quinta-feira, 5 de abril de 2012

Se perdendo

De fato, no dia em que cheguei o tempo estava bem bom, esfriou de noite, mas durante o dia o sol estava forte e o ar seco. Hoje, em compensação, está frio e úmido, agora tá marcando 5 graus... Apesar disso, vale lembrar que dentro de casa tá bem quentinho, tem aquecimento em (quase) todos os comodos e com certeza os ingleses devem estar de camiseta e shortinho, não eu, é claro. Como boa brasileira, friorenta - não sei como vivi minha vida toda em Curitiba, sério... - to de calça de pijama e moletom hahaha.
Mas já que estou falando do tempo, vou começar com o que aconteceu hoje quando fui correr. Era quase uma da tarde quando resolvi tirar a bunda de casa. Com o capuz do moletom fechado em volta da cara, fui dar uma corridinha no parque, até porque já era hora de conhecer um pouco mais do lugar onde to morando e de largar mão de ser preguiçosa. Lá fui eu. Uma quadra depois meu nariz começa a escorrer MUITO. "Ah, daqui a pouco pára", pensei na minha pobre inocencia. Dali a pouco meus olhos começam a lacrimejar. Cinco minutos mais tarde eu parecia aquelas criancinhas, com as mangas da blusa encharcadas, o nariz assado e os olhos cheio de lágrimas. Cara, nem vi direito por onde eu tava indo. Só sei que de repente o parque acabou e fiz a volta para voltar andando por dentro, pela rua mesmo. Aquela cultura de curitibano que vai pra praia no final do ano, "é só fazer o mesmo caminho e se eu me perder ando até a orla e vou pelo calçadão". Meu ponto de referencia, no caso, era o rio.
Depois de altas voltas cheguei a conclusão de que não tinha dado certo. Quando finalmente achei o parque eu já tava tão de saco cheio que mandei tudo a merda e cortei caminho pela graminha - não é Brasil gente, as pessoas raramente fazem isso aqui - sei lá por que também... A trilhazinha apagada no meio da grama é cercada por árvores - aquelas árvores peladas de filme de terror - e é bem silencioso, então voce não escuta quase os carros, só os barulhos de bem pertinho.
Até hoje nunca tinha entendido por que o corvo é visto de forma, hm, amedrontadora, ou tipo, como símbolo de mau agouro. Até hoje. O corvo não é que nem o bem-te-vi que tem timing pra fazer sua cantoria - chega a ser uma cantoria? - e que nao erra o tempo. O corvo nao ta ligado que existe a thing such as tempo... Voce fica naquela expectativa, pensando "é agora, é agora que esse fdp nao vai me assustar", e no meio do seu pensamento o bicho grasna (cantar é que nao canta...) e te dá um arrepio na espinha - imagino que de só em quem nunca viu/ouviu um corvo ao vivo. Na primeira pensei n"O Corvo" do Poe. Faz tooooodo o sentido agora! Na segunda olhei pra cima, para aquele amontoado de galho pelado e nem sinal do bicho, e isso que ele é grande, robusto, inteiro preto - inteiro mesmo, tipo perninha, bico, olho, tudo preto.
Durante todo o percurso até em casa ou eu ouvia ou via um desses pássaros em algum canto. Foi muito creepy...
O outro episódio do dia se deu de tarde, quando fui ao mercado. Eram 6 horas e tinham me explicado só bem por cima como fazia pra chegar nesse mercado (o Tesco): pelo meio do parque - do lado oposto ao que percorri mais cedo. Tinha um pequeno detalhe que nao levei muito a sério: meio do parque. Meio. Tipo... pontes estreitinhas, sebes, muros, árvores, patos, gansos, umidade, rio, silencio... véi... tipo jungle... tipo... arvorismo sobre a água... frio e com tempo fechado. Na ida deu mais medo, mas acho que isso é questao de cultura, pois se esse caminho fosse em Curitiba, com certeza seria perigoso demais mesmo a luz do dia. Enfim, a volta foi tranquila... acho que estou me acostumando.

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