Ta, como eu tinha dito, o último dia não foi assim muito interessante. Visitamos o Alimentarium, um museu muito interativo não sei se da Nestlé ou pelo menos patrocinado por ela, na cidade de Vevey. E depois nos mandamos para o aeroporto em Genebra, porque estávamos já meio de saco cheio de carregar a mala pra lá e pra cá e tínhamos que fazer o check-in duas horas antes de qualquer maneira.
Bom, o apanhado que eu queria fazer era sobre essa minha primeira experiência de verdade de fazer turismo. Tá, tá, eu sei que fiz turismo em Oxford, Cracóvia e Praga, mas nesses lugares não tinha a grande barreira que é não saber o idioma (lembrem-se que o boy tem como língua nativa o polonês e o checo não é tão distante para ele quanto o francês é para falantes nativos de português). Tudo bem que Genebra é muito multicultural, mas mesmo assim, nem todos falam inglês e nem todos estão dispostos a tentar compreender os estrangeiros. Claro que, comparado com o que me falam dos parisienses, Genebra foi um show de hospitalidade, o que não muda o nível de dificuldade para marinheiros de (quase) primeira viagem.
Mas erros são importantes, principalmente para nos incentivar a buscar alternativas para evitar problemas que surgem no decorrer do planejamento - e que surgirão pela falta dele.
Primeira coisa, nunca use guias de viagem como principal fonte de informação, sempre tenha internet acessível e celular com bateria. Para tanto, procure saber como fica para usar seu celular no país estrangeiro e verifique se o hotel tem wifi e se está incluso na estadia. Se não, consiga um ou dois mapas da cidade - cada mapa mostra com mais fidelidade um ou outro lugar, então, na ausência de internet, é bom se prevenir para evitar se perder. Vá ao cyber café e imprima ou anote ou tire fotos das informações mais relevantes, por exemplo, transporte público que te leve de volta ao hotel, localização de mercados próximos ao hotel e seu horário de funcionamento (no caso de você ter um limite de gastos e precisar comer onde é mais em conta), câmbios (no caso de você precisar trocar dinheiro), horário de funcionamento de pontos turísticos e localização dos mesmos (facilita muito saber qual o melhor lugar para ver primeiro e por último na hora de planejar seu dia).
Na hora de escolher o hotel sempre preste atenção na opinião de outros turistas. Leia o que fez os fulanos darem uma nota ruim e o que fez beltranos darem nota boa a determinado lugar (só conheço bem o www.tripadvisor.com mas sei que há outras fontes disponíveis). Sobre o tripadvisor, vale dar uma checada no que a wikipedia tem a dizer, afinal, sempre é bom ver a quem o site pertence e quem eles querem favorecer. Sei que o tripadvisor tem muita coisa legal e útil, mas sempre tenha isso em mente na hora de visitar quaisquer sites e ler revistas. Se pergunte o que aquela compania ou aquele grupo quer vender e qual é o público alvo deles. Isso vai te ajudar muito na hora de não fazer a cagada que nós fizemos e sair confiando em guia de viagem (no nosso caso foi o lonelyplanet, http://www.lonelyplanet.com/).
O que mais... Ah, procure saber valores com antecedência. Não só quanto custa o metrô ou o museu ou o hotel. Cada lugar tem valores culturais diferentes. Se o que é caro para o curitibano pode ser barato para o carioca, imagine o abismo que separa os países! Um jantar acessível para o genebrino (acho que o correto é genebrês, mas não consigo, é muito feio), para mim é uma facada! Claro que não descobri isso até ter que comer fora umas duas, três vezes, mas é possível descobrir essas coisas antes da água bater na bunda. Preço de comida no restaurante, de entrada nos pontos turísticos, de passagem de trem, e até de lembrancinhas, foi o que nos fez mais falta. Acabamos gastando uma grana sem necessidade que podíamos ter deixado guardada. O que me faz lembrar... SEMPRE tenha uma reserva no banco. E, por conseguinte, NÃO ESQUEÇA de levar o cartão para viajar com você.
Sei que muita coisa vai ser bem óbvia para quem viaja com frequência ou para quem é mais esperto do que nós fomos, mas enfim, melhor prevenir né... Os erros foram uma das primeiras coisas que percebemos nessa viagem, uma pena, mas ao menos serviram para nos dar um ponto de partida para a próxima. Acho que, apesar disso, ver um pouquinho da Suíça foi um ótimo início para nós, dois desavisados. Vimos paisagens lindas, museus intermináveis, e tivemos o prazer de conhecer outra cultura, ainda que superficialmente, o que, para mim, está acima de qualquer catedral, castelo ou montanha. Daqui dois meses veremos se estamos prontos para a próxima...
quinta-feira, 25 de abril de 2013
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Montreux tirando o fôlego
Na noite em que chegamos a Montreux, conversando com o recepcionista e
dono do hotel, decidimos pegar um trem que vai até a Rochers de Naye, que são o
começo dos alpes suíços. Como chegamos fora da temporada - por incrível que
pareça a temporada de inverno já tinha acabado e tinha muita coisa fechada -
não sobraram muitas opções. Mas o trem funciona o ano inteiro. Sobe muita gente
para praticar esportes como esqui e snowboard o dia todo, e o trem vai até a
parte mais alta da montanha, o que dá a possibilidade aos turistas de ir até o
mirante bem no alto. A pé.
Que dó de mim. Eu pensando bem contente que ia poder esquiar, que ia ser
bem fácil e que eu estava bem preparada para o frio e para o esporte. Ai que
dó.
Bom, a subida de trem foi linda, tirei inúmeras fotos e a vontade de
curtir a neve ia só aumentando. Daí chegamos lá em cima. Frio. Vento. Fácil
fácil meio metro de neve. E o tempo inteiro o namorado dizendo, olha que neve
demais não é tão divertido assim, é cansativo, você vai ver, vai com calma que
você ta sem preparo físico pra esquiar. Quem me conhece sabe que eu sou muito
teimosa e a minha imaginação falou mais alto. Lá fui eu, enrolada no cachecol,
subir uma parede/colina de neve para chegar ao mirante. Sem calçado próprio só
fiz escorregar, e vencer dois metros de escalada era muito difícil com neve até
a perereca. De verdade, já comecei a rir nesse início aí. Não teve como, levei
um tapa tão forte que tive que cair na gargalhada. O que é que eu esperava? Que
eu fosse escorregar pra cima? Que a neve ia ser dura e não ia afundar? Que o
vento seria uma brisinha de verão?
Cheguei no mirante e sentei, podre. Toda ranhenta, suada, perdi de
lavada pra neve. Quem vê a foto toda sorridente deve pensar que eu cheguei lá
em cima voando, de certo!, que nada, tava era acabada. Perdi as contas de
quantas vezes tentei arrumar o cachecol para proteger do vento um pouco mais.
Era um tal de tirar a luva para bater foto com o celular, e botar a luva de
novo. Ai que saco!
Claro que valeu a pena. Se tem um momento da minha viagem toda que eu
congelei - quase que literalmente - na minha memória foi este. Foi ver as
montanhas de cima do mirante. Parecia tão de mentira que acho que as fotos
foram muito mais para que, mais tarde, quando eu lembrasse daquela beleza toda,
pudesse também comprovar para mim mesma que aconteceu. Sei que deve soar como
um puta exagero, mas um ano atrás eu nem sonhava em ver neve! Imagina ver
aqueles picos nevados que o Hemingway viu também! Nossa cara, é muito
emocionante...
Depois disso voltamos, quase esquiando com as nádegas, tomar uma bebida
quente no café da estação e pegamos já o próximo trem para voltar a Montreux
(para aquela cama maravilhosa meu deus!!!). No meio do caminho, em Caux,
paramos para patinar numa pista de gelo natural. Ai essa ideia que a turista
aqui tem que a pista de gelo ia ser num lago, devo ter visto muito desenho da
Disney... Era num campinho de futebol... Ta bom né, acho que mais seguro do que
num lago, pensando bem. Passados aqueles quinze minutos inicias que os noobs
sempre precisam para acostumar com uma atividade que, no fundo, eles não sabem,
mas pensam que sabem, o resto das pessoas foi embora - devíamos ter muita cara
de acidente de percurso - e ficamos só nós dois patinando quase até escurecer.
Antes de contar sobre o dia seguinte, preciso me corrigir. No último
post disse que chegamos a Montreux no domingo, mas chegamos, na verdade, no
sábado. Fomos a Rochers de Naye, portanto, no domingo - um domingo muito
ensolarado, diga-se de passagem. Então o dia seguinte era uma segunda, o pior
dia para o turista. Por quê? Porque museu fecha. Mas estávamos dando muita sorte em Montreux, já que no domingo abria um dos lugares
mais visitados por lá, o Castelo de Chillon. Bem simpático e bem charmoso, mas acho que ouvimos falar tanto desse lugar que esperávamos mais. Sem falar que o dia estava horrível, tinha uma névoa densa ao redor das montanhas e estava úmido e frio.
Falta ainda contar do último dia, que não foi assim tão interessante, e fazer um apanhado da viagem como um todo. Mas fico em dívida. Pago em breve, prometo!
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