quarta-feira, 19 de junho de 2013

Comunismo não!

Um pouco antes da minha viagem ao Brasil, em Março desse ano, comentei com meu namorado que eu teria que botar em dia minha situação com a justiça eleitoral brasileira, uma vez que não votei nas eleições do ano passado. Ao reparar que ele não tinha entendido o que eu quis dizer, contei que, no meu país, voto é obrigatório e que ou você vota, ou justifica, ou paga multinha. Ouvindo isso ele soltou uma gargalhada debochada e disse "isso cheira a comunismo"!
Na minha juventude li um pouco aqui e ali sobre comunismo e sempre achei a ideia boa, sempre ouvi dizer que funciona muito bem na teoria. Não existiria nada privatizado, tudo seria do povo e para o povo. Mas nós brasileiros não sabemos o que é ter um país massacrado por guerras durante séculos e mais séculos, não sabemos como é estar preso dentro de seu próprio território. Muitos pedem comunismo já, mas duvido que a grande maioria saiba como de fato funciona um país comunista. Para o post de hoje eu decidi fazer algumas perguntas ao Pawel, meu namorado, que nasceu na Polônia comunista e assistiu sua queda, seguida da lenta ascensão da democracia.
Eu pergunto a ele, por que o voto obrigatório "cheira a comunismo"?
Ele responde, "é o controle que o Estado exerce nos seus cidadãos, forçando que eles façam algo contra a sua vontade. Eu não acho que o voto jamais tenha sido obrigatório na Polônia, mas não faria diferença, tudo era manipulado pelo Estado, os resultados eram sempre aqueles desejados pelo partido que estava no poder."
Desi: Mas e a liberdade de expressão?
Pawel: Não existe algo assim no comunismo.
D: Por que não? O que aconteceria se as pessoas fossem às ruas protestar?
P: A polícia pararia tudo, interromperia a manifestação, bateria no povo, levaria os líderes para passar uma longa temporada na cadeia. No começo do comunismo na Polônia, a polícia facilmente mataria qualquer um que fosse contra o Estado, mais para o final ainda havia tortura, mas já não se matava mais ninguém por discordar das ideias comunistas.
D: Por que não?
P: O povo já estava sentindo que, mais cedo ou mais tarde, o comunismo veria sua queda e logo todos teriam que pagar pelos seus crimes.
D: Muitos pedem que o Brasil se torne comunista, o que você acha disso?
P: Eu acredito que, antes de pedir por uma mudança desse tipo, o povo precisa saber exatamente o que ela significa. O comunismo é uma "forma de governo", e talvez a única, que não hesita em matar seus próprios cidadãos. Pode ser lindo no papel, mas na prática é um regime que amedronta o povo e o despe de toda liberdade.

Na semana que vem vamos visitar a família na Polônia e vou aproveitar para entrevistar minha sogra e meu sogro e tentar entender um pouco como foi o comunismo para eles que cresceram nesse sistema.
Peço desculpas aos estudiosos do assunto, caso eu tenha usado alguma terminologia errada, sou leiga e admito, mas to tentando entender aquilo que quero poder criticar com mais propriedade.
Se você acha que meu namorado tem uma opinião única e muito parcial, te faço um convite, meu caro leitor. Venha para a Inglaterra passar uns dias e pergunte para qualquer pessoa do leste europeu se eles gostariam que seus países voltassem a ser comunistas. Quando você tiver a oportunidade de fazer isso, se ainda quiser conversar, tamos aí, beleza?

Alguns sites legais, se você se interessar:

2 comentários:

  1. Poxa meu anjo. Bonito o que você está fazendo. Conhecimento à partir de quem viveu uma situação, não como liderança, mas sim como povo, no dia a dia, assim você vai ter uma visão realista e não uma visão utópica. Parabéns, está ensinando uma coisa que muitos "velhos" e "bem velhos" jamais se deram ao trabalho de fazer. Beijos.

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