sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Falta de comunicação

Mas tem mais para contar das férias do que o que escrevi para o último post.
Ir para Praga foi uma aventura, em termos de arquitetura e arte foi tudo parte de uma novidade surreal para mim. Mas vamos e convenhamos que, numa cidade turística como essa, não é tão difícil se achar se você fala inglês. Já se você fala espanhol é outra coisa (basicamente você tá fudido...). Que dó que deu de uma moça pedindo informação e a atendente dizendo bem seca "não falo espanhol" nem lembro mais em que língua. Os atendentes, em geral, se não te entendem de primeira também não fazem muito esforço. Nas lojas a história era outra. Numa lojinha com duas russas uma arranhava até italiano.
Por incrível que pareça, no entanto, nós nos viramos anos luz melhor com o polonês do boy, do que com nosso inglês. Num dos restaurantes a garçonete até tentou, mas acabou virando as costas triste, tadinha, dizendo em checo "eu não entendo...". Daí, depois que veio a gerente no lugar dela, o boy falou em polonês e no final veio de volta a garçonete feliz da vida atender a gente em checo mesmo. E acreditem, eles se entenderam perfeitamente.
Agora, imaginem eu na Polônia, onde só a geração mais nova fala inglês, tentando entender a maquininha de café na "rodoviária" de Cracóvia, quando vem um senhorzinho me pedir ajuda. Ô meu senhor, se não me pedem informação nem aqui na Inglaterra, tenho decerto cara de polaca? E naquela pressão eu não lembrava como dizia "não falo polonês" e o senhorzinho repetindo e o boy no guichê comprando as passagens e a senhorinha com o senhorzinho falando outra coisa e eu com as moedas na mão pra comprar o meu café e tudo rodando. Desmaiei, foi pressão demais. Rá! Mentira! Hahahaha, mas seria lindo eu desmaiando na frente da máquina de café!
Bom, nisso eu lembrei como dizia "não entendo", o que não adiantou nada, porque o senhorzinho achou que eu não tinha entendido a pergunta e continuou repetindo e apontando. Mas daí o boy terminou de comprar as passagens e veio ao meu socorro. Tudo resolvido o senhorzinho comprou seu chocolate quente, os três riram da situação e eu continuei sem entender nada. E consegui meu café. Final feliz.
Num outro dia, lá pelo fim da viagem, fui ver umas roupas para o inverno, porque lá eles sabem se proteger do frio - chega a -30ºC fácil fácil. Na única loja em que entrei sozinha, adivinhem, veio a moça falar comigo. Olhei para um lado, para o outro, foi batendo o desespero, fechei os olhos torcendo pra falar certo e disse um mega tímido nie mówię po polsku. Sei lá do que ela achou tanta graça, deve ter sido o jeito que eu falei, mas ela e a outra atendente não pararam mais de rir. O boy entrou na loja só mesmo pra sair, porque depois dessa fiquei muito sem graça até de provar alguma coisa. Passei por mais alguns apertos, mas nada que não se resolvesse com google tradutor ou linguagem corporal.
Faz quase uma semana que estamos de volta e já deu saudade de ouvir polonês o dia inteiro. Não sei se é porque a língua é bonita ou porque às vezes prefiro não entender o que as pessoas falam. Talvez seja um pouco dos dois.

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