terça-feira, 17 de abril de 2012

Uma dica

Sempre que o tempo vai passando tenho tendência a pensar que as próximas notícias serão boas. Notícias sobre tudo, sobre o mundo, sobre os amigos, família. Mal de pessoa otimista. Mas é um otimismo fácil, porque é mais fácil torcer pelas pessoas que amo do que torcer por mim. Até semana passada eu estava torcendo por mim, mas agora a vontade é de me dar uns tapas. Já explico.
Primeira coisa que percebi aqui, e precisei vir para cá para entender isso, é que morar com a minha mãe fez de mim uma pessoa folgada e dependente. Sempre contei com a mamãe para tudo, mas agora que ela não está aqui e que preciso fazer tudo sozinha, não consigo direito. Não sei nem por onde começar e daí acabo ficando mais perdida do que já to. É tão frustrante perceber que não consigo me virar como pensei que conseguiria que a vontade é me dar uns tapas mesmo, pra ver se aprendo que nem tudo é tão fácil assim e que se eu tivesse vindo para cá sendo mais realista, talvez as coisas estivessem diferentes. Mas não foi o que aconteceu e agora preciso correr atrás do prejuízo. Afinal é difícil ser otimista quando você percebe que estava sendo burro.
Outra coisa que percebi aqui: não conte com ninguém. Teoricamente eu poderia contar com meu amigo, com a mãe dele e talvez até com o padrasto dele, que são as pessoas com quem moro aqui. Não dá. As pessoas trabalham muito nesse país, elas não tem tempo de te levar pela mão e elas não vão entender que você está sofrendo choque cultural, porque aparentemente ocorre uma perda de memória depois de um tempo e também porque sempre que o tempo passa olhamos para trás pensando "ah, nem foi tão difícil assim me adaptar", não importa o quanto na verdade tenha sido. Não to querendo dizer com isso que sou uma coitadinha, que estou comendo o pão que o diabo amassou ou que tenho peninha da mim, porque né, to sofrendo litros decerto. Não me entendam mal. Eu to é querendo me bater, para ver se deixo de ser lenta e se começo a andar na velocidade certa, para ver se deixo de esperar o mundo resolver meus problemas para mim.
Aquela história de que vir para outro país te mostra outras realidades é verdade mesmo, principalmente no sentido em que mostra a nós mesmos coisas que não sabíamos sobre nossa maneira de agir, de pensar e de responder ao que acontece a nossa volta. Só tenho um conselho para quem quiser fazer o tipo de viagem que estou fazendo, se prepare psicologicamente. Esteja pronto para receber as decepções de braços abertos e não com cara de surpresa ou com raiva, como foi o caso comigo. E tenha maturidade para reconhecer que você pode aprender muito com elas. E, de preferência, não demore muito para reconhecer isso, porque senão você vai só se estressar a toa.
Por hoje fica essa dica.

Um comentário:

  1. Acho que a distância nos aproxima de tudo e de todos que não podemos alcançar naquele momento. E a saudade é, muitas vezes, o reconhecimento da nossa ausência quando estávamos próximos. Tudo é questão de perspectiva. O outro lado da rua pode ser tão estranho e desafiador quanto o outro lado do mundo. Acredito que saber de onde viemos nos dá a medida de onde estamos e o porquê de ali chegarmos. O mundo é o mundo. Mas você estar nele já o torna de alguma maneira diferente. A consciência da dor é angustiante, mas ainda assim é consciência. Força garota!

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