Na noite em que chegamos a Montreux, conversando com o recepcionista e
dono do hotel, decidimos pegar um trem que vai até a Rochers de Naye, que são o
começo dos alpes suíços. Como chegamos fora da temporada - por incrível que
pareça a temporada de inverno já tinha acabado e tinha muita coisa fechada -
não sobraram muitas opções. Mas o trem funciona o ano inteiro. Sobe muita gente
para praticar esportes como esqui e snowboard o dia todo, e o trem vai até a
parte mais alta da montanha, o que dá a possibilidade aos turistas de ir até o
mirante bem no alto. A pé.
Que dó de mim. Eu pensando bem contente que ia poder esquiar, que ia ser
bem fácil e que eu estava bem preparada para o frio e para o esporte. Ai que
dó.
Bom, a subida de trem foi linda, tirei inúmeras fotos e a vontade de
curtir a neve ia só aumentando. Daí chegamos lá em cima. Frio. Vento. Fácil
fácil meio metro de neve. E o tempo inteiro o namorado dizendo, olha que neve
demais não é tão divertido assim, é cansativo, você vai ver, vai com calma que
você ta sem preparo físico pra esquiar. Quem me conhece sabe que eu sou muito
teimosa e a minha imaginação falou mais alto. Lá fui eu, enrolada no cachecol,
subir uma parede/colina de neve para chegar ao mirante. Sem calçado próprio só
fiz escorregar, e vencer dois metros de escalada era muito difícil com neve até
a perereca. De verdade, já comecei a rir nesse início aí. Não teve como, levei
um tapa tão forte que tive que cair na gargalhada. O que é que eu esperava? Que
eu fosse escorregar pra cima? Que a neve ia ser dura e não ia afundar? Que o
vento seria uma brisinha de verão?
Cheguei no mirante e sentei, podre. Toda ranhenta, suada, perdi de
lavada pra neve. Quem vê a foto toda sorridente deve pensar que eu cheguei lá
em cima voando, de certo!, que nada, tava era acabada. Perdi as contas de
quantas vezes tentei arrumar o cachecol para proteger do vento um pouco mais.
Era um tal de tirar a luva para bater foto com o celular, e botar a luva de
novo. Ai que saco!
Claro que valeu a pena. Se tem um momento da minha viagem toda que eu
congelei - quase que literalmente - na minha memória foi este. Foi ver as
montanhas de cima do mirante. Parecia tão de mentira que acho que as fotos
foram muito mais para que, mais tarde, quando eu lembrasse daquela beleza toda,
pudesse também comprovar para mim mesma que aconteceu. Sei que deve soar como
um puta exagero, mas um ano atrás eu nem sonhava em ver neve! Imagina ver
aqueles picos nevados que o Hemingway viu também! Nossa cara, é muito
emocionante...
Depois disso voltamos, quase esquiando com as nádegas, tomar uma bebida
quente no café da estação e pegamos já o próximo trem para voltar a Montreux
(para aquela cama maravilhosa meu deus!!!). No meio do caminho, em Caux,
paramos para patinar numa pista de gelo natural. Ai essa ideia que a turista
aqui tem que a pista de gelo ia ser num lago, devo ter visto muito desenho da
Disney... Era num campinho de futebol... Ta bom né, acho que mais seguro do que
num lago, pensando bem. Passados aqueles quinze minutos inicias que os noobs
sempre precisam para acostumar com uma atividade que, no fundo, eles não sabem,
mas pensam que sabem, o resto das pessoas foi embora - devíamos ter muita cara
de acidente de percurso - e ficamos só nós dois patinando quase até escurecer.
Antes de contar sobre o dia seguinte, preciso me corrigir. No último
post disse que chegamos a Montreux no domingo, mas chegamos, na verdade, no
sábado. Fomos a Rochers de Naye, portanto, no domingo - um domingo muito
ensolarado, diga-se de passagem. Então o dia seguinte era uma segunda, o pior
dia para o turista. Por quê? Porque museu fecha. Mas estávamos dando muita sorte em Montreux, já que no domingo abria um dos lugares
mais visitados por lá, o Castelo de Chillon. Bem simpático e bem charmoso, mas acho que ouvimos falar tanto desse lugar que esperávamos mais. Sem falar que o dia estava horrível, tinha uma névoa densa ao redor das montanhas e estava úmido e frio.
Falta ainda contar do último dia, que não foi assim tão interessante, e fazer um apanhado da viagem como um todo. Mas fico em dívida. Pago em breve, prometo!
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