semana tb sao ir para Oxford, com a diferenca de agora ter um mapa em maos (gracas a minha amiga polonesa) e saber que a previsao é de chuva, portanto se nao mudar a previsao e chegar no dia e estiver mesmo chovendasso, fico em casa vendo filme e jogando video game, fazer o que...
Mas nao se enganem, eu nao fico só em casa mofando. Domingo, por exemplo, tive o dia mais cu desde que comecei a trabalhar naquele maldito restaurante. De noite tinha combinado de sair com a Barbara, a tal amiga que me emprestou o mapa, e resolvemos ir a um pub, até pq eu nao tinha ainda ido a nenhum. Os detalhes sórdidos nao sao assim muito importantes, basta dizer que foi o máximo de diversao que tive desde que cheguei - AE! - apesar de cair na rua no caminho de volta pra casa e acabar machucando a mao bem feio.
Pensando pelo lado positivo do negócio - se é que tem - pelo menos estou vivendo um pouquinho, afinal tombos fazem parte da vida, mesmo os nao metafóricos!
Ah! e comecei a aprender polones! Mas isso é história para um outro dia....
domingo, 22 de abril de 2012
Bom domingo!
To indo dormir já porque amanha tem trabalho e o restaurante vai estar muuuuito busy. Domingo lá é dia de famílias inteiras almoçando e de criança pra tudo que é lado.
Queria contar um monte de coisa, mas fica para uma próxima - possivelmente amanha de noite.
Só queria mesmo agradecer por tanta gente estar visitando o blog e deixando comentários ou mandando emails sobre o que le aqui. Obrigada pelo apoio! Faz muita diferença para mim! Grande abraço e um ótimo domingo!
Queria contar um monte de coisa, mas fica para uma próxima - possivelmente amanha de noite.
Só queria mesmo agradecer por tanta gente estar visitando o blog e deixando comentários ou mandando emails sobre o que le aqui. Obrigada pelo apoio! Faz muita diferença para mim! Grande abraço e um ótimo domingo!
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Vou de trem
Uma coisa importante que esqueci de mencionar sobre meu trabalho é que ele é em outra cidade... E quando não dou sorte de ter carona para ir ou voltar, o jeito é transporte público mesmo. Transporte público nesse caso são os trens, porque se fosse de ônibus coitada de mim, daqui até Cookham, que é onde fica o restaurante, são pouco mais de 30km!
Quando comecei a fazer as contas de quanto ia gastar com transporte já fiquei bem triste, pois a passagem não é barata (lógica linda que só inglês entende: só de ida £6; ida e volta £6.10). Mas descobri uma coisa muito legal, a First Great Western, que ao que me consta é meio que o equivalente a nossa URBS, mas para trens no caso, disponibiliza certos tipos de cartões de desconto (você paga 2/3 do valor original da passagem, fora as exceções, que também nem são tantas), por exemplo, para pessoas idosas, para deficientes, para a família. O que eu fiz é para jovens entre 16 e 25 anos, tem custo de £28 e um ano de validade. Bonito foi o baile que levei da cabine de tirar foto - precisa de uma foto para fazer o cartão e dá pra tirar na própria estação, vc entra na cabinezinha, seleciona a finalidade da foto e segue as instruções.
Saiba, no entanto, que o banquinho não foi feito para pessoas pequenas. Portanto, caso vc tenha um metro e meio e sua cara não alcance a posição correta na telinha prepare-se para se agachar numa posição ridícula e desconfortável e se sentir botando um ovo enquanto vc tenta apertar o botão certo sem mexer a cara do lugar e ainda sair sem pinta de presidiária. Nossa, foi uma luta. No final a foto saiu uma bosta do mesmo jeito, mas beleza! pelo menos agora tenho um cartão de desconto!
Tem ainda um outro tipo de cartão, esse de graça, que vc faz para poder comprar season tickets, que são tickets para um determinado período de tempo, tipo uma semana (de verdade mesmo nem sei se dá para comprar para mais do que isso - deve dar). Enfim, informações muito úteis para vc que quer passar um tempo na Inglaterra! Vai aí também o site onde tem tudo mais detalhadinho: http://www.firstgreatwestern.co.uk/
Amanhã já estréio meu cartão! Droga, isso quer dizer que não é dia de carona =/
terça-feira, 17 de abril de 2012
Uma dica
Sempre que o tempo vai passando tenho tendência a pensar que as próximas notícias serão boas. Notícias sobre tudo, sobre o mundo, sobre os amigos, família. Mal de pessoa otimista. Mas é um otimismo fácil, porque é mais fácil torcer pelas pessoas que amo do que torcer por mim. Até semana passada eu estava torcendo por mim, mas agora a vontade é de me dar uns tapas. Já explico.
Primeira coisa que percebi aqui, e precisei vir para cá para entender isso, é que morar com a minha mãe fez de mim uma pessoa folgada e dependente. Sempre contei com a mamãe para tudo, mas agora que ela não está aqui e que preciso fazer tudo sozinha, não consigo direito. Não sei nem por onde começar e daí acabo ficando mais perdida do que já to. É tão frustrante perceber que não consigo me virar como pensei que conseguiria que a vontade é me dar uns tapas mesmo, pra ver se aprendo que nem tudo é tão fácil assim e que se eu tivesse vindo para cá sendo mais realista, talvez as coisas estivessem diferentes. Mas não foi o que aconteceu e agora preciso correr atrás do prejuízo. Afinal é difícil ser otimista quando você percebe que estava sendo burro.
Outra coisa que percebi aqui: não conte com ninguém. Teoricamente eu poderia contar com meu amigo, com a mãe dele e talvez até com o padrasto dele, que são as pessoas com quem moro aqui. Não dá. As pessoas trabalham muito nesse país, elas não tem tempo de te levar pela mão e elas não vão entender que você está sofrendo choque cultural, porque aparentemente ocorre uma perda de memória depois de um tempo e também porque sempre que o tempo passa olhamos para trás pensando "ah, nem foi tão difícil assim me adaptar", não importa o quanto na verdade tenha sido. Não to querendo dizer com isso que sou uma coitadinha, que estou comendo o pão que o diabo amassou ou que tenho peninha da mim, porque né, to sofrendo litros decerto. Não me entendam mal. Eu to é querendo me bater, para ver se deixo de ser lenta e se começo a andar na velocidade certa, para ver se deixo de esperar o mundo resolver meus problemas para mim.
Aquela história de que vir para outro país te mostra outras realidades é verdade mesmo, principalmente no sentido em que mostra a nós mesmos coisas que não sabíamos sobre nossa maneira de agir, de pensar e de responder ao que acontece a nossa volta. Só tenho um conselho para quem quiser fazer o tipo de viagem que estou fazendo, se prepare psicologicamente. Esteja pronto para receber as decepções de braços abertos e não com cara de surpresa ou com raiva, como foi o caso comigo. E tenha maturidade para reconhecer que você pode aprender muito com elas. E, de preferência, não demore muito para reconhecer isso, porque senão você vai só se estressar a toa.
Por hoje fica essa dica.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Meu primeiro "day off"
Depois de fazer um trial shift de 10 horas num restaurante, de trabalhar no dia seguinte e de ser enrolada por mais 5 dias, acabei conseguindo um emprego, ae! Mas, depois de uma primeira impressão boa, sempre vem a realidade...
Primeira coisa, o trial shift, pelo que soube depois, equivale a um turno de algumas horas, tipo umas... DUAS... em um só dia, para eles verem como vc trabalha e decidirem se querem que vc fique. Eles não vão me pagar as outras oito. Depois, sem a menor experiência, eu deveria ter um treinamento, que só está acontecendo agora graças a gerente, o que? o que?, portuguesa. Isso que tem mais outros três gerentes, todos ingleses, todos inúteis. Para melhorar a vida da novata ela percebe que a maior parte das outras garçonetes explica as coisas errado, e que elas deixam parte do serviço para os outros fazerem enquanto tagarelam umas com as outras. É incrível a quantidade de vezes que vejo duas dando risadinhas entre si ou papeando com alguns funcionários da cozinha. Bom, daí depois tem ainda as dificuldades vocabulares e culturais, que me levam a perguntar o que são certas coisas várias vezes e a não decorar com facilidade, porque quando vc não sabe como se escreve algo é como se vc fosse analfabeto e daí vc fica tentando adivinhar o que significa a palavra ou a que ela equivale no Brasil - tipo certas comidas, pratos, nomes de cerveja, tipos de cerveja, nomes de bebidas. E como eu trabalho com gentinha de muito baixo nível, essas pessoas são incapazes de entender o que é e como funciona um choque cultural. Não tem um dia, UM, em que não sinta saudades do Brasil, principalmente depois do trabalho, quando a cabeça se aquieta e tento pensar na minha língua materna o mais que posso para tentar me sentir um pouquinho mais perto de casa.
E desculpa aí quem gosta do british english, mas não dá... o que mais me cansa é esse maldito sotaque. Toda vez que atendo ou escuto um canadense ou um americano parece que alivia a tensão, é quase como estar na escola dando aula, é quase um estar em casa estando longe. Aquele povo que fala alto, articula as palavras, masca um chicletasso mesmo. Véi, na boa... É muito relaxante!
Enfim, tem mais milicoisas que incomodam, mas a maior parte é normal em qualquer trampo: pegar trem que só tem de hora em hora, chefe grosso, enxurrada de informação que vc tem que absorver o mais rápido possível... Por aí...
Por último, tem uma coisa que eu não esperava mesmo. Nunca pensei que ter amigos vegetarianos e vegans fosse me fazer mudar certos conceitos, mas fez. Um belo dia resolvi descobrir o que é o tal do calves liver que servem lá. É fígado de vitelo, de bezerrinho. Cara... que horror... e ainda em que quantidade se comem essas carnes naquele restaurante, é um absurdo... e a quantidade de carne que sobra nos pratos, que são jogadas fora! Digam o que disserem, mas ninguém PRECISA comer carne nessa quantidade. Tá, tá, no Brasil tem altas churrascarias, eu sei... Mas nunca trabalhei em uma e, honestamente?, não era para a inglaterra ser país de primeiro mundo? Ver essa inglesada comer me faz entender melhor as coisas que o Orwell escreveu, mas enfim, falo disso outra hora. Agora vou aproveitar o resto do meu day off para jogar video game!
Primeira coisa, o trial shift, pelo que soube depois, equivale a um turno de algumas horas, tipo umas... DUAS... em um só dia, para eles verem como vc trabalha e decidirem se querem que vc fique. Eles não vão me pagar as outras oito. Depois, sem a menor experiência, eu deveria ter um treinamento, que só está acontecendo agora graças a gerente, o que? o que?, portuguesa. Isso que tem mais outros três gerentes, todos ingleses, todos inúteis. Para melhorar a vida da novata ela percebe que a maior parte das outras garçonetes explica as coisas errado, e que elas deixam parte do serviço para os outros fazerem enquanto tagarelam umas com as outras. É incrível a quantidade de vezes que vejo duas dando risadinhas entre si ou papeando com alguns funcionários da cozinha. Bom, daí depois tem ainda as dificuldades vocabulares e culturais, que me levam a perguntar o que são certas coisas várias vezes e a não decorar com facilidade, porque quando vc não sabe como se escreve algo é como se vc fosse analfabeto e daí vc fica tentando adivinhar o que significa a palavra ou a que ela equivale no Brasil - tipo certas comidas, pratos, nomes de cerveja, tipos de cerveja, nomes de bebidas. E como eu trabalho com gentinha de muito baixo nível, essas pessoas são incapazes de entender o que é e como funciona um choque cultural. Não tem um dia, UM, em que não sinta saudades do Brasil, principalmente depois do trabalho, quando a cabeça se aquieta e tento pensar na minha língua materna o mais que posso para tentar me sentir um pouquinho mais perto de casa.
E desculpa aí quem gosta do british english, mas não dá... o que mais me cansa é esse maldito sotaque. Toda vez que atendo ou escuto um canadense ou um americano parece que alivia a tensão, é quase como estar na escola dando aula, é quase um estar em casa estando longe. Aquele povo que fala alto, articula as palavras, masca um chicletasso mesmo. Véi, na boa... É muito relaxante!
Enfim, tem mais milicoisas que incomodam, mas a maior parte é normal em qualquer trampo: pegar trem que só tem de hora em hora, chefe grosso, enxurrada de informação que vc tem que absorver o mais rápido possível... Por aí...
Por último, tem uma coisa que eu não esperava mesmo. Nunca pensei que ter amigos vegetarianos e vegans fosse me fazer mudar certos conceitos, mas fez. Um belo dia resolvi descobrir o que é o tal do calves liver que servem lá. É fígado de vitelo, de bezerrinho. Cara... que horror... e ainda em que quantidade se comem essas carnes naquele restaurante, é um absurdo... e a quantidade de carne que sobra nos pratos, que são jogadas fora! Digam o que disserem, mas ninguém PRECISA comer carne nessa quantidade. Tá, tá, no Brasil tem altas churrascarias, eu sei... Mas nunca trabalhei em uma e, honestamente?, não era para a inglaterra ser país de primeiro mundo? Ver essa inglesada comer me faz entender melhor as coisas que o Orwell escreveu, mas enfim, falo disso outra hora. Agora vou aproveitar o resto do meu day off para jogar video game!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Se perdendo
De fato, no dia em que cheguei o tempo estava bem bom, esfriou de noite, mas durante o dia o sol estava forte e o ar seco. Hoje, em compensação, está frio e úmido, agora tá marcando 5 graus... Apesar disso, vale lembrar que dentro de casa tá bem quentinho, tem aquecimento em (quase) todos os comodos e com certeza os ingleses devem estar de camiseta e shortinho, não eu, é claro. Como boa brasileira, friorenta - não sei como vivi minha vida toda em Curitiba, sério... - to de calça de pijama e moletom hahaha.
Mas já que estou falando do tempo, vou começar com o que aconteceu hoje quando fui correr. Era quase uma da tarde quando resolvi tirar a bunda de casa. Com o capuz do moletom fechado em volta da cara, fui dar uma corridinha no parque, até porque já era hora de conhecer um pouco mais do lugar onde to morando e de largar mão de ser preguiçosa. Lá fui eu. Uma quadra depois meu nariz começa a escorrer MUITO. "Ah, daqui a pouco pára", pensei na minha pobre inocencia. Dali a pouco meus olhos começam a lacrimejar. Cinco minutos mais tarde eu parecia aquelas criancinhas, com as mangas da blusa encharcadas, o nariz assado e os olhos cheio de lágrimas. Cara, nem vi direito por onde eu tava indo. Só sei que de repente o parque acabou e fiz a volta para voltar andando por dentro, pela rua mesmo. Aquela cultura de curitibano que vai pra praia no final do ano, "é só fazer o mesmo caminho e se eu me perder ando até a orla e vou pelo calçadão". Meu ponto de referencia, no caso, era o rio.
Depois de altas voltas cheguei a conclusão de que não tinha dado certo. Quando finalmente achei o parque eu já tava tão de saco cheio que mandei tudo a merda e cortei caminho pela graminha - não é Brasil gente, as pessoas raramente fazem isso aqui - sei lá por que também... A trilhazinha apagada no meio da grama é cercada por árvores - aquelas árvores peladas de filme de terror - e é bem silencioso, então voce não escuta quase os carros, só os barulhos de bem pertinho.
Até hoje nunca tinha entendido por que o corvo é visto de forma, hm, amedrontadora, ou tipo, como símbolo de mau agouro. Até hoje. O corvo não é que nem o bem-te-vi que tem timing pra fazer sua cantoria - chega a ser uma cantoria? - e que nao erra o tempo. O corvo nao ta ligado que existe a thing such as tempo... Voce fica naquela expectativa, pensando "é agora, é agora que esse fdp nao vai me assustar", e no meio do seu pensamento o bicho grasna (cantar é que nao canta...) e te dá um arrepio na espinha - imagino que de só em quem nunca viu/ouviu um corvo ao vivo. Na primeira pensei n"O Corvo" do Poe. Faz tooooodo o sentido agora! Na segunda olhei pra cima, para aquele amontoado de galho pelado e nem sinal do bicho, e isso que ele é grande, robusto, inteiro preto - inteiro mesmo, tipo perninha, bico, olho, tudo preto.
Durante todo o percurso até em casa ou eu ouvia ou via um desses pássaros em algum canto. Foi muito creepy...
O outro episódio do dia se deu de tarde, quando fui ao mercado. Eram 6 horas e tinham me explicado só bem por cima como fazia pra chegar nesse mercado (o Tesco): pelo meio do parque - do lado oposto ao que percorri mais cedo. Tinha um pequeno detalhe que nao levei muito a sério: meio do parque. Meio. Tipo... pontes estreitinhas, sebes, muros, árvores, patos, gansos, umidade, rio, silencio... véi... tipo jungle... tipo... arvorismo sobre a água... frio e com tempo fechado. Na ida deu mais medo, mas acho que isso é questao de cultura, pois se esse caminho fosse em Curitiba, com certeza seria perigoso demais mesmo a luz do dia. Enfim, a volta foi tranquila... acho que estou me acostumando.
Mas já que estou falando do tempo, vou começar com o que aconteceu hoje quando fui correr. Era quase uma da tarde quando resolvi tirar a bunda de casa. Com o capuz do moletom fechado em volta da cara, fui dar uma corridinha no parque, até porque já era hora de conhecer um pouco mais do lugar onde to morando e de largar mão de ser preguiçosa. Lá fui eu. Uma quadra depois meu nariz começa a escorrer MUITO. "Ah, daqui a pouco pára", pensei na minha pobre inocencia. Dali a pouco meus olhos começam a lacrimejar. Cinco minutos mais tarde eu parecia aquelas criancinhas, com as mangas da blusa encharcadas, o nariz assado e os olhos cheio de lágrimas. Cara, nem vi direito por onde eu tava indo. Só sei que de repente o parque acabou e fiz a volta para voltar andando por dentro, pela rua mesmo. Aquela cultura de curitibano que vai pra praia no final do ano, "é só fazer o mesmo caminho e se eu me perder ando até a orla e vou pelo calçadão". Meu ponto de referencia, no caso, era o rio.
Depois de altas voltas cheguei a conclusão de que não tinha dado certo. Quando finalmente achei o parque eu já tava tão de saco cheio que mandei tudo a merda e cortei caminho pela graminha - não é Brasil gente, as pessoas raramente fazem isso aqui - sei lá por que também... A trilhazinha apagada no meio da grama é cercada por árvores - aquelas árvores peladas de filme de terror - e é bem silencioso, então voce não escuta quase os carros, só os barulhos de bem pertinho.
Até hoje nunca tinha entendido por que o corvo é visto de forma, hm, amedrontadora, ou tipo, como símbolo de mau agouro. Até hoje. O corvo não é que nem o bem-te-vi que tem timing pra fazer sua cantoria - chega a ser uma cantoria? - e que nao erra o tempo. O corvo nao ta ligado que existe a thing such as tempo... Voce fica naquela expectativa, pensando "é agora, é agora que esse fdp nao vai me assustar", e no meio do seu pensamento o bicho grasna (cantar é que nao canta...) e te dá um arrepio na espinha - imagino que de só em quem nunca viu/ouviu um corvo ao vivo. Na primeira pensei n"O Corvo" do Poe. Faz tooooodo o sentido agora! Na segunda olhei pra cima, para aquele amontoado de galho pelado e nem sinal do bicho, e isso que ele é grande, robusto, inteiro preto - inteiro mesmo, tipo perninha, bico, olho, tudo preto.
Durante todo o percurso até em casa ou eu ouvia ou via um desses pássaros em algum canto. Foi muito creepy...
O outro episódio do dia se deu de tarde, quando fui ao mercado. Eram 6 horas e tinham me explicado só bem por cima como fazia pra chegar nesse mercado (o Tesco): pelo meio do parque - do lado oposto ao que percorri mais cedo. Tinha um pequeno detalhe que nao levei muito a sério: meio do parque. Meio. Tipo... pontes estreitinhas, sebes, muros, árvores, patos, gansos, umidade, rio, silencio... véi... tipo jungle... tipo... arvorismo sobre a água... frio e com tempo fechado. Na ida deu mais medo, mas acho que isso é questao de cultura, pois se esse caminho fosse em Curitiba, com certeza seria perigoso demais mesmo a luz do dia. Enfim, a volta foi tranquila... acho que estou me acostumando.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
De Curitiba, Brasil para Reading, UK
Foi uma longa espera.
A viagem foi planejada com muita antecedência, em julho ja tinha comprado as passagens na expectativa de viajar em dezembro, mas graças à greve da federal acabei tendo que adiar e, com a minha colação de grau marcada para o final de março, a viagem acabou ficando para o dia que tivesse o melhor preço, uma vez que so pra mudar a passagem ja custava uma grana.
Tinham me recomendado que trouxesse certas coisas do Brasil: sapatos, porque aqui sao desconfortaveis (tenis é outra historia); material pra fazer unha, porque alicate nao se acha aqui; e havaianas, porque é chique e caro. Como a gente sempre esquece alguma coisa importante quando acha que, pela primeira vez na vida, finalmente nao vai esquecer nada, eu esqueci meu empurrador de cuticula. Pra achar algo parecido, mas bem longe de ser bom que nem os nossos, tive que perguntar em varias lojas, caçar um cocozinho de rua (um alley, que é uma ruazinha estreita pela qual geralmente se passa sem nem ver que ela esta ali) e pagar £4.49. Sapatos confortaveis e bonitos tambem tem que pernear bastante pra achar e de havaianas ainda nem sinal.
Voltando ao inicio, na semana anterior à viagem ja estava praticamente tudo resolvido, faltavam pequenos detalhes e arrumar a mala, coisa que fiz rapidinho. Recomendo para qualquer um que viaje para a Inglaterra e resolva nao trazer muita roupa que venha preparado para perder um bom tempo fazendo compras, porque roupa barata tem, mas precisa ter paciencia para procurar.
Finalmente, dia 26 de março peguei o aviao no afonso pena para Sao Paulo, depois em guarulhos para o schiphol em Amsterdam, onde so cheguei dia 27, e por ultimo para heathrow em Londres.
Vim para ca com passaporte italiano, portanto passar pela imigraçao foi bem tranquilo. Na saida a mae do meu amigo, com quem estou morando aqui, me esperava para me trazer para Reading. Viemos bem rapido, ou pelo menos pareceu rapido, mas deu pra ver muita coisa da vegetaçao, das arvores e garanto que é aquilo mesmo que a gente imagina, com exceçao do sol forte, do tempo seco e do ceu azul sem nuvens. Mas nem todo dia é assim.
A viagem foi planejada com muita antecedência, em julho ja tinha comprado as passagens na expectativa de viajar em dezembro, mas graças à greve da federal acabei tendo que adiar e, com a minha colação de grau marcada para o final de março, a viagem acabou ficando para o dia que tivesse o melhor preço, uma vez que so pra mudar a passagem ja custava uma grana.
Tinham me recomendado que trouxesse certas coisas do Brasil: sapatos, porque aqui sao desconfortaveis (tenis é outra historia); material pra fazer unha, porque alicate nao se acha aqui; e havaianas, porque é chique e caro. Como a gente sempre esquece alguma coisa importante quando acha que, pela primeira vez na vida, finalmente nao vai esquecer nada, eu esqueci meu empurrador de cuticula. Pra achar algo parecido, mas bem longe de ser bom que nem os nossos, tive que perguntar em varias lojas, caçar um cocozinho de rua (um alley, que é uma ruazinha estreita pela qual geralmente se passa sem nem ver que ela esta ali) e pagar £4.49. Sapatos confortaveis e bonitos tambem tem que pernear bastante pra achar e de havaianas ainda nem sinal.
Voltando ao inicio, na semana anterior à viagem ja estava praticamente tudo resolvido, faltavam pequenos detalhes e arrumar a mala, coisa que fiz rapidinho. Recomendo para qualquer um que viaje para a Inglaterra e resolva nao trazer muita roupa que venha preparado para perder um bom tempo fazendo compras, porque roupa barata tem, mas precisa ter paciencia para procurar.
Finalmente, dia 26 de março peguei o aviao no afonso pena para Sao Paulo, depois em guarulhos para o schiphol em Amsterdam, onde so cheguei dia 27, e por ultimo para heathrow em Londres.
Vim para ca com passaporte italiano, portanto passar pela imigraçao foi bem tranquilo. Na saida a mae do meu amigo, com quem estou morando aqui, me esperava para me trazer para Reading. Viemos bem rapido, ou pelo menos pareceu rapido, mas deu pra ver muita coisa da vegetaçao, das arvores e garanto que é aquilo mesmo que a gente imagina, com exceçao do sol forte, do tempo seco e do ceu azul sem nuvens. Mas nem todo dia é assim.
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