sábado, 12 de maio de 2012

Manda fazer fila que vou bater em todo mundo!

Uma amiga em especial tem comentado que nao falo muito sobre como estou me sentindo aqui, como estou lidando com a distancia, com as saudades das pessoas amadas, com a adaptacao em termos emocionais. Entao vou comentar sobre o que aconteceu hoje que me deixou louca da vida.
Fui até o restaurante onde vou comecar a trabalhar para ver minha rota (é assim mesmo em ingles) e aproveitei para checar meu saldo no caixa automático, já que hoje era para receber meu salário. Quase caí para trás: veio quase metade do que estava esperando. Fiz conta em cima de conta e nao tinha jeito de ter vindo tao pouco. Conferi as taxas, acabei descobrindo muita coisa util gracas a isso, mas nada que explicasse meu salário ridículo. Foi só de noite, quando me entregaram meu payslip (holerite) que descobri que faltou me pagarem 70 horas. Pára tudo. Setenta horas. Pode isso, Arnaldo? PODE ISSO???
Internamente eu virei o Hulk, porque, afinal, o problema nao é só faltar dinheiro. O problema é que nao dá pra fazer planos que esses filhos da puta vem e ferram voce. Só dando risada mesmo! Nao dá, nao é possível, nao é para eu ir pra Oxford! Amanha eu ia finalmente e com companhia, mas adivinha só? tenho que esperar até de tarde para ver se a gerente vai estar lá para eu poder me dar ao luxo de me estressar com trem só para resolver um problema que nem deveria existir. Mas que saco inglaterra, sou estrangeira mas nao sou burra! Ontem era o estresse da demora do pagamento, semana passada o estresse de trabalhar com um povinho preguicoso e mal educado, na semana anterior o estresse de uma gerente dizendo na minha cara que nao acreditava que eu estava doente. Ah, vao tudo a merda! Cansei de brincar faz tempo! Entendo o que eles falam, me comunico bem, leio nessa maldita lingua e eles pensam o que, que nao sei fazer conta?
É assim que estou me sentindo, sem UM break no estress, sempre tensa, a todo o momento na expectativa de mais alguma má notícia, tendo que atirar antes de perguntar porque senao quem leva sou eu. Bróder, voce simplesmente nao consegue relaxar! Eu me sinto tratada como se fosse burra! A desculpa que usei quando pedi a conta foi que nao estou me adaptando. Adaptacao aqui nao tem segredo, como tudo na vida é só questao de tempo. Teve uma neozelandesa carente que falou pra mim "esse tipo de viagem nao é para qualquer um." Ah véi, na boa, a única dificuldade é se acostumar com esse bando de gente imbecil que acha que vai te passar pra trás assim fácil. A vontade é de falar: sou brasileira, coleguinha, nasci e cresci no país da gambiarra, do jeitinho, da esperteza e da malícia, mas boa sorte né, tenta aí, vai que voce consegue!
Sério meus amigos, familiares e intrusos-bem-vindos leitores, dá até a pena. Eles acham mesmo que vou abaixar minha cabeca para essa gringarada do caralho, pardon my french? Nunca bati no peito com tanta vontade (o peitinho quase que vira uma corcunda) na hora de dizer "sou brasileira." E, nesse ponto, a raiva que estou passando reforca meu patriotismo e meu orgulho. Só que cansa. Nao me vejo vivendo aqui por anos a fio, nao entendo como o povo que faz isso aguenta.
Saudade da família bate mais forte de vez em quando só. No entanto, sei que vou passar por umas fases mais complicadas, ou pelo menos acho que vou. Até porque eu morava com a mamae e via sempre vó, tios e pai. Aqui pago aluguel e moro quase sozinha, já que quando os horários nao batem podemos ficar dias sem ter um tempo para sentar e conversar. Claro que isso é raro, mas com a minha mae nunca acontecia. A convivencia tambem pode se tornar muito chata e complicada. E resolver problemas de convivio é mais difícil quando voce nao pode explodir e falar tudo o que pensa.
Sinto muita falta do namorado, parceirao para segurar a barra. Tudo fica mais pesado quando voce é obrigado a carregar sozinho, principalmente sabendo que a pessoa tambem está fazendo o mesmo. É horrivel ver quem vc ama sofrendo por sua causa e nao poder ajudar, ao mesmo tempo em que voce lida com os seus proprios medos e com todo o lado ruim dessa novidade de morar fora. Mas isso tambem é uma daquelas coisas que os pais chamam de "aprendizado", ou "crescimento". Percebi que sou muito mais forte de que esperava, mas precisei de 40 dias para reconhecer isso em mim e me dar um mínimo de credito. E, claro, perceber que se é forte nao faz a dor doer menos.
Enfim, para fechar, fico em dívida com os leitores. Se eu esquecer me cobrem de explicar os esquemas das taxas, os formulários (P45, P46, etc e tal) e o travelcard que esqueci de contar do dia que fui para Londres.
Até outro dia, um mais tranquilo, espero!

Um comentário:

  1. Querida, boa sorte, vai com um pouco de calma, respira e mergulha. T amo.

    ResponderExcluir