Paramos na reflexao sobre pertencer a uma determinada engrenagem, certo? Bem, antes de entrar nesse assunto quero fazer um "a parte". Alguem viu aquele filme, Na Natureza Selvagem (Into the Wild, no original)? No finalzinho o menino faz uma observacao muito legal, sobre se ser feliz quando se está com quem se ama. Ou seja, nem sempre a felicidade está em conhecer o mundo sozinho, mas talvez ficar a vida toda no mesmo sítio criando porco com a sua família te de muito mais alegria. Ou nao. E como voce vai saber? Tudo depende das escolhas que voce faz. É claro que podemos mudar de ideia, a vida serve para isso né, ora bolas, para voce redescobrir o mundo e a si próprio sempre que estiver disposto a tanto.
Era aqui que eu queria chegar. Eu vim pra cá porque estava disposta a conhecer partes de mim que me eram invisíveis na zona sudoeste de conforto da minha (nem sempre) adorada Curitibacity. Sejamos honestos, eu precisava conhecer esses meus outros lados, foi um dia uma vontade, virou obsessao. Mas, de fato, me dispus a me arrancar daquele pedacinho de mundo e voar pela KLM (nao facam isso com o corpinho de voces, nunca voem pela KLM) para um outro pedacinho de mundo. E muito mudou em mim gracas a isso. Saí de Curitiba me sentindo uma menininha e hoje me sinto, gracas a esses choques todos pelos quais vivo passando, uma mulher adulta, capaz de caminhar com as próprias pernas, de planejar seu futuro, de viver dando o melhor de si. Parece um puta clichezasso, mas com isso eu aprendi a me respeitar muito mais.
E tudo porque decidi sair de uma engrenagem e me inserir em outra. E apesar de ter entrado em um sistema que parece desconsiderar a beleza e o milagre da existencia dos indivíduos enquanto seres humanos e que parece preferir tratá-los como insetos, escravos, receptáculos sem sentimentos, foi gracas a esse sistema que EU aprendi a dar valor ao ser humano. Foi ao ver o que um sistema bem organizado e civilizado pode fazer por e com uma pessoa que os pequenos grupos chamaram minha atencao. Sao os estrangeiros que sustentam o reino unido, sao eles que estao sempre dispostos a trabalhar horas ridículas (tipo 60h, 70h/ semana - coisa comum entre polacos e brasileiros, por exemplo), sendo tratados, nao raramente, como servos por asiáticos que acham que estao no oriente médio e que também ajudam a sustentar esse lugar. E mesmo dentro dessa bola de neve essas pessoas ainda conseguem se manter unidas. É por isso que escolhi continuar sendo garçonete. No restaurante tenho oportunidade de ver tantas diferenças culturais, de conversar com ingleses que acham um absurdo eu ter vindo para cá ao invés de ficar no Brasil que "deve ser um lugar lindo", de praticar meu espanhol quando aparece um hermano latino, vish, tem tanta coisa boa no meio da pressão e do porre que é um restaurante lotado com lista de espera e tudo, que vale a pena sim.
Foi isso, e o que escrevi no ultimo post, que me levaram a concluir que é melhor ter companhia nas minhas viagens (fisica e metaforicamente falando) por esse mundão de meu deus do que tocar uma carreira solo. Nao é minha prioridade numero UM agora, mas é a dois e meio, com certeza. E esse (re)conhecimento fez de mim uma pessoa muito menos racista, de maneira geral - quem me conhece sabe que sou bem racista em termos de nacionalidades, nao de cor. Enfim, tem gente que precisa morrer num onibus no Alaska pra entender a importancia do "calor" humano (sem piadinha), tem gente que nao considera isso importante at all... acho que to no lucro então, porque só precisei mudar de continente e fazer parte de um sistema diferente por 3 meses para concluir o que disse no último post, que as vezes é melhor não tão bem acompanhado do que sozinho... Mas melhor ainda com seus amigos por perto. Tomara que um dia eu possa ter isso aqui.
Assisti "Into the Wild" no lançamento, passou apenas em um cinema aqui em Curitibacity. Além da ótima mensagem, o filme tem uma trilha sonora linda. Composta pelo Eddie Vedder. Vale a pena comprar ou baixar. Em 2011 sai do Brasil para dar um passeio de 12.500km pela patagônia argentina e chilena. Povo acolhedor e caloroso. Os lugares mais lindos que vi nos meus 34 anos de vida. Mesmo estando acompanhado de 3 amigos, senti uma falta tremenda de minha família em vários momentos. Podemos rodar o mundo todo sozinhos ou com algum amigo, mas o coração sempre fica conectado as raízes. Se você tem raízes, é claro! Acho esse aprendizado do distanciamento um dos mais importantes que podemos vivenciar. Aprendemos a valorizar as coisas certas e o retorno, não importa quantas vezes aconteça, sempre terá um gostinho mais saboroso. P.S.- As coisas materiais que deixamos para trás parecem menores e menos importantes quando regressamos ao lar.
ResponderExcluirSe, por acaso, você não tiver "isso aí", a grande vantagem é que
ResponderExcluirvocê tem para onde voltar e "ter isso aqui". Bj, t.a.