quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Natal e Ano Novo - em 2012 o mundo não acabou!

Todo mundo dizia, o Natal vai ser a pior parte, vai ser quando você vai sentir mais a falta da família. No começo achei tudo muito estranho. Fiquei até bem empolgada com a ideia, comprei os papéis e fitas para os presentes, escolhi uma árvore bem linda, o Paweł se encarregou da decoração e das luzinhas, montamos tudo juntos e tá ali na sala, vai ficar até dia 6. O Natal chegou, disseram que nos restaurantes ia ser uma loucura, que nada. Todo mundo ficou surpreso, dezembro foi quieto e passou bem devagar. A saudade apertou bastante...
No trabalho a gerente foi bem linda e me deu o dia 24 de folga como eu queria, fizemos aqui em casa uma ceia bem gostosa, sem peru, porque ia ser comida jogada fora. Falei com a mãe, com o tio, com a vó, com as tias, com a prima, só o pai chato que não atendeu e fica me deixando preocupada (dá notícia, faz favor, cansei de ligar e cair na secretária eletrônica). Foi um natal diferente e muito legal.
Depois do Natal ficou mais corrido no restaurante, pouca coisa, mas fez diferença. Na sexta passada me irritei com a atitude de uma outra gerente, essa uma vadia e ainda feia que é uma desgraça. Como que pode meu deus, eu que achava que gente feia tinha que pelo menos compensar e ser querida! Daí já viu, fiquei com um mau humor do cão nos próximos dias. Trabalhando muito no fim de semana, esqueci que dia 31 era na próxima segunda, mas como todo mundo disse que o restaurante ficava morto presumi que ia ter tempo de fazer meu churrasco, já que a viagem para Londres para ver os fogos ficou cancelada (mea culpa, esqueci de pedir a noite do dia 31 de folga...). Véspera de ano novo, restaurante cheio que parecia sábado, era para eu terminar às 23h, mas lá no fundo já sabendo que não ia conseguir. Fiquei para a contagem regressiva, mas foi ver meus colegas comemorando o começo de 2013 no meio do trabalho o que me deu raiva. Olhei em volta e pensei, que se fodam vocês, não gosto de ninguém aqui o suficiente para ficar para ajudar, eu vou é para a minha casa fazer o meu churrasco e comemorar com quem interessa. Saí, meia noite e um, chorando de raiva e jurando que, nem que eu me demita às onze e meia da noite, não passo ano novo no trabalho de novo nunca mais. Nevermore!
Não sei o que foi pior, ver o Paweł chateado por passar o ano novo em casa, fazer a maldita contagem com gente que quero mais é que vá pra puta que o pariu, ou chegar em casa sabendo que 2013 começou e eu ainda estava de uniforme. Ai que ódio!!!!!!!!!! Cheguei em casa tão frustrada, mas tão frustrada, queria matar aquele bando de gente que não tinha mais o que fazer e lotou o restaurante, queria voltar no tempo e pedir o dia 31 de folga, queria espancar a gerente vaca até ela virar um pokemón bem bonitinho e voltar para a imaginação de quem criou o desenho.
A única solução que me acalmou foi comemorar a virada junto com o Brasil, que seria aqui duas da manhã. Falei com a família de novo, nem sinal do meu pai de novo..., e finalmente bateu a tristeza, uma saudade dolorida de estar com as pessoas com quem cresci, de ver Curitiba abandonada, de vestir branco por tradição, de abraçar a mãe e falar com o pai escondido no matagal onde ele achou minha madrasta (Gil, te amo, mas não podia perder a piada, hehehe). De pijama, virando a carne, assisti os fogos de copacabana pela internet e acompanhei (não comemorei porque to ficando mais velha e não tenho motivo nenhum pra comemorar a chegada das rugas), ao mesmo tempo que a minha família, a entrada de 2013.
A gente acha que, quando está assim, sozinho, longe, virando adulto, vai se adaptar a tudo, vai sofrer e ficar mais forte, vai crescer e aprender a lidar com todo o tipo de situação. Mas quando sente aquele vazio que a falta de alguém muito importante abre dentro do peito, percebe que a criança que fomos um dia, escondida, guardada nas nossas lembranças volta e nos faz sentir vulneráveis e amedrontados, sozinhos no mundo. Meu polaco diz que, mesmo depois de 7 anos longe da família, o Natal ainda o afeta, e isso que a Polônia é aqui do lado, distância de Porto Alegre a São Paulo. Sempre passei ou Natal, ou Ano Novo, ou ambos com a minha família, mas só doeu mesmo quando não passei nenhum dos dois com ninguém, nem meu pai atendeu o telefone... E daí tem meu aniversário, daqui 3 dias, num domingo, meu dia fa-vo-ri-to (morre domingo, te odeio) e, de novo, sem família. Sei que podia ser pior, sempre pode ser pior, mas bem que eu queria voltar a ser adolescente e tocar um foda-se bem grande, comprar a passagem para amanhã e ir passar um mês morgando no calor maravilhoso que eu amo tanto do meu Brasil.
Sinto pelo tom deprimido no final desse post, mas é o que faz a saudade e a nostalgia, é que as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como aí, aqui elas gorjeiam em mil línguas e mil culturas, mas nenhuma é como aquela de dentro da casa da minha vó, com peru e amigo secreto, família reunida e quatro mulheres para lavar a louça (a vó não conta e a prima ainda ta aproveitando seus 14 anos). Quando eu era criança queria tanto ser adulta, hoje em dia já tenho minhas dúvidas.
Abraço família querida, amigos que são a família que eu escolhi e pai, se não chegou a tecnologia aí na roça, manda pelo menos um pombo correio, obrigada.

Um comentário:

  1. Ah meu amor, te amo. Nestas horas que eu penso que seria tão bom ter você aqui, te mimar, rir, brigar, tudo junto, nada contra, tudo a favor. Beleza.
    Mas então sabe? É aquela história de "um dia vai acontecer", querida, aconteceu. Você devagar fica mais forte, e quando vê a saudade dói um pouco menos e fica só como um bálsamo, um remédio doce pra sentir e incrível para lembrar. Te amo de mantão. Beijos.

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